A VIDA… que sentido lhe damos?

 


                                                                (fonte: FaceBook)

 

A vida é um bem extremamente precioso, dizem, acrescentam mesmo que com ela não se deve brincar, embora nela brinquemos, uns mais que outros, e é por isso que tem coisas que a mim (cada um é livre de fazer o que entender), tem coisas com as quais não se brinca, uma delas é com a VIDA no seu sentido mais vasto.

 

Para chegar onde quero, vou ter que dar uma volta, e falar de quem faz profissão brincar com a própria vida. Desde as formas (des)controladas de programas como “Jackass”, onde uma quantidade de indivíduos executam guiões repletos de riscos para a sua saúde física e para a própria vida, aos macacos de imitação que povoam os canais de vídeo com as seus próprios atentados à vida, no entanto uns e outros tem diferenças, já que nos primeiros existe uma equipa de serviços clínicos em prontidão para tentar reverter situações que corram menos bem, já os segundos …isso mesmo!

 

                                                        (phpto by: Extra online - Globo)

No entanto uns e outros para mim não são assim tão diferentes, ambos com as suas ações colocam em risco as suas vidas, e ambos com as suas publicações incentivam outros a fazer o mesmo porque por um lado não temos gente bem formada, temos cada vez mais gente carente de atenção, e uma vasta maioria do mundo desprovido do sentido do perigo, em todas as dimensões, e da realidade, as pessoas vivem agarradas a short movies com nomes acriançados, e outros, onde o que ali vêm lhes parece ser possível replicar para depois postarem e receberem como os demais atenção em forma de LIKES que mais não são que segundos de uma risada, de um “autch”, enquanto clicamos e pronto já nunca mais sabemos de ti.

 

A vida não é um tick, tock, nem uns segundos de um qualquer vídeo, porque fica de fora dos LIKES e dos LOVES aqueles que perderam a vida, e ou perderam para sempre qualidade de vida, obrigando-os a reinventarem-se e encontrar outras formas de estarem na vida locomovidos por uma qualquer estrutura inventada pelo ser humano para ajudar quem não consegue fazer uso pleno do seu corpo.

 

Contudo desengane-se quem acha que apenas quem faz parte do Jackass ou anda em cima de comboios ou a saltar no topo dos prédios, são os únicos a arriscar a vida, porque todos os dias nas estradas do mundo tem quem descuide o respeito por si e pelos outros e carregue mais no acelerador que aquilo que devia e ou lhe é permitido por lei, ceifando vidas, destruindo vidas, e a sua própria, muitas das vezes.

 


Tudo isto para vos dizer que até concordei que se tenham concebido discursos acompanhados de fotos que reclamavam justiça social, comparando as milhares de pessoas que tentaram atravessar o mediterrâneo fugidas de uma guerra e da fome, e que perderam essa batalha, tendo sidas engolidas por esse mar imenso. Não posso afirmar as comparações feitas quanto aos gastos envolvidos numa e noutra situações, porque não sei dos valores, mas sei que custa muitos milhares (de certo milhões) ter vasos de guerra e outras embarcações, além da força humana usada no resgate do migrantes, e por isso não sei se financeiramente a comparação é justa.


   (photo by: AbrilAbril)

Mas o mesmo não digo sobre a questão moral e de justiça, que um e outro caso merece.

Pareceu-me que o mundo ficou mais abalado com uma cápsula submergível que se perdeu com cinco pessoas a bordo, do que com as milhares de vidas, muitas delas crianças, que se perderam (e se perdem) na travessia do mediterrâneo e ou em outras fugas de conflitos e ou da fome. Somália que nos anos 80 levou Bono Vox a escrever e cantar uma música para ver se o mundo dava atenção ao que se estava a passar, não acabou, não foram uns quantos contentores de comida que salvaram a Somália, o país continua a morrer de fome também neste século.

 


                                                         

A vida é mesmo uma preciosidade que nos é dada por vezes (demasiadas vezes) sem calculo do risco que é colocar um ser no mundo, um mundo que a cada dia está mais moribundo a vários níveis e, cada nível a várias dimensões. As críticas sobre a cápsula que levou com ela cinco vidas, tem sido desapreciada porque nela navegavam pessoas abastadas, e por isso a resposta que se cola é “ninguém os mandou”. Num número de humor alguém falava do sentido da vida das pessoas que iam na cápsula e das pessoas que sobrevivem todos os dias com rendas miseráveis, e dizia, a meu ver bem, que a vida daquelas pessoas abastadas chega por vezes a um limite que a adrenalina só é conseguida quando se expõem a situações de risco, mesmo que esse risco seja calculado e ou menor, essas pessoas dizem “tem tudo na vida”, mas eu deixo a questão será que tem?

Será que a vida dos pobres é mais interessante porque estão em constante corrida por objetivos, diários e a médio e longo prazo, também não sei, deixo a reflexão, não será também para essas pessoas exaustiva essa permanente corrida, atenção, desespero, ansiedade?

E não será nos dois casos que atenção, desespero, ansiedade, mesmo que em diferentes dimensões, cansativo, motivo de exaustam, motivo de muitas vezes colocar a vida em risco, ou colocar fim à vida?

Assim eu pessoalmente não acho piada a esta imagem, ricos ou pobres, perderam-se cinco vidas, e com a VIDA, dizem, não se deve brincar!




Critiquemos a atenção e o dinheiro gasto, SIM, mas como disse a meu ver não brinquemos com as vidas perdidas, nem destas cinco pessoas nem com os milhares que todos os dias morrem porque o ser humano desvaloriza a vida das pessoas (e os políticos as que diz representar), essas vidas são apenas números, LIKES, momentos efêmeras nas redes sociais, (ou votos, fontes de rendimento, exemplos de discursos retóricos) …não são vidas de fato, não são pessoas, são outra coisa qualquer.


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