Chegou as férias, que bom! Só que não!
Chegou a época do ano que acreditem me tira do sério, o que menos aprecio são as festividades natalícias e outras religiosas, mas esta, a do verão, e das férias em massa, bem…tiram-me do sério!
Quando começaram as férias? Na passada sexta-feira!
E como sei? Porque quando fui com o maridão, ao hipermercado
numa hora que por norma está meio que às moscas, apercebi-me que o espaço
estava invulgarmente povoado, de todas as idades, verdade que uma maioria de “teens”,
acompanhados ou não, por alguns com idade para terem juízo, postura, saber
estar, e já agora frear as rédeas daqueles “teens” que acompanham, mas esqueçam
lá esta minha ideia, porque o freio estava solto em todas as direções.
Um grande número de pessoas, proletariado ou não, quando
entra de férias parece que funcionam como se tivessem mandado os filtros para a
limpeza, e enquanto aguardam o regresso dos mesmos, já limpinhos (apenas um
desejo), vivem de escape livre, produzindo um ruido ensurdecedor, e ocupando
mais espaço que aquele que seria de esperar.
Então os “teens” é um desvario total, …estão a ver aqueles
cães que parecem ligados á tomada, que quando se apanham sem trela parece que
andam a fazer os 1000mts obstáculos, estes “teens” é a mesma coisa, chegam as
férias e a rédea fica tão solta que em alguns casos, só lhes falta baixar as
calças e pinar na praça da alimentação de qualquer shopping, ou que os
supermercados são as despensas deles, e por isso podem comer de tudo, e sair
sem pagar.
E se pensam que estou a falar de malta com menos privilégio,
estão enganados, é de um lado e do outro. Verdade que as explicações teóricas
para este comportamento são e ou podem ser mais que muitas, desde a tentativa
de afirmação pelo choque, à afirmação pela rebeldia, e estes comportamentos nem
género têm, uma vez que poderemos numa observação casual observar mais indivíduos
do género masculino, a verdade é que o género oposto não está longe de igualar
o fenómeno.
Estes dias estava num shopping aguardar a minha vez para
um atendimento específico, e um grupo de “teens” do género masculino deslocava-se
calmamente pelo átrio do shopping, soltando de quando em vez um grito, um
berro, bastante audível, que indicaria algum stress. Parece que alguém falou
alguma coisa e o “menino” reagiu como a lei lhe permite, “estas a falar com
quem!?”, retorquiu a “criança”. Se vivêssemos num país como Espanha ou Irlanda,
na época da ETA ou do IRA, se calhar as crianças entendiam o que é viver em
sobressalto, e não brincavam com coisas sérias, mas isto é Portugal né, que
interessa!?
A questão é que de fato enchemos o nosso plano jurídico com
efes e erres no sentido de proteger as “criancinhas” de tal forma que, a meu
ver, caímos no exagero, e hoje as “criancinhas” de todas as idades são intocáveis,
permitindo o cultivo daquilo que Hernani Carvalho classifica na suas intervenções
de “broken Windows”, seja, o menino partiu o vidro, foi porque é criança, o pai
paga, o seguro, e pronto está tudo certo, e de vidro partido, em vidro partido,
sem consequências de nenhum nível para a “criança” estamos a cultiva, a criar
delinquentes, que só não o serão porque em alguns casos (felizmente muitos) com
a idade surgem os filtros, com maior ou menor crivo.
Se as “crianças” de todas as idades são um stress, os
adultos são uma praga, são ainda mais “crianças” que os primeiros, se bem que
estes representam um nível bem mais preocupante de potencial que as coisas
correm menos bem, se bem que para uma pessoa como eu que não vê noticias as
duas últimas que soube foi de “teens” que esfaquearam os seus alegados amigos,
(consequência dos tais “broken Windows”), já não sei quem é de verdade mais
perigoso. Já para não dizer que são estes “adultos” que depois se sentem muito
chocados com a guerra na Ucrânia,…sério!?
Os adultos ocupam lugares para veículos de mães grávidas,
deficientes, e acham que tem direito porque não estão para correr mais o
parque, e depois estes lugares estão mesmo ali na entrada. Ocupam os corredores
como se estivessem em casa, e destratam funcionarias porque acham que daquilo
sabem eles, e para não haver erro, procedem desta forma na frente dos seus
belos rebentos, afinal temos de dar educação à criançada que está em formação. A
parte boa é que por vezes, vê-se nesses rebentos caras de embaraço pelo fato de
os seus progenitores estarem a ter comportamentos impróprios e desrespeitosos
para com outras pessoas.
Gosto particularmente quando escutamos por parte destes
paizinhos/mãezinhas a expressão opressiva de “eu estou a pagar, por isso…”, oh
sua besta quadrada, por isso nada, existem regras de funcionamento, quando
essas regras não são satisfeitas podemos reclamar (devemos) usando os meios
legais para o efeito (caso não saibam podem reclamar via NET - https://www.livroreclamacoes.pt/Inicio/
- não precisam de pedir o livro de reclamações, mas podem e devem munirem-se do
maior número de dados sobre a reclamação), agora não podemos só porque pagamos
(apenas um dever sobre qualquer transação comercial), alterar as regras de uma
casa que não é nossa. Em último caso se não gosta, vá embora, e não volte!
Mas não, armam a maior peixeirada, armam-se em pobres com
dinheiro, e com tempo, afinal estão de férias, e daqui a dias vão todos para Benidorm
ou para as Seicheles, sim porque também aqui a classe social não tem peso no
comportamento, ricos, novos-ricos, classe média e mais, nas férias tendem a
empobrecer (se calhar sempre foram “pobres”) espiritualmente ou intelectualmente,
de preferirem.
Por tudo isto eu odeio a época de férias, por isso aqui
fica algumas sugestões minhas para aqueles que como eu sofrem com esta pobreza
franciscana de espírito, de saber estar, de respeito.
Compras sejam elas onde forem, façam por estar ao abrir
das lojas, sejam objetivos, levem listas de compras, porque além de pouparem dinheiro,
poupam tempo, e incómodos de maior, incluindo transito e estacionamento.
Idas para o campo ou a praia, vá cedo, regresse também
cedo ou ainda mais tarde que a maioria, lembre que às 20hrs ainda é dia. Procure
spots menos concorridos, e acima de tudo evite sair de casa ao fim de semana,
porque então o conflito aí é bem maior!
Porquê?
Porque as pessoas que ainda estão a trabalhar,
encontram-se desesperadas pelas férias, mas vivem os finais de semana como se
já estivessem nessa pausa tão desejada com os que já estão de férias, mas
p..tas da vida porque segunda-feira tem de voltar ao trabalho, e perante a
menor faísca este fuel da frustração entra em ignição e tcharaaaamm!
Mas não estamos apenas aí! Sabem porque é que as pessoas
quando terminam as férias dizem que precisavam de férias para descansar das férias?
Porque durante o período de férias estiveram demasiado ocupadas
no palco a fazer show para quem as quis ver, a esbanjar condições que na
verdade a grande maioria não tem. Ocupada em mostrar aos outros, mais que a usufruírem
de espaços e atividades que deviam ser suas, para seu belo prazer, e que se por
um acaso alguém visse era porque estavam por perto, não porque quisemos ir onde
todos vão para verem que também fomos, ou porque postamos desenfreados nas
redes sociais todas, e ao minuto, para quando chegarmos a casa encontrarmos a
casa vazia, porque havia quem estivesse atento ao calendário devidamente
publicitado dos residentes.
- Ai JP estás de férias nos EUA?
- Nada disso, estamos em casa! Já estivemos.
- Mas estás a postar fotos das férias agora, porque não
postaste quando estavas lá?
Quantas vezes já tive esta conversa com pessoas amigas ou
conhecidas, e a razão que lhes explico é a mesma que aqui partilho.
O desespero de mostrar que estão de férias num qualquer
açougue turístico é tanto que a malta se apressa a postar todas as fotos do dia
e ao minuto, da comida aos tralhos na piscina, dos escaldões às cenas de um
filme chamado álcool a mais, as redes sociais são uma festa de anúncios de casas
vazias, disponíveis, para os amigos do alheio, e quando as coisas acontecem
ficam muito surpresos, e até comentam algumas vezes, (- Até parece que estavam
á espreita para saber que íamos de férias),… LOL, gente eles estavam era mais à
espera que vocês mesmos lhes lançassem o convite para visitarem a vossa casa enquanto
estavam vocês de férias.
Assim e para vosso bem vivam mais para vocês, partilhem
felicidade quando estiverem de volta a casa, temos tempo. Durante as férias
partilhem alguma coisa, notícias por exemplo, ou paisagens, para dar uma ideia
de manutenção de hábitos, talvez mais vagos porque estamos de férias e por isso
mais relaxados, mas publicamente NUNCA digam onde estão, não falem de vós.
Consultem o site o MAI antes de irem de férias e vejam as
opções que dispõem para segurança dos vossos e do que é vosso,( https://veraoseguro.mai.gov.pt/Pages/Home.aspx).
Gente boa, as férias é para serem VIVIDAS, não exibidas,
levem os vossos rebentos a locais que não podem levar durante o ano, eduquem, deão
passeios em família, disfrutem da natureza, ide á praia de manhã e ou depois
das 15hrs, evitem aglomerados, demasiadas pessoas juntas, com calor e álcool à
mistura pode ter como resultado milhões de hipóteses de as coisas correrem
menos bem. Planeiem, descubram coisas novas para as vossas rotinas, e mantenham
o respeito SEMPRE necessário na sociabilização, não custa, é de borla, e um
sorriso abre sempre portas mais simpáticas.
O mundo acaba amanhã, mas não será por isso que temos de acabar
a matar-nos uns aos outros, seja de que modo for, a mãe natureza já tem essa
parte planeada para nós, ela não precisa de ajuda, e eu não preciso de um período
tão cansativo e turbulento como é a época de férias.
Fiquem bem, boas leituras, partilhem, comentem!





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