A violência que não se vê, escondida num sorriso!

 



«spoiler alert»

 

Estava a conduzir, meio parado no trânsito quando a minha rádio, “Rádio Nova Era”, lança um passatempo para ir ao cinema, ver uma das películas que passou pelo festival de Cannes, falo de “Querida Alice” ou no título original “Alice Draling”

 

O filme é um soco, pontapé, apelidem como quiserem, ver retratada a violência doméstica de uma forma tão miserável, como o é toda violência gratuita, uma violência sem nodoas negras, sem sangue visível, já que o sangue está lá, acelerado nos ataques de ansiedade, de pânico, sem razão lógica para o comum dos mortais, apenas provocada pelo verbo de um crápula, subversivo, que com sorrisos, espalha o seu veneno, um veneno de ação lenta, mas absolutamente destrutivo.

 

A violência doméstica é uma realidade com diferentes dimensões, perpetrada de diferentes formas, e que todos os anos ceifam vidas, mas que também enclausuram, amarram, vidas a uma ancora tão pesada que as vitimas acham não ser capazes de sair, e acabam sucumbindo, e nós que olhamos de fora temos TODOS a OBRIGAÇÃO de estar atentos, e DENUNCIAR SEMPRE, exigindo das autoridades ação.

 

Precisamos ainda alterar as leis, precisamos que numa intervenção das autoridade e da justiça, não seja a vitima e o agregado (filhos) a sair da residência, mas sim o agressor, e a este seja de forma compulsiva subtraída renda para o sustento da família que ele agrediu, porque quando as crianças são plateia nestas agressões elas são igualmente agredidas, e mal instruídas sobre o que é, DEVE ser a vida em casal.

 

Convido todos a visionar este filme, mas a ir preparado para esse soco no estomago, para esse desconforto, que se não o sentir penso eu que devia procurar ajuda, uma vez que a violência observada, melhor, a violência sentida, é atroz, e faz sentirmo-nos desconfortáveis na cadeira, eu pessoalmente estive para sair da sala, numa das ocasiões, porque é destrutivo ver como a vitima se vitimiza e se autodestrói uma vez moldada pelo verbo do agressor.

 

Não hesite NUNCA em denunciar!

Bater, bate o relógio horas, e depois as palavras também são afiadas, e o seu gume desfere golpes que nem sempre sangram!

 


NOTA final: Já escutei o comentário de que este terá sido o papel da carreira de Anna Kendrick, contudo lamento, mas não acho. Uma interpretação muito boa, interessante, mas a meu ver longe por exemplo de um Óscar, e por isso longe de ser o papel da sua carreira. Aliás não acho nenhum dos papeis dos quatro interpretes principais digno de grande destaque, estiveram bem “but”, já o argumento, esse acho bem conseguido, intenso, digno de destaque.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

30 Anos, não são trinta dias!

Entre o Arco-Íris e o Esquecimento, num banho de Pinkwasshing

Democracia! Será que vivemos em democracia?