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A mostrar mensagens de março, 2025

Quem foi que disse que viver é fácil!? (1ª parte)

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  (fonte desconhecida) Quem foi que disse que viver é fácil!?   Nascemos de um parto que nem sempre é a melhor das imagens. A mulher que nos carrega por nove meses, em alguns casos menos, outros mais, naquele momento de parir sofre, e é um sofrimento que só é mitigado pelo desejo de ser mãe, quando esse desejo é de fato uma realidade e não se é mãe de uma posição machista, ou a exibição da virilidade de um macho com problemas de autoestima. Dar à luz, parir um ser, pode ser penoso o bastante para se poder marcar a partir daí que viver não é fácil. Como afirmou Simone de Beauvoir: "Não se nasce mulher: torna-se mulher." O papel da maternidade, muitas vezes imposto socialmente, pode ser tanto uma escolha quanto uma obrigação construída dentro de um sistema patriarcal.   Poderemos até equacionar que quando nascidos em berço de ouro as coisas sejam mais simples, mas lamento discordar de quem assim pensa. Os atos de violência dos homens sobre as mulheres são, nessa cl...

A Urgência da União na Luta pelos Direitos Civis

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  (photo by: PortugalGay.pt) Juntos Somos Mais Fortes: A Urgência da União na Luta pelos Direitos Civis A História ensina-nos que os direitos civis nunca foram dádivas benevolentes dos poderosos. Foram conquistados com sangue, suor e resistência por aqueles que recusaram ser silenciados. Hoje, no século XXI, assistimos a uma ofensiva coordenada da extrema-direita, disfarçada com promessas fáceis e discursos de aparente estabilidade, para corroer essas conquistas e nos arrastar de volta a tempos sombrios de exclusão, abuso e opressão. O filme The Help expõe de forma magistral como a opressão legalizada servia para perpetuar um sistema de desigualdade racial e exploração. Mas não é um retrato do passado longínquo. É um espelho de hoje, onde mulheres, negros, imigrantes, pessoas LGBTQ+, trabalhadores precários e todas as minorias enfrentam ataques renovados aos seus direitos fundamentais. Não podemos permitir que a História se repita. Se a luta pelos direitos civis ensinou algo, foi ...

LIBERDADE, quanto custou, quanto vale; ...de que LIBERDADE estamos a falar, porque a usam para nos tirar a LIBERDADE!?

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  LIBERDADE, quanto custou, quanto vale; ...de que LIBERDADE estamos a falar, porque a usam para nos tirar a LIBERDADE!? A LIBERDADE, escrita em maiúsculas para enfatizar a sua importância e magnitude, é um conceito que atravessa séculos, inspira revoluções e molda sociedades. Mas, afinal, quanto custou e quanto vale essa tão almejada LIBERDADE? E, em tempos contemporâneos, de que LIBERDADE estamos realmente a falar, quando frequentemente a usam como pretexto para nos privar da própria LIBERDADE? ​ A história da humanidade está repleta de lutas pela LIBERDADE. Desde as revoluções que derrubaram monarquias absolutas até aos movimentos de descolonização, povos inteiros sacrificaram-se em prol da autonomia e autodeterminação. A Revolução Francesa, por exemplo, ergueu os ideais de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", mas a que custo? Milhares perderam a vida na guilhotina e nos campos de batalha para que as gerações futuras pudessem desfrutar de direitos fundamentais. ​ Si...

O Óscar de pancarta, …mas tímida!

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  O Óscar de pancarta, …mas tímida! A noite dos Óscares é por norma um espaço aberto a lutas várias, palco de declarações, reivindicações por um mundo melhor, gritos de revolta. Este ano não foi diferente, mas, e em contraponto com outros anos, achei que essas manifestações foram mais tímidas que em anos anteriores, parecia haver uma espécie de desalento, uma vergonha alheia que ninguém queria expor. Senti isso, por exemplo, com o premiado com o Óscar de “Melhor Actor”, Adrien Brody, que por um lado queria fazer ali uma declaração forte e sentida sobre a situação que o mundo se encontra, silenciou até a orquestra, mas depois um travão na língua, um emaranhado de ideias, vontades, diria até que se houvesse aquelas nuvens da banda desenhada estaria cheia de hieróglifos sem sentido. "O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas a ilusão do conhecimento." – ( Stephen Hawking ) Por sua vez, o Óscar de “Melhor Actriz”, Zoë Saldaña, que no seu discurso meio que desorgan...

"O que significa ocupar o espaço público? Significa reivindicar o direito de existir." (Butler)

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  Este ano a Marcha do Orgulho LGBT+ do Porto faz 20 anos,... Marchar é EXISTIR: A Importância das Marchas, das Ruas e da Luta LGBT+   As ruas sempre foram palco da história. Foi nelas que os trabalhadores ergueram seus punhos no 1º de Maio, que povos inteiros se libertaram da tirania, que vozes antes silenciadas se ergueram contra regimes opressores. E foi também nelas que a comunidade LGBT+ encontrou, e continua a encontrar, espaço para existir, para resistir e para celebrar. As marchas nunca foram meros desfiles, nunca foram meros festejos vazios. Elas são, (e devem continuar a ser) antes de tudo, uma afirmação de existência, uma ocupação do espaço público por corpos que, por muito tempo, foram empurrados para a margem da sociedade. No entanto, hoje, há um murmúrio de desinteresse, um certo descrédito, que se alastra entre alguns, inclusive dentro da própria comunidade LGBT+. Há quem diga que já conquistamos muito, que não precisamos mais marchar, que "isso já não f...