Já fui censurado, mal-entendido, adjetivado, mas mesmo
assim mantenho a minha posição, enquanto pessoa homossexual poderei
eventualmente faltar a uma Marcha do Orgulho, mas de tudo farei para NUNCA
faltar à Marcha do 25 de Abril, e quem quiser entender, entenderá, quem não,
quer não tenho tempo para desfiar verbos.
Dito isto, lá estive mais uma vez na Marcha do 25 de Abril,
a de 2023, desde a pide onde cheguei cedinho, (desta vez), partiu uma vez mais
esta “magnifica” manifestação e celebração de Abril, da LIBERDADE!
Confesso que por vezes me sinto quase compelido a gritar “PAREM”,
quando alguns bem intencionados (espero eu), e até com uma mensagem
interessante, não tem consciência de que, passados 15min de um tom monocórdico ninguém
ouve, e a maioria está deserta que acabe para bater palmas e seguir em frente.
Gente se tem uma mensagem a transmitir ela não pode ter mais que uma página, no
máximo página e meia, e tem que ter pontos altos, expressos por tons
exacerbados ou até gritos, caso contrário parecem mais a leitura de um
testamento. Assim o jovem que abriu as hostilidades tinha uma excelente dicção,
já o mesmo não se pode dizer de quem se lhe seguiu, cujo o anuncio num manif
como esta já o senti desajustado, que me interessa a tua formação se estás a
subir ao palco do povo, mas pronto isso sou eu!
Uma vez mais as ausências e as presenças, que senti.
25 de Abril, é mais que uma revolução, representa o
desamarrar de um povo oprimido por quase meio século, por uma ditadura fascista,
criminosa, como muitas que ainda hoje existem um pouco à volta do mundo, como
opressores são todos os regimes que no seu ceio ou por meio da guerra oprime
outros povos.
Que quero com este discurso dizer? Faltou como tem faltado
as associações que representam por exemplo refugiados, que representam imigrantes,
que representam alegadas minorias, e quando digo faltaram como tem faltado ano
após ano, é faltaram de forma organizada e visível, com uma faixa, bandeiras, pancartas,
porque uma bandeira aqui e ali, uma pancarta perdida no meio da multidão não é
a meu ver uma representação, é apenas um grito individual que quando muito se
manifesta pelos amigos e família, mas não por um grupo social inteiro.
Disse-me alguém, não interessa quem, que a sua associação
decidiu não ir, porque seria uma coisa nossa, uma coisa tuga, que entendiam,
mas…
Fiquei atónito com a pobreza do pensamento, então as
pessoas que integram a associação fugiram para Portugal porque aqui podem ser
livres, e sentirem-se libres da opressão que sentem no seu país, mas depois
acham que este dia nada tem a ver com elas, sério!?
Para quem não entende a minha posição de prioridade sobre
este dia e Marcha, deixem que vos diga uma coisa, NÃO HÁ DIREITOS PARA AS PESSOAS
COMO EU (e todas as demais que faço por representar o melhor que sei e posso) SE NÃO HOUVER LIBERDADE! Dito
isto espanta-me desde sempre que neste dia não haja uma Marcha dentro da
Marcha, as fantásticas milhares de pessoas que celebram a luta pelos direitos
LGBT+ todos os anos eu esperava-as ver em igual volume nesta Marcha, mais que
não seja porque esta revolução nos foi negada, e levamos trinta anos (mais
coisa menos coisa) para sermos pessoas de pleno direito e gritar que a
LIBERDADE TAMBÈM NOS TOCA!
Como senti falta de todo um grupo organizado de pessoas brasileiras, que fugiram do seu pais aos milhares, para a Europa, muitas vivem no nosso país, e fazem questão de nas redes sociais expressar o quanto se sentem livres e seguras, mas que neste dia, eventualmente a praia estaria mais convidativa.
Senti falta de uma maior representação da PSP que no inicio tinha uma mancha interessante
mas que parece que de ano para ano preferem ir para os copos!
- JP da PSP, que desejo...!?
Sim porque não há liberdade sem regras, e não há regras sem as instituições que as fazem cumprir. Tem muita coisa errada no ceio das força de segurança? Tem sim e são algumas delas severamente graves, mas estas forças tem também como tantas outras entidades ali presentes necessidade de gritar LIBERDADE, porque ninguém é livre numa sociedade que mal trata as suas forças de segurança, e as nossas não só sofrem com condições degradantes de laboração ao nível do alojamento, fardamento, viaturas, mas também de vencimentos, um dia poderemos falar sobre isso.
O meu coração bateu mais forte quando no meio daquela gente toda vi uma bandeira cigana, ao mesmo tempo que senti tristeza de ver apenas uma. Conheço e dou-me com algumas pessoas ciganas de norte a sul do país, sei pela história de vida do meu pai, que esta comunidade era onde residia alguns dos seus melhores amigos.
- JP os ciganos, sério!? Cambada de malandros, gente que vive subsidiada!
Será? Quantos vivem nessa condição? Comparado com a comunidade não cigana, será significativo esse número para estares tão incomodado?
- É malta ligada à delinquência?
Sim, alguns eles e quantos mais não ciganos, conhecemos alguns que se fazem movimentar de chauffeur que sozinhos roubaram mais que todos os ciganos juntos.
Já agora, porque é que tens essa postura perante toda uma comunidade cigana por causa de um punhado de elementos dessa comunidade, e não tens igual postura com a sociedade da qual fazes parte por causa de outro punhado de delinquentes?
"Povos livres, lembrai-vos desta máxima:
A liberdade pode ser conquistada, mas nunca recuperada."
(Jean-Jacques Rousseau)
Não vou continuar essa discussão, delinquência é um mal existente em todas as comunidades, por isso em todas as sociedades, um mal que deve ser combatido sim, mas de igual forma, peremptoriamente, sem distinção de etnia, classe social, ou outra, um criminoso, um delinquente é-lo venha de onde vier, vista o que vestir, tenha a posição social que tiver.... é por isso que sou contra a imunidade parlamentar.
Mas nem tudo foi mau na Marcha do 25 de Abril de 2023, o número de juventude presente encheu-me de esperança, fez-me acreditar que haverá um amanhã LIVRE, que desejo seja uma LIBERDADE sem "Mas!", onde as regras de um, sejam as regras de todos, e dessa forma possamos viver em paz e harmonia, transferindo esse sentimento, essa realidade a outras sociedades.
Ainda, esta juventude foi extraordinária na sua presença, pois não precisaram de carros alegóricos, enfeitados com colunas ou altifalantes geridos por uma voz, que pouco arrancava da garganta de quem os seguia, esta juventude sabia o verbo de cor e, gritava-o de pleno pulmão.
Mas confesso que ainda estamos longe do que gostaria de ver. As artérias da cidade repletas de pessoas a Marchar pela LIBERDADE garantindo que fascismo NUNCA MAIS, e confluírem todos nos Aliados, e nas praças e avenidas centrais das nossas cidades, porque a verdade é só uma, quando e se nos subverterem esta condição, esse vazio será sentido por todos ou por uma vastíssima maioria, e não apenas por alguns, seremos de novo escravos dos carrascos que no dia 25 de Abril de 1974, mesmo que pacificamente, enterramos, e acreditem ou não eles andam aí.
"Somos indivíduos livres e nossa liberdade nos condena a tomarmos decisões durante toda a nossa vida. Não existem valores ou regras eternas, a partir das quais podemos no guiar. E isto torna mais importantes nossas decisões, nossas escolhas."
(Jean-Paul Sartre)
Esperemos nunca venhamos a chorar pelas decisões que tomamos hoje, crentes de que não para nós, já não faz sentido, porque se isso acontecer, as lágrimas de arrependimento estarão misturadas com as do acoite!
Disse!
Comentários
Enviar um comentário