O Orgulho de outros Prides!

 




Em 1995 conheci o marido em 1996 (Junho) fundávamos o primeiro site dedicado ás pessoas LGBT+ o ® PortugalGay.pt, desde aí que com esta “label” tento fazer ativismo o melhor que sei, e o mais justo que a informação reunida me permite.

 

Desde então as discussões sobre o Pride vs Orgulho foram mais que muitas. Uma e outra vez a explicação imediata de que se trata de uma tradução à letra (UK: Pride = PT: Orgulho), mas com o tempo foi preciso dar mais explicações, e para mim é a que basta, quem quiser entender entende, quem não quer, nunca quis!

 

Dia do Orgulho Gay: Orgulho porque sobreviver a um mundo onde os ismos e as fobias, perseguem de forma violenta a diferença, e mais que motivo de Orgulho, e assim além de uma boa tradução, é também uma afirmação de resistência.

Deu para entender ou está difícil?

 

- Mas não existe o dia do Orgulho hétero!

Pois não, nem me parecia muito lógico existe, seria como que um reforço desnecessário de um conjunto de manifestações socioculturais, manifestações presentes nas mais diversas formas, desde o casamento enquanto a união de duas pessoas brancas, ou duas pessoas negras, porque foi já muito para lá do meio do século XX que os casamentos inter-raciais (hoje interétnicos) foram permitidos inclusive por uma igreja que se diz de todos. Nas publicidades que só muito recentemente incluem outras formas de relacionamento. No ensino, sendo que os manuais apresentam, representam, e obrigam a uma discussão heteronormativa, branca, ocidental, capitalista, ainda hoje, século XXI, e mesmo depois de tantas conquistas e tantas mudanças legislativas, no sentido de sermos TODOS seres humanos, ponto! Desmantelando a ideia de um serem mais seres que os outros.

 

- Mas não precisam de ostentar tanto!

Será que não!? E porque não?

São mais de cinquenta anos de luta, não temos de ostentar!?, sério!, acham mesmo que devemos silenciar a nossa existência?, porquê?, acham mesmo que está tudo feito?

Está longe de estar tudo feito, e menos ainda porque a luta LGBT+ é mais que ela mesma, é uma luta que se reveste de outras inúmeras lutas que se interlaçam, numa só bandeira, são lutas anti-xenofobia, anti-étnicofobia, anti-machistas, trabalhistas, de género, anti-idadista, a luta LGBT+ é tudo isto e mais, e se olharmos em volta estas (e outras) questões, estão tão enraizadas nas estruturas sociais de todas as dimensões, que quando achamos que temos de celebrar a vitória do que quer que seja, fazemos um desvia para lamentar mais uma vitima, e reescrever a luta!

 

Dadas estas e outras explicações, continuamos, e depois fico aguardar quando olho para o outro lado da rua e vejo a ostentação (uma das traduções de possíveis de pride, menos usado mas possíveis), de um outro Pride, e sobre este parece que nada se questiona, tudo se aceita!?

 

Porque é que a minha bandeira incomoda tanta gente, sem nunca termos iniciado uma guerra, e ou matado em nosso nome, ou se preferirem, em nome de São Sebastião, tem quem diga ser o santo dos gays, um completo contrassenso, mas fazer o quê, é apenas mais um.

 


As paradas gay são uma vergonha!

E as procissões não?

As paradas gay, é só poucas vergonhas!

AS procissões parecem cada vez mais a celebração das vergonhas!

 

Temos primeiro que ir às paradas gay, para saber do que estamos a falar, porque se ficarmos com os pezinhos no sofá, e opinar com base na comunicação social, a coisa vai feder sempre, porque afinal de contas se tem gente preguiçosa são os diretores de informação, que pedem aos seus funcionários, jornalistas, fotógrafos, cameraman, para recolherem o facilmente vendável. Existe uma panóplia de pancartas, faixas e palavras de ordem numa Marcha LGBT+, mas por alguma razão a maioria dos média só captam os mais exuberantes, os mais extrovertidos,…

 

- Pois é isso tem algum jeito, essa pouca-vergonha?

Desde quando uma Drag-Queen, um Transformista, ou a expressão de alguém é vergonha? Nuns casos é arte, no outro é o ser na sua expressão única, singular, é a sua forma de se expressar.

Se isso é vergonha que dizer do sacrilégio que algumas procissões religiosas, cristãs, expressam, parece quase anedota de mau gosto recriar ás dezenas, (se não centenas) a caminhada de um alegado cristo, que sendo sagrado como dizem não devia ser “gozado”.


 

 Parece que alguém precisa de fazer uma barrela em casa, principalmente limpar os espelhos.

 

Então bora lá, embandeirar cada esquina com as “bandeiras” do albergue dos violadores, dos que por trás de uma veste, a cobro de uma instituição, decidem (ou não, porque podemos encarar o impulso como uma doença, do foro neurológico), violar as suas funções, o simbolismo que as vestes e a instituição lhes atribuem, e abusar das crianças que pensavam estar em segurança na casa de Deus.

 

De um Deus que diga-se, e a meu ver, deixa muito a desejar, uma vez que todo poderoso deixa que estas torturas aconteçam, (estas e outras), desde o inicio dos tempos da religiosidade.

 

Para não escarafunchar mais, termino com uma sugestão.

Se a casa dos criminosos pode colocar uma bandeira em cada esquina com o pretexto de celebrar a morte e ressurreição de um mártire, então as pessoas LGBT+ enquanto vitimas (mártires) de uma sociedade ignorante que em nome de um falso moralismo continua a matar, mas também enquanto indivíduos que renascemos a cada vitória, a cada dia de luta pela sobrevivência, vamos também nós colocar uma bandeira LGBT+ das muitas que nos identificam em cada esquina, e depois estejamos como fervorosos devotos da sobrevivência aos ismos e ás fobias, pressentes nas Marchas do Orgulho LGBT+ das nossas cidades e ou das cidades ao lado, e ou em tantas quantas as possíveis.

 

NOTA: olha a tua cidade, ou a cidade do lado, quando as Marchas LGBT+ 2023 vão acontecer: https://portugalgay.pt/news/010123A/portugal_calendario_de_marchas_do_orgulho_lgbt_2023


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