Os pobrezinhos, fazem falta ao sistema!

 





Usando uma foto postada no perfil de um amigo, ilustro o tema de hoje, a pobreza, esse flagelo longe de ter terminado, mais perto de ser cada vez mais presente.

 

Tenho todos os dias e cada vez mais, escutado comentários de que parece haver cada vez mais gente a viver na rua, e descansem que não é por falta de casa, é antes porque os sistema não está a conseguir sustentar-se. O que as pessoas auferem pelo seu trabalho é limitativo, e castrador, ora se paga a renda ou a prestação da casa, ou se compra alimentos, ora enchemos o depósito do nosso carro utilitário que nos permite ter mais que um emprego, ou um emprego mais longe de casa e sem transportes alternativos, ou compramos os medicamentos, ou pagamos a educação dos nossos filhos, …e poderíamos continuar por ai em diante com os “oras” possível de escolhas tantas vezes impossíveis.

 

Questionava esse meu amigo, se existia um plano para lidar com esta situação, e eu respondi:

 

Não, não existe um plano! Existe antes exercícios de ego, mas não só, que vão ajudando, ou se calhar não!

Lamento desiludir, mas do que tenho conhecimento existe uns quantos planos municipais, cada um da sua medida, e um alegado plano nacional contra a pobreza, mas e podendo ser inconveniente, nenhum destes planos pretende efetivamente acabar com a pobreza, porque todos os planozinhos pretendem dar o peixe, nenhum pretende dar a cana. Além de que, e a meu ver, não é possível acabar com a pobreza, assim como precisamos saber de que pobreza estamos a falar? Das diferenças de classe, ou da pobreza do mendigo, do sem-abrigo?

Quero dizer com pobreza de classe, a dimensão das pessoas que sobrevivem com rendimentos parcos, mas que conseguem, diria que milagrosamente, manter condições de vida “aceitáveis”, enquanto que a outra pobreza já perdeu esse esquema, e por isso vive na rua.

 

A pobreza é estrutural e movimenta milhões, vejamos um exemplo fora do nosso país, há estados dos EUA onde é proibido dar de comer aos pobres, pessoas como eu, por exemplo, não podemos comprar e ou fazer de comer em casa, e ir à rua doar alimento. Cá em PT ainda não chegamos ai, mas quem dá apoio pode ter à perna a ASAE, porque não temos os alimentos embalados, porque não usamos recipientes descartáveis (e ainda dizem que estão preocupados com a poluição), porque não temos o cabelo apanhado, ou não usamos luvas, e isto porque ainda não se lembraram de exigir licenças de solidariedade (põe-te a dar ideias).

 

A pobreza é estrutural, e começa lá atrás, nos bancos da escola, com currículos que proíbem o desenvolvimento criativo, o debate, a critica, a contestação, o esgrimir de argumentos, porque pessoas intelectualmente despertas dão problemas ao sistema, assim como pessoas intelectualmente despertas, tem mais ferramentas para enfrentar as adversidades da vida e sobreviver longe desta imagem que ilustra esta reflexão, pessoas dessas, das que usam a massa encefálica, o sistema não gosta.

 

Um outro exemplo é, durante alguns anos (poucos) houve aqui em PT, nas escolas do ciclo uma disciplina que despertava os jovens para o debate, pedia que eles fizessem os prós e os contras de diversos temas, na época, o casamento entre pessoas do mesmo sexo; o abroto; a eutanásia, e por ai em diante, …os jovens dinamizavam diferentes atividades para defender os seus projetos, essa disciplina chamava-se “Área Projeto”, que foi sutilmente descontinuada (com o ok de todos os eleitos) porque estava a formar cérebros, e nenhum sistema quer gente que pense pela sua cabeça.

 

Por tudo isto e mais que poderíamos acrescentar, a pobreza nunca vai deixar de existir, e a classe baixa, que tendencialmente lhe chamam de “classe média baixa”, funciona como abastecedora da miséria, de lá partem os que serão sem-abrigo, e para lá voltam os deixam de ser sem-abrigo, enquanto que na franja superior, um reduzido número ascende ás classes médias, enquanto um outro número que diria ser bem maior, descem à classe baixa, e destes raros casos regressam ao seu ponto de partida.

Este sobe e desce, cria consciências destorcidas, feridas com um sistema que lhes negou a manutenção da sua posição de classe nuns casos, ou os proibiu de ascender noutros. E de novo como fomos ensinados a ver o copo sempre meio vazio, tendemos a encontrar respostas que vão do crime, à dependência, e no meio o apoio ao carrasco, que surge como uma falsa centelha de luz no meio da escuridão, e usando a metáfora cristã, uma espécie de anjo mais brilhante, que na verdade não passa do mafarrico, devorador de almas.

 

No caminho da desilusão, o vicio presenteia-nos com seres humanos que se arrastam pelas sombras da cidade, que rapidamente uns quantos iluminados apontam o dedo, dizendo serem esses a culpa de todas a misérias, desviando a atenção de que quem os colocou naquela posição foi todo um sistema que descuida quem prometeu cuidar, …mas não me vou alongar mais, porque as variáveis são tantas, que talvez nem mesmo um livro se conseguiria descreve-las todas.

 

A pobreza, a miséria, é estrutural e necessária á sobrevivência de um sistema perverso e falido, o sistema sabe disso, e por isso mesmo, quando ele diz que tem um plano, esse plano é apenas a minimização do efeito, uma espécie de varrer para baixo do tapete social, mantendo assim um equilíbrio podre!

 

A pobreza NUNCA vai acabar, porque também nós, não queremos! 

(sobre esta ultima linha, poderemos falar outro dia)


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