Uma imagem vale mais que um milhão de palavras!

 



No passado domingo fui ao casamento de uma amiga, que junta a essa posição a de camarada de lutas, que atravessam diferentes nomenclaturas e estruturas cada vez mais babilónias, e ou se preferirem, em permanente reconstrução, tantas são as anomalias dessas.

 

Um casamento é por si só um momento alto, pelo menos é assim eu o vejo, na vida de quem casa, (assim espero), mas também desejo seja, um momento de imensa alegria, e partilha de AMOR de quem assiste de quem é convidado (e não só), porque os casamentos são isso, a união de quem se ama, que num ato público quer partilhar esse amor com amigos e conhecidos, uns convidados outros nem por isso, mas que não deixa de haver esse sentimento de partilha, não é por acaso que o casamento é um ato público.

 

Contudo e desengane-se quem assim não pensa, o casamento é também um ato político. Que o digam as mulheres e homens obrigados a casar com quem os seus pais decidiam (1), que vos relatem os casamentos inter-raciais (agora interétnicos) (2), que vos gritem os casamentos do mesmo sexo (3)… que histórias teriam essas pessoas para vos contar.

 

(1(1)  Os casamentos de propriedades, mais que de pessoas, onde se inclui a mulher, que em demasiados casos era deixada em casa abandonada, mulheres mal amadas, e abusadas no silêncio da hipocrisia de um casamento próspero, porque os filhos da violação se agitavam pelos corredores da vida.

 

(2(2)  Os casamentos interétnicos, proibidos, acoitados quando descobertos, manchando o amor de sangue e lágrimas. A discriminação do olhar, do murmúrio, do grito, da porta batida na cara, mais que dos nubentes, no rosto frágil da sua prol, porque a ignorância e a hipocrisia não colocava no pacote das criancinhas a proteger estas, as que o tom da pele tinha pouco de branco e pouco tinha de negro, onde esse pouco das duas lhes escurecia o caminho da vida em sociedade.

 

 

(3(3)  Os amores proibidos, perseguidos, abusados, acoitados, aprisionados, as vidas clandestinas de amores que por verdadeiros resistiram aos tempos, e à brutalidade do asco ignorante da hipocrisia, de “policias” gente de vidas duplas que perseguiam quem remava contra a corrente. Resistimos certos que a vida mesmo repleta de farpas, golpes, de constantes feridas, vale mais que a vida de uma mentira a que uns chama sobrevivência, e eu chamo prisão, grilhões que nos impedem de caminhar no sentido da felicidade,…

 

Com orgulho faço parte desse grupo que enfrentou o azedo da vida de quem acha que pode ditar sobre a vida dos demais, e juntos, eu e mais, muitos mais, mesmo muitos mais, ajudamos a fazer esse caminho, a cortar esse mato do preconceito, que levou à alteração da lei, e que permitiu o meu, de muitos desconhecidos e desconhecidas, e este domingo o casamento da minha amiga.

 

Por isso o titulo deste meu texto, porque a imagem que partilho convosco dos ramos das minhas amigas em riste dizem, gritam, muito mais, e bem alto que um milhão de palavras, é pelo menos para mim um state-ment de um poder extraordinário, fantástico, sensacional.

E sendo no punho da minha amiga Cristina esse berro tem significado especial, ...estudiosa das questões que sendo sociais envolvem vidas, vidas que se escrevem e pintam com um vastíssimo oceano de verbos, e numa paleta de cores onde as junções são infinitas. Sendo no punho da minha (nossa) amiga, aquela que entre tantas lutas agitou as águas quando trouxe a Portugal no momento certo o chamado barco do amor, “Women on Waves”, aquele punho, aqueles ramos em riste tem o poder de uma bandeira, de uma palavra de ordem gritada até ao infinito e mais além.

 

Por isso e para não variar voltei a chorar, esta mulher tem essa proeza, porque nas palavras ditas, e nos sorrisos e beijos, e nos ramos que brotam entre os convivas, eu vivi memórias, lutas várias, e revi rostos, alguns desses rostos das almas que sempre me acompanham, e que ao meu lado choraram comigo, aplaudiram comigo, e me segredaram ao ouvido “valeu a pena!”, e eu retorqui, "Vale a Pena".

 

A vocês minhas amigas que agora se chamam de esposas uma da outra, desejo o mundo, e um mundo cheio de AMOR e felicidade, e muitas conquistas de todos os tamanhos, e como digo a todos, se não conseguirem ser mais felizes do que eu que sejam pelo menos tanto quanto eu.

 

Auguri!


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