A cor do meu sangue é igual ao teu!
É ao som de Nina Simone
que vos escrevo hoje, sobre um assunto que de quando em vez me ocorre, a parvoíce
balbuciada por alguns ignorantes que dizem “opção sexual”, ou que acham que
assim por milagre alguém pode deixar de ser quem é, mas este balbuciado choca-me
mais quando são Estados com responsabilidade de proteger TODOS os seus concidadãos
sem exceção, sem escrutínio, sem predicados.
Este assunto
desta vez surge revoltado na minha massa encefálica quando olho o que se passa
na Ucrânia. Já passou um ano depois do início da guerra, um ano de RESISTENCIA
de um povo que vivia uma democracia, uma vida prospera, e que tudo foi
interrompido porque o azedume de um outro estadista decidiu que podia, que devia
infligir todas as sevicias a povo vizinho!
Mas perguntei-me
perante tal ignorância em pleno século XXI como vivia a Ucrânia antes da guerra
sobre as questões LGBT+, e espantem-se que eu não, desde 1991 é legal as
relações homossexuais, é OK servir as forças armadas sendo-se abertamente LGBT,
e é proibido a discriminação no emprego com base na orientação sexual e identidade de
gênero. Mas até 2016 era requerida a “esterilização ou cirurgia para
mudança “de sexo.
Este país está em guerra e muitos serão os namorados e namoradas, porque
casados não podem estar, que defendem o seu país da tirania alheia, e
pergunto-me eu, dos sobrevivos à guerra, quando do regresso da paz, mas mesmo
antes dela, porque é que estes cidadãos(ãs) estão privados de celebrar o seu
amor, quer nas relações adultas quer na adoção?
Há segundo noticias, neste momento “700.000 pessoas que estão a servir no
exército ucraniano. Algumas delas são pessoas LGBT. Essas pessoas LGBT, têm
parceiros, mas não podem de forma alguma oficializar as suas relações”, e não havendo
este vínculo oficial o companheiro(a) de uma vida perante uma qualquer fatalidade
“não poderá tomar quaisquer decisões médicas. Ou se o pior acontecer, uma
morte, se a pessoa for morta, o parceiro não terá a possibilidade legal de
tomar decisões sobre o enterro e tudo o resto”, nem mesmo reconhecer o corpo.
Estas situações complicam-se quando estes casais tem famílias com filhos,
porque o casal não pode registar os filhos em nome dos dois, se o falecido(a)
for legalmente o pai/mãe como fica a vida dessas crianças, que tem sobrevivo o
outro elemento do casal, a quem chamam pai/mãe, mas que legalmente não tem qualquer direito sobre a
prol, como trata a Ucrânia aqueles(as) que em pé de igualdade dão o corpo ás
balas?
Porque é que temos de encarar como “normal”, correto, que estes militares
LGBT+ sejam menos considerados que os demais militares? Não estão todos a lutar
pelo seu país? Será que as pessoas LGBT+ são boas para defender o país, mas o
país não é bom para as defender a elas?
A cor do sangue dos(as) militares LGBT+ é igual aos dos demais militares!
Dizia a deputada ucraniana Inna Sovsun numa entrevista à Euronews:
"Estamos numa guerra com um país altamente
homofóbico. A homofobia, hoje em dia, faz basicamente parte da ideologia
oficial russa, e penso que, na sociedade, as pessoas também começam a
aperceber-se que somos diferentes da Rússia. A Rússia é extremamente
homofóbica. Queremos ser diferentes deles".
Espero que esta guerra mais que servir para derrotar a prepotência, a
ditadura obscena de uma nação sobre outra, sirva para que um país democrático como
a Ucrânia no regresso à paz, uma paz conseguida também com o sangue e a vida
das pessoas LGBT+, reveja as suas leis constitucionais e dos diferentes códigos
no sentido de TODOS os cidadãos(ãs) o sejam de PLENO DIREITO porque nenhum Estado
rejeita o dinheiro dos impostos, o trabalho, a dedicação, o sangue e a vida
destas pessoas, então não caia este Estado, agora debaixo de guerra, na
obscenidade de na reforma do seu pais classificar os/as ucranianos como seres
de primeira e de segunda, privando-os das suas vidas plenas.
Se privados estas pessoas decidiram defender o seu país, imagine-se o que
fariam se fossem considerados por inteiro!
Uma mensagem final de solidariedade para com o povo ucraniano, para o que
todos os dias enfrentam na frente de batalha a ignorância em forma de artilharia,
para todos os que sobrevivem em condições deploráveis ás investidas sangrentas
da Rússia, e a todos os que mesmo fora do país, se tem redobrado em esforços
para que o Mundo esteja atento e tanto quanto possível consigam por termo a
esta guerra.
E uma palavra especial para TODAS as pessoas LGBT+ ucranianas que mesmo
considerados cidadãos de segunda não desistem de salvar as suas vidas, as vidas
de quem amam, o seu país.

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