A desgraça enfeita-se com uma manta de retalhos.

 

                                                                                (photo: Memórias do Mar)


Vivemos num mundo, mais que um país, onde em nome da tolerância, compreensão, paz, entre outros pequenos “se não”, deixamos passar demasiadas coisas, situações que nos invadem o dia-a-dia, e que achamos pequenas, talvez insignificantes, contudo essas pequenas coisas, situações, são retalhos de uma manta densa e pesada.

 

Carros estacionados em curvas ou imediatamente antes das passadeiras e ou até em cima delas, (art.49 – código da estrada), porque são só 5min., da vida de alguém que embora não se sinta um criminoso o é, com o seu estacionamento e a conivência das autoridades, embacia o caminho de outras viaturas que surgem ás cegas para ceifar vidas, mas enquanto isso não acontece não passa de um retalho.

 

Os “perros” a vaguear soltos na via, no espaço público, também é proibido (DL 314/2003), mas enquanto o cão não se atravessa na frente de qualquer veiculo e provoca um acidente, enquanto não derruba um idoso ou uma criança, por agressão e ou brincadeira, nenhuma autoridade formal e ou informal vai intervir, aplicar coimas ou qualquer outro tipo de penalidade pelo incumprimento da lei, e assim vamos cosendo retalhos do “não é preciso”, “são só 5min.”, “não há necessidade”, uma espécie de “break Windows” até a casa vir abaixo.

 

É como as vítimas de violência doméstica, que muitas vezes só reconhecem que são alvo de agressões no dia em que entram numa urgência de um hospital, e demasiadas vezes até aí, justificam as negras, o queimado, os vermelhões, o sangue, com desculpas de criança de 5 anos, que é como quem diz, com desculpas esfarrapadas, afinal de contas elas tem de voltar para casa, para a masmorra onde o agressor é carrasco e senhor. E porque a lei vigente premeia o carrasco e castiga duplamente a vítima, vamos construindo retalhos manchados de sangue, na construção dessa manta pesada da vergonha humana.

 

Uma sociedade alegadamente civilizada, rege-se por um conjunto de regras, códigos, leis, que cumpridas servem a TODOS de igual forma, providenciando a TODOS uma convivência harmoniosa.

É no seu INCUMPRIMENTO que encontramos os delinquentes, alguns hospitalizados, vítimas de vários tipos, …MORTOS!

 

Um conjunto de facilitismos entre tantos outros que todos os dias com maior e ou menor percentagem vão desde dificultar os movimentos de milhares de indivíduos, exibem menos conscientes ou mesmo inconscientes, provocam estragos vários, e em último caso a MORTE. 

Vestimos com um manto de retalhos que diferentes entidades e indivíduos que foram juntando para disfarçar a Morte, que serena vai arrastando esse manto pela vida de demasiadas pessoas.


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