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O que fazemos com aquilo que nos incomoda?

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  (photo by: Sérgio Aires) O ativismo não é bem visto em Portugal.  O vandalismo não é ativismo. E o que fazemos com aquilo que nos incomoda? Observei estes dois títulos num vídeo de uma rede social, em que outros tantos surgiam como ilustração do que estavam a atentar apresentar, mas estes dois deixaram-me alguma inquietação, e por isso decidi aqui trazer e partilhar convosco essas minhas inquietações. Sobre o primeiro título, o de que o ativismo social não é bem visto em Portugal, diria que o ativismo social não é propriamente bem visto em lado nenhum. E não é por acaso! Como a própria palavra sugere, o ativismo implica ação, movimento, agitação. Trata-se de agitar as águas em torno de determinada matéria, de questionar aquilo que muitos preferiam manter inquestionável, de colocar em cima da mesa aquilo que outros preferiam manter debaixo do tapete. E é mais do que evidente que o poder, seja ele qual for, nunca gostou particularmente de ver as suas águas agitadas, meno...

Fomos avisados, mas preferimos sempre o lucro! Agora temos o futuro penhorado!

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  O livro O Decénio Decisivo não deixa de me causar repulsa. E não, não é porque esteja mal redigido ou porque a sua estrutura ortográfica esteja mal construída. Nada disso. O que verdadeiramente me enoja é a confirmação de uma impressão que há muito tenho sobre os discursos demagógicos em torno das energias limpas, dos carros elétricos, da proteção do ambiente, do degelo e da Amazónia, coitadinha. Na Parte II, a partir da página 233, a leitura é clara como água — não contaminada, está claro! De um lado, temos o discurso limpinho das energias renováveis, nas quais não faltam investimentos por parte de quem tem acesso a esse mercado. Do outro, impõe-se uma política de consumo de combustíveis fósseis, porque, afinal, há barris de petróleo e interesses financeiros que é preciso rentabilizar. Enquanto houver políticos com participações em empresas petrolíferas, ou até proprietários de explorações de petróleo, o discurso ecológico dificilmente estará livre de manchas de crude. Entr...

A FALÊNCIA DA DEMOCRACIA: QUANDO O PODER DESRESPEITA A LEI E O POVO PAGA A CONTA

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  (photo by: Sérgio Aires) O SISTEMA NÃO ESTÁ A FALHAR. ESTÁ A FALHAR-NOS. Há uma palavra que se tornou omnipresente. Sai da boca de toda a gente, atravessa conversas, debates, cafés, fábricas, universidades, parlamentos e redes sociais. Uma palavra aparentemente abstrata, quase conveniente, usada para explicar tudo e, demasiadas vezes, para não responsabilizar ninguém: o sistema . Mas o sistema não é abstrato quando chega o dia de pagar a renda. Não é abstrato quando o salário desaparece antes do fim do mês. Não é abstrato quando um jovem trabalha, desconta, cumpre as suas obrigações e continua sem conseguir sair de casa dos pais. Não é abstrato quando uma família tem de escolher entre pagar a habitação, comprar alimentos ou aquecer a casa. Não é abstrato quando alguém começa a fazer contas para perceber se comprar uma tenda e dormir nela será, afinal, mais barato do que pagar um teto. É aí que o sistema ganha rosto. E é aí que percebemos quem o sistema serve e quem está a s...