Difícil não estar
a par, menos ainda não ver, impossível não ficar enojado!
É esse o
sentimento, NOJO, nojo de uma instituição, nojo de um conjunto demasiado grande,
porque apenas um já seria demasiado, de comportamentos, atitudes, ações, e
respostas, as respostas então são o último prego nessa cruz que as vítimas
carregam, e ou estão pregadas, por vezes demasiadas impossibilitadas de
avançar, de sorrir com sinceridade, de abraçar sem medos, de AMAR, porque tem
crimes que são muito mais que o ato.
Nesta sociedade hipócrita,
fomos (fui) educados a olhar a igreja como o lugar imaculado, o espaço de todas
as seguranças, de todos os amparos, de todo o amor FRATERNO, mas depois tem uma
coisa chamada idade, cognitividade, a capacidade encefálica de observar algo e
pensar por nós próprios, por vezes com uma ajudinha de alguém, que vai mais à
frente e que nos diz “ e já paraste para pensar?”, e quando paramos ficamos incrédulos,
sentimo-nos estúpidos pela nossa cegueira.
Questionando alguém
recentemente disse: - Se de fato existe Deus e ele é assim tão poderoso, e tem
o seu olhar sobre as criancinhas, porque é que tem tantas internadas no IPO?
A resposta não se
fez esperar: - Deus escreve direito por linhas tortas! Deus procura testar a fé
dos pais através das crianças.
Bem que Deus mais
masoquista este, que decide sacrificar uma criança com químios, ausência da família,
dos amigos, privação de ser criança, para testar a fé de quem o pôs ao mundo, sério
que vocês acreditam nisso?
Pois eu parei de
acreditar faz tempo, mesmo muito tempo, que Deus é este que permite guerras,
que permite que quem foge da guerra morra no meio do oceano, não chegue a ser
gente e morra na praia porque o seu Deus, seja ele qual for, preferiu
eventualmente o matar na praia para apelar à humanidade por paz, auxilio,
atenção, sobre um povo que está em sofrimento, a salva-lo ou quem sabe acabar
com a guerra,…a menos que isso dê muito trabalho.
Nesse “Ponte de
vista” podemos então dizer que o terramoto na Turquia é bem feito, foi a
resposta de um desses Deuses por estes, os turcos, terem mal tratado (não foram
os únicos) os refugiados sírios, ou então porque não dá jeitinho nenhum esse juízo,
foi apenas o movimento das placas tectónicas que mais uma vez se manifestaram e
deu nisto.
Um dos clérigos
comentou que os crimes tem mais de 50 ou 60 anos, e que então não tinham a
figura jurídica que tem hoje, eram pequenos “atentados ao pudor” que se
resolviam com meia dúzia de palavras, disse-o assim mais coisa menos coisa,
desvalorizando por completo o impacto que tais abusos possam ter tido na vida
das vitimas, que teriam vamos partir do principio (não conheço a história) uns
12, 13, 14, 15 anos que seja, e que 50 anos depois estão com 65 e uma sombra na
sua vida que ficou amarfalhada algures no seu ser, castigando-o uma e outra vez
durante 50 anos, durante meio século, aquilo que o senhor padre, bispo, quem
seja, desvaloriza porque se tratava de um pequeno atentado ao pudor, representou
(representa) por meio século uma chumbeira presa no pé, bem pesada no caminho
de quem foi violentado.
Os crimes sexuais
não estou certo, mas os crimes de sangue, aka homicídios, nos EUA nunca
prescrevem, alguém que matou quando tinha 20 aninhos, e não foi detetado, pode
vir a cumprir pena quando tiver 50 anos, eu penso que o mesmo se devia passar
cá em Portugal, como se calhar no mundo.
Como também acho
que os crimes sexuais como é o caso das violações em geral, e das violações de
menores deviam figurar na nossa lei como crimes equiparados aos crimes de
sangue, e os de sangue deviam ter penas bem maiores.
A mãe de Alcindo
Monteiro, NUNCA mais o vai ver, abraçar, ralhar com ele, enquanto que os seus
alegados homicidas estão em liberdade a criar a sua prol. Os familiares de Bruno
Candé também não o aplaudem mais, e os seus filhos (3) não sabem o que é
crescer com o pai.
Agora imaginem
morrer vivo, viver acorrentado numa violação (ou várias), agora imagine-se que
o seu violador é uma figura que lhe foi ensinado a confiar, respeitar, conhecer
os seus ensinamentos e replica-los como é o caso de um padre, elemento central
de uma instituição maior.
As vitimas muitas
vezes, mesmo que funcionais, sobrevivem com medo de que se saiba, e com isso
venha a vergonha pública, com medo de voltar a acontecer e não ser capaz de
impedir, de fugir, de denunciar, seja o mesmo violentador, seja outro, muitas
vezes essas pessoas estão feridas de morte, sentem-se merecedoras de tais sevícias,
que a falta de empatia da falta de vergonha na cara chama de atentados ao
pudor.
Tive infelizmente
por um lado, felizmente por outro, a experiencia do que é conhecer e conviver
com alguém violado repetidamente não por um padre, mas por alguém que o devia proteger
e não abafar-lhe a dor enquanto o violava, …mais uma vez! E por isso pode
observar o medo estampado no rosto, os medos sociais vários, expressos em
comportamentos diários. Não são atentados ao pudor, são homicídios latejantes,
ao longo de uma vida, e acreditem não é bonita a sensação de impotência por não
sabermos o que fazer para apagar essa dor, porque ela na verdade não se apaga.
Os violadores,
sejam eles quem forem, deviam ser julgados como homicidas, e condenados exemplar
e severamente, NENHUM ser humano merece viver em medo, em sofrimento constante,
para isso já nos basta as patologias que os Deuses criaram, ou não foram eles,
pelo menos foram eles que deixaram elas existirem, …não!?
Mas num pais como
nosso (haverá outros idênticos) onde destruir património público e praguejar
sobre ele, é mais grave que violar uma criança, de nada nos serve a alegada
justiça, quando se destrói a vida de um ser inocente, …mais um!

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