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A mostrar mensagens de dezembro, 2025

Quando o Futuro se Torna Escasso

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  (photo by: Visão) Quando o Futuro se Torna Escasso À medida que o século XXI avança, torna-se cada vez mais claro que as alterações climáticas não produzirão apenas fenómenos naturais extremos, mas reorganizarão profundamente as sociedades humanas. A subida do nível do mar ameaça cidades costeiras onde vivem centenas de milhões de pessoas; secas prolongadas tornam regiões inteiras praticamente inabitáveis; e a escassez de água potável começa a redefinir o conceito de riqueza. O que antes era um recurso básico transforma-se num privilégio. Não porque a água deixe de existir, mas porque deixa de estar acessível. Relatórios sucessivos das Nações Unidas, do IPCC e da Organização Mundial da Saúde convergem numa conclusão desconfortável: o principal impacto das alterações climáticas será social e político. A erosão de costas, a salinização de aquíferos e o colapso de sistemas agrícolas não geram apenas deslocações — geram competição. Quando milhões de pessoas são forçadas a abandonar a...

A Civilização que Sabia: a Herança Tóxica do Século XX

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  (photo by: café com história) Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a humanidade entrou num período de transformação sem precedentes. A reconstrução da Europa, a expansão industrial dos Estados Unidos e, mais tarde, a globalização económica criaram aquilo a que se chama de “Grande Aceleração”. A tecnologia passou a moldar todos os aspetos da vida humana: dos eletrodomésticos às grandes indústrias, da agricultura à mobilidade, da produção de energia ao consumo em massa. O progresso parecia ilimitado e, durante décadas, acreditou-se que a natureza seria sempre capaz de acompanhar esse ritmo, e se tem coisa que devíamos saber, e eu ouvi logo nas primeiras aulas de economia, é que os recursos são limitados.   No entanto, esse desenvolvimento assentou quase exclusivamente na exploração intensiva dos recursos naturais, em especial dos combustíveis fósseis, da água doce, dos solos férteis e das florestas. Como sintetiza o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (I...

Entre números e vidas: suicídio, economia e visibilidade social em Portugal

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  (photo original pessoal_desenho criado por IA) As estatísticas sobre o suicídio têm algo de profundamente inquietante: aparentam objetividade, mas escondem sempre uma história humana que não cabe em tabelas. Não apenas a história de quem morreu, mas a história de como uma sociedade decide — ou evita — nomear determinadas mortes. Quando observamos as séries longas disponíveis para Portugal, entre 1960 e 2023, notamos uma estabilidade aparente durante décadas, com valores quase sempre abaixo dos mil óbitos anuais, seguida de uma inflexão clara a partir do início do século XXI. Essa mudança não pode ser lida como um simples aumento do fenómeno; exige, antes, uma leitura mais cuidadosa e mais honesta. Durante muito tempo, o suicídio foi um fenómeno estruturalmente subnotificado em Portugal. Razões religiosas, culturais e institucionais concorriam para a sua ocultação: o peso do catolicismo, a vergonha familiar, a necessidade de proteger o “bom nome”, a pressão informal exercida sobre...

Alta literacia não é sinónimo de responsabilidade

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  Fala-se hoje com frequência do aumento dos níveis de literacia como um sinal inequívoco de progresso civilizacional. Parte-se do princípio de que saber ler e escrever, compreender textos e concluir ciclos de escolaridade superiores conduziria naturalmente a uma sociedade mais lúcida, mais crítica e mais resistente à manipulação. No entanto, a realidade quotidiana — particularmente visível nas redes sociais e no discurso político — parece contrariar essa expectativa. Nunca houve tantos diplomados e, paradoxalmente, nunca foi tão evidente a dificuldade coletiva em distinguir informação de propaganda, argumento de slogan, verdade de conveniência. A explicação começa por um equívoco fundamental: literacia não é sinónimo de pensamento crítico. Os indicadores estatísticos medem a capacidade de compreender textos no seu sentido literal, mas não avaliam a aptidão para questionar intenções, verificar factos ou desmontar estratégias discursivas. Como lembrava Paul Ricœur, “compreender não ...

uau estou mesmo mal… (um relato patológico)

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  Estar deprimido não é pera fácil, é como uma montanha-russa, daquelas de madeira. Ora estamos a mil à hora, ora escutamos o tac-tac-tac das rodas a evoluir nos carris, e nenhuma das sensações são boas. O pico do entusiasmo, está consciente do sem fundo que vem a seguir, e quando ele se instala, esse sem fundo, vive-se uma ausência total de que vamos de novo subir – na montanha-russa, é como acreditar que o carrinho vai encravar na subida, e adeus folia, excitação, entusiasmo, … A razão por que vos falo disto, é porque mesmo a viver este estado emocional, a investigação, a procura de respostas ainda é o que me entusiasma, e por isso tenho procurado respostas. Umas das respostas que encontrei na psicologia foi a “Anhedonia” ou se preferirem o estado de “Anhedonia”, e perguntam vocês o que é isso? Vou tentar explicar do que entendi, mas relevem porque não sou psicólogo, sou sociólogo! O meu cérebro está numa fase de que trabalhos intelectuais como focar para redigir a minh...

30 Anos, não são trinta dias!

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  Fez este dia 8, trinta anos, trinta anos que nos vimos, e penso (por um acaso acho que nunca falamos sobre este ponto), que nenhum de nós pensou que realmente nos veríamos de novo, eu pelo menos não, mas ele foi à caça de mim. Trinta anos atrás na madrugada do dia 8 de dezembro de 1995, eu vivia um daqueles momentos que queremos mais é que o mundo vá para o “escambal”, mas eu meio a brincar dizia que queria que me caísse um piano de calda na tola, pois se é para partir que fosse em estilo. Vagueei pela invicta, e quando achava que nada mudaria o meu humor, (e não mudou), decidi regressar a casa, na saída de uma disco, emblemática na época, o "Swing”, estava na fila do bengaleiro uns ombros largos (tinha sido atleta de acrobática), uma pele morena e um cabelo negro, assim ao estilo cigano – eu queria que me caísse um piano de calda em cima, mas nem por isso estava cego. Nos meus pensamentos o tesão fez-me por momentos desejar muito, mas depois um daqueles anjinhos/diabinhos que n...

Resposta a um amigo sobre "idadismo" no mundo LGBTQIA+!

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  (imagem criada por IA a partir de uma foto de mim mesmo) Sim, mas não! De fato a chamada comunidade LGBTQIA+ empurra as pessoas desta nossa comunidade para padrões de beleza e juventude que não são na realidade conformes com a realidade vivida na sua maioria, diria eu! que a realidade é maioritariamente bem diferente desses padrões, como é aliás na sociedade em geral. A questão é que enquanto somos jovens não nos apercebemos disso, pois uns melhor que outros conseguimos acompanhar as tendências exigidas, e mesmo que não tenhamos enquanto jovens um comportamento discriminatório idadista, a verdade é que depois quando chegamos aqui acabamos descobrindo que, e de novo uns mais que outros, não fazemos mais parte desse padrão de “exigência”, e cabe a nós fazer o “chifte" mental de quais são as nossas prioridades no momento que vivemos, o que é que queremos mesmo nas nossas vidas. Confesso que eu na minha posição de pré-idoso (57 anos) gostaria de estar em melhor forma física cla...