Resposta a um amigo sobre "idadismo" no mundo LGBTQIA+!
Sim, mas não!
De fato a chamada comunidade LGBTQIA+ empurra as pessoas desta nossa comunidade
para padrões de beleza e juventude que não são na realidade conformes com a
realidade vivida na sua maioria, diria eu! que a realidade é maioritariamente bem
diferente desses padrões, como é aliás na sociedade em geral.
A questão é que enquanto somos jovens não nos apercebemos disso, pois uns melhor que outros conseguimos acompanhar as tendências exigidas, e mesmo que não tenhamos enquanto jovens um comportamento discriminatório idadista, a verdade é que depois quando chegamos aqui acabamos descobrindo que, e de novo uns mais que outros, não fazemos mais parte desse padrão de “exigência”, e cabe a nós fazer o “chifte" mental de quais são as nossas prioridades no momento que vivemos, o que é que queremos mesmo nas nossas vidas.
Confesso que eu na minha posição de pré-idoso (57 anos) gostaria de estar em
melhor forma física claro que sim, gostaria de ter mais energia para me engaijar
melhor com aqueles que hoje vivem o que eu vivi, mas eu com a energia deles,
mas isso não é a minha realidade, a energia mais que física, a minha energia
mental está num outro patamar, as conversas de chacha, da moda que nunca segui,
do que alegadamente é ou não “fashion” em nada me satisfaz, não me preenche,
nem mesmo me entretém, e por isso não é apenas uma questão física é mental.
Posto isto eu não
diria que o idadismo está só no outro lado, acho que ele está também do nosso
lado, porque estamos ainda a pensar (alguns de nós), da mesma forma que pensávamos,
absorvidos por padrões de beleza estereotipados, quando os podíamos de alguma
forma acompanhar esses padrões.
Alguns por ainda
não terem virado o disco para o lado B da vida, tomam todo o tipo de drogas,
mais ou menos legais, para acompanhar essa falta de transição mental da nossa
parte, numa tentativa frustrante (muitas vezes) de poder fazer parte da “manada”,
e depois acabamos a ver pessoas que conhecemos de uma vida, a morrerem com AVC’s
e outras complicações cárdeo respiratórias, consequência dessas tomas e dessas
ansiedades em que vivem.
Meu amigo,
assumamos os nossos corpos, e mais que querer virar cabeças quando caminhamos
pelas ruas da vida, pelos nossos físicos, que vejamos cabeças virar por
exteriorizarmos segurança, firmeza no nosso caminhar de cabeça erguida certos
que vivemos coisas extraordinárias, que NUNCA esta juventude viverá, no teu
caso meu amigo tu és parte de uma loucura acima, esventraste a história LGBT+ da
tua cidade e depois do teu país, sendo o primeiro, sendo o único, sendo a irreverencia
numa altura em que tudo era proibido.
Os nossos corpos,
e mais ainda a nossa massa encefálica são cofres de uma história de vida
demasiado rica para ser entendida por padrões, que hoje precisamos ter consciência
de que NUNCA foram os certos, porque nada que é imposto está certo, a minha, a
tua, as nossas vidas são demasiado diversas para sermos todos iguais.
Por isso comecei
a dizer sim, mas não.
Porque sim as pessoas LGBTQIA+ idosas sofrem de idadismo (fobia à idade) por
parte da juventude e até dos seus iguais que sendo também idosos acham que como
idosos devemos todos ser iguais, o que também não é verdade, somos tão diversos
como éramos antes no mundo real. Que não devemos almejar que se virem cabeças,
que tenhamos afetos, sexo, venham eles de que idade vierem, que claro devemos almejar na energia certa, e que claro devemos viver esses afetos, esse sexo, mas que eles não sejam cadeiras elétricas nas nossas vidas.
E não, porque
também nós precisamos de fazer essa virada, de perceber que hoje não somos mais
quer física, quer mentalmente, o que éramos, temos corpos que manifestam o
cansaço de vidas preenchidas, temos mentes que arrumam prioridades de forma bem
diferente do passado, e que isso está tudo certo, porque na verdade somos novos
nestas andanças da idade, e decerto este stress que alguns possam sentir
devem-se a isso mesmo, à novidade do “velho”, dos novos pensamentos, das novas
formas de estar, da PAZ quando ela é possível porque temos o básico para
continuar.
O idadismo sobre
nós vindo de fora só tem a força que lhe damos, da mesma forma quando nos chamavam
de bichas, o problema nunca fomos nós, mas sim quem o diz, porque sofre de uma
fobia social que não sabe controlar.
Já o idadismo de
nós para connosco, cabe a nós mesmo resolver, e isso acontece quando nos
encontramos, não somos velhos meu amigo, somos vasos preenchidos por uma vida
única, e extraordinária.
Beijo no teu
coração, cuida-te, amo tu!
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