Um passo quase maior que a perna, …mas só quase!
Já diz o velhinho, mas sempre atual (até ver) ditado que, quem tem amigos não morre na cadeia, acrescento eu, não pelo menos sozinho!
Um amigo de longa data que aqui não vou mencionar, mais
que na seja porque a quem interessa sabe, veio ao Porto em trabalho e
arranjou-me um bilhete para eu ir ver Barbara Tinoco, no SuperBock Arena,
agradecido, até porque estava sozinho e quando assim é preciso de coisas que
não sejam muito intelectuais para fazer, porque fico barata tonta, lá fui eu.
Devo antes confessar que não conhecia quase nada do reportório
da menina (sim tem apenas 24 aninhos), conhecia o nome, mais que na seja porque
no ginásio os monitores anunciavam este concerto, e uma música que ouvia e
gostava, mas não tinha a mais pequena ideia de quem a cantava, falo-vos de “antes
d’ela dizer que sim”, estão a ver o meu nível cultural ao nível musical (mas
não só).
Fiquei no entanto agradavelmente satisfeito, a jovem é
detentora de um tom vocal que me entra fácil no ouvido, é melodioso, e até partilhei
com esse amigo que ela devia experimentar fazer fado cantado, (chamo-lhe assim,
não tenho ideia) algo do género que a Amália fez com “senhor extraterrestre” (https://www.youtube.com/watch?v=M1QaxjBDHjc)
, isto porque em determinados momentos escutou-se do seu aparelho vocal
determinados tons que a meu ver, me inspiraram esse tipo de fado.
Mas nada é perfeito, quando queremos por vezes dar um
passo maior que a perna, é pelo menos essa a minha interpretação, daquilo que
vi.
Um cenário que nos inspiraria um carrossel, com uns insufláveis
equinos, e por isso mesmo um palco 360, que Tinoco soube muito bem ocupar é
verdade, mas meu amor andar de balancé só porque sim não me pareceu muito adequado,
porque a menina não tinha qualquer domínio sobre a direção para onde ficaria
virada, e parecendo que não num palco 360 eu penso que deveria ter um
assistente com um pequeno cordel a faria rodar calmamente para todas as
direções, ou se preferir existem robôs que fazem isso pelo assistente, que
poderia comandar desta forma à distância, ainda ir andar de baloiço com uma
guitarra no regaço sem lhe dar uso, também não me pareceu muito estético.
E por falar em guitarra! Quando a menina se fez
ornamentar com o referido instrumento eu por instantes fiquei a acreditar que
estava a perder muito por não conhecer o seu trabalho, só que não, porque o que
pode agilizar nas cordas do dito, parecia uma tímida prova de final do primeiro
ano de aprendizagem sobre como tocar uma guitarra, e se assim é penso que não, não
fica bonito, mais que na seja porque ou sabe a pouco e ou parece que estamos a
encher chouriços, ou talvez as duas coisas.
O próprio ato de se baloiçar teria muito mais impacto se o
resto da estrutura luminotécnica não se baloiçasse consigo, assim fica um misto,
de que giro a Tinoco ali de um lado para o outro, com é agora que a casa vai
abaixo.
Um último pormenor que talvez seja melhor repensar, foi
aquela “coreografia” interpretada pelos elementos da banda e cia. Assim, se era
para ter piada, eu estava do lado certo, porque um dos elementos da banda (João
Rato) fê-lo de fato com graça, agora se tinha a pretensão de ser uma
coreografia bem executada, …nnaaaaa, …por isso penso que ou a malta ensaia a
coisa para a levar a sério, ou contrata-se uns bailarinos(as) para esse, e se
calhar numa reorganização possível, outros momentos.
Mas como digo antes, foi só um passo QUASE maior que a
perna.
Houve momentos de alguma beleza, dois pelo menos um a pedido
com a música “Cidade”, e o outro mais espontâneo, onde um pavilhão quase a
completo, se fez iluminar com os ledes dos teleles, (nada de isqueiros que
malta precisa de lume para acender o velhinho cigarro) dando à sala e ao
concerto uma atmosfera mais intimista, assim mais “cozy” como o norte ainda vai
conseguindo.
Houve ainda o momento em que Tinoco canta em russo, penso
que não foi uma boa escolha nesta altura do campeonato, tá bem que o teu bichinho
é russo, mas …estarem os dois numa conversadeira, foi giro, mas penso que
faltou qualquer coisa, confesso que não sei o quê, talvez a cadeira conversadeira
estar sobre um estrado que roda-se, e apenas houvesse luz sobre vocês teria ficado
melhor.
Parabéns pela contracena com Bispo e Carolina Deslandes, de fato dois artistas acarinhados pelo público, não conheço nada de Bispo, ou talvez conheça da rádio mas na tenho ideia de ser ele, mas da Carolina conheço alguma coisa, e vocês a duas ficam perfeitas com dois tons que se equilibram, um mais agudo outro mais grave, foi um momento entre vocês duas que se notou uma doce cumplicidade .
Uma nota final ainda sobre o espetáculo. O som e ou, a dicção,
houve momentos de não se ouvir corretamente o que estava a ser cantado, verdade
que um concerto ao vivo tem as suas limitações acústicas, mas tanto deixa um amargo
no ouvido. Além de que houve momentos que talvez por nervosismo ou ansiedade,
Barbara Tinoco não terminou efetivamente a frase.
Termino com um abraço ao meu amigo, um abraço de
agradecimento por uma noite melodiosa e aqui para nós muito bem acompanhado,
não só pela ternura de pai e filha, (duas pessoas que ficaram sentadas ao meu
lado), mas pela pica que o paizinho me deu, que coisa mai linda.
Votos de sucessos para todos os intervenientes das vozes
aos músicos e restante equipa.


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