uau estou mesmo mal… (um relato patológico)
Estar deprimido não é pera fácil, é como uma montanha-russa, daquelas de madeira. Ora estamos a mil à hora, ora escutamos o tac-tac-tac das rodas a evoluir nos carris, e nenhuma das sensações são boas.
O pico do
entusiasmo, está consciente do sem fundo que vem a seguir, e quando ele se
instala, esse sem fundo, vive-se uma ausência total de que vamos de novo subir –
na montanha-russa, é como acreditar que o carrinho vai encravar na subida, e
adeus folia, excitação, entusiasmo, …
A razão por
que vos falo disto, é porque mesmo a viver este estado emocional, a
investigação, a procura de respostas ainda é o que me entusiasma, e por isso
tenho procurado respostas.
Umas das
respostas que encontrei na psicologia foi a “Anhedonia” ou se preferirem o
estado de “Anhedonia”, e perguntam vocês o que é isso?
Vou tentar
explicar do que entendi, mas relevem porque não sou psicólogo, sou sociólogo!
O meu
cérebro está numa fase de que trabalhos intelectuais como focar para redigir a
minha tese de mestrado, são tarefas medonhas, stressam-me, e provocam uma espécie
de dispersão de foco, estou a fazer a redação da tese, mas ao mesmo tempo estou
a mil à hora em busca de outra coisa qualquer, seja o que for.
Contudo estar
a executar tarefas básicas como, arrumar coisas, ou entretido com um joguinho
básico, fazem-me ficar mais calmo, mais com a sensação de prazer, …coisas
práticas dão-me alguma sensação de prazer, ou por vezes nem o prazer de a
executar, mas do seu resultado, que surge logo depois.
Segundo o
que entendi da descrição desta patologia, esta minha falta de foco na tese (ou
outro trabalho intelectual idêntico), não representa falta de inteligência (o
marido já me tinha dito isso mesmo numa outra conversa), ou desinteresse, a descrição
fala de um bloqueio neurofuncional, isto porque a tese representa uma
recompensa adiada, enquanto que as lides práticas que falei e outras, elas
apresentam quase no imediato uma recompensa – exemplo: os livros que tenho para
vender, tive de os ver todos, selecionar categorias, agrupar por autor, e isso
fez-me “feliz”, e logo depois, o trabalho estava feito! – acreditem que quero
muito terminar a minha tese, defende-la ainda ano que vem, e assim terminar o
meu mestrado, mas não está, ou não tem sido uma tarefa fácil, os bloqueios tem
surgido em catadupa, ou antes como o pulsar eletrónico do nosso coração, por
vezes com picos muito altos, outros demasiado baixos.
Na explicação
sobre a “Anhedonia” fala de uma redução do prazer, o prazer em geral, o prazer
em fazer coisas, ou determinadas coisas, e que mesmo aquelas como as que ainda
agora descrevi, me deão algum sentimento de prazer, a verdade é que em nada se
compara ao que eu sei que sou, uma “esponja”, o tipo de pessoa que quando faz
algo absorve dela todo o prazer possível, ou então não faço. Perante este
sentimento, surge um outro, ou outros, uma espécie das “Três Moiras”, que aqui
se chamam – “culpa” pelo insucesso, por estar a pagar um ginásio que não consigo
ir por falta de animo, por não conseguir combater essa desanimo – “vergonha”,
vergonha de mim mesmo, um sentimento que no meu caso eu alio à culpa antes
descrita, essa incapacidade atroz de não conseguir, ou conseguir pela metade –
e o “desespero”, esse um sentimento super presente, e quase constante, o desespero
pela luta contra estes sentimentos que vos tenho descrito, que tantas vezes do
nada me provocam choro, ou vontade de chorar, capaz ate de sentir isso enquanto
rio de alguma coisa, e aqui neste caso o desespero é por vezes ainda maior,
porque no mesmo momento a minha cabeça grita algo do género, “estás a rir do quê?
Que tal resolveres o que te atormenta, ao invés de estares a rir com coisas fúteis”,
e aqui vem uma culpa por estar a viver um momento de alguma alegria. Sabem que
mais no resumo, é uma merda este estado psicológico.
Mas no
final de tudo isto tem uma coisa que me vai dando algum alento, o maridão nem
preciso de explicar, não fosse a existência dele na minha vida, penso que as
coisas estariam bem, dramaticamente, piores.
O que me
dá alento de mim para comim, é isto mesmo que aqui estou a fazer, num texto
para deixar ao mundo – consigo falar da coisa, consigo procurar respostas,
consigo manter-me ativo, e manter o meu cérebro ativo, seja com o que for,
aliás como dizia parte da leitura que fiz é que o simples fato de conseguir
teorizar sobre N coisas, refletir sobre outras tantas incluindo sobre mim
mesmo, mostra que a minha mente está viva e ativa (por vezes ativa demais),
sendo que explicava algures na leitura que o que está doente é o acesso ao
prazer e ao foco, não exatamente eu.
E pronto é
aqui que estamos, nunca pensei fazer isto, um desabafo pessoal do que estou a
passar, sem filtros, sem ses,… uau estou mesmo mal…

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