(photo by: PortugalGay.pt)
A Marcha do
Orgulho LGBT+ do Porto celebrou 18 anos, debaixo de controvérsia, rasteirada
pelo poder local, mas absolutamente preenchida de luta, garra, afetos, AMOR, uma
espécie de luz sobre as trevas.
Muito se disse
sobre o conflito entre a Câmara Municipal do Porto e a sua posição NÃO sobre a
Marcha, mas a festa final, seja, o Arraial Mais Orgulhoso do Porto.
Devemos notar
alguns pormenores como por exemplo a Marcha do Orgulho LGBT+ do Porto NUNCA
esteve em questão, nem pela autarquia nem porque qualquer outra entidade, a
Marcha enquanto momento de protesto e reivindicação está protegida (até ver) pelo
direito à manifestação, e por esse motivo a Marcha ia acontecer sem problemas,
como foi o caso, fiquemos primeiro por aqui.
18ª MARCHA do ORGULHO LGBTI+ do PORTO
18ª Marcha do
Orgulho LGBTI+ do Porto (photo by: CismaView)
Dezoito anos, de
uma presença em crescendo, de umas bravas e guerreiras 300 a 500 pessoas em
2006, a muito perto de 20mil, 18 anos depois. Não tem como evitar não perceber
a densidade, a diversidade, o espírito guerreiro, a presença assumida de quem
sabe que mais um, não apenas isso, mais um, é a soma de tantos mais uns, numa
soma com um resultado igual a 20 mil uns, a foto que ilustra esta entrada, é prova do mar de gente presente na MOP2023. Enquanto o inicio se apresentava já junto da Igreja do Carmo, a cauda da MOP ainda estava a meio da R. da Boavista.
14:30 quando
cheguei à Praça da República e já se apresentava uma multidão, que confraternizava,
se abraçava, se ajeitava nas suas vestes e cores, que estendiam pancartas que gritavam
em silêncio protestos repetidos ano após ano, e faixas que diziam quem cada
grupo ou associação representavam, entre elas, uma especial, trazida pelos amigos
de sempre, a faixa do António como é conhecida entre os demais.
Faixa do António –
18ª Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto (photo by: PortugalGay.pt)
Foram 20 mil histórias
de vida que marcharam a partir da Prç da República seguindo pela rua da
Boavista, Cedofeita e desaguaram na Prç Amor de Perdição, foram 20 mil votos de
diferentes cores que se juntaram num protesto único, foram 20 mil géneros de
expressões várias, foram milhares de razões para ali estarem, a minha será sempre
pelos que ainda hoje não podem lá estar por todas as razões e mais uma , incluindo os que foram
esmagados pelo sufoco da opressão.
(photo by: PortugalGay.pt/phone)
Um mar de gente que não fossem esquecer, encontraram um voluntariado extraordinário, ao longo da Marcha que os incentivavam com palavras de ordem, e que junto ao Piolho, ali estavam a pedir silêncio ao passar pelo Hospital de Stº António, não porque a policia pediu, mas porque tem sido norma desde que a MOP ali passa não fazer barulho junto ao Hospital, ao contrário das campanhas eleitorais, dos festejos do S. João ou das vitórias do FCP, a MOP é um grupo cada vez maior de pessoas civilizadas, mas ainda aguardar serem respeitadas e consideradas por todas as instituições.
Três bandeirões davam outra cor a esta massa humana, os bandeirões Trans, Bi e Gay, marcavam pontos do percurso, juntavam em seu redor forças para os fazer voar ao vento e ao ritmo das palavras de ordem.
(photo/imagem by: CismaView)
O ARRAIAL MAIS ORGULHOSO DO PORTO
(photo by: Maria João - chegada à Prç Amor de Perdição)
Aqui é que a porca torce o rabo e de que forma, tantas foram as alarvidades proferidas de vários sítios, que não apenas da autarquia.
Ora a ideia e por causa das obras, porque esta malta da COMOP (comissão organizadora da MOP) pensa ao contrário do que se acha, sugeriu-se que o Arraial Mais Orgulhoso da Cidade do Porto, evento festivo reivindicativo integrado na continuidade da MOP, fosse na Alameda das Fontainhas, uma sugestão que reuniu logo à partida o apoio da Junta de Freguesia do Bonfim, com a cedência de tendas para abrigar as associações e grupos presentes no espaço.
Mas a autarquia, e mesmo depois de aval favorável por parte da Ágora, pela variação de Catarina Araújo, terá impossibilitado a realização do evento festivo reivindicativo nesse espaço, empurrando o mesmo para a Quinta do Covelo.
O que estava em causa era coisas simples para a máquina da autarquia, a montagem de um palco funcional para a realização de "comício" e espetáculo, expressão cultural de diferentes âmbitos, apenas isso, mas que uma birra proveniente eventualmente da ignorância e ou direção politica de Catarina Araújo, CDS-PP, portanto conservadora, ou talvez devemos dizer retrógada, atrasada, desatualizada, de tal forma que se trata de um partido moribundo, (na minha opinião lamentavelmente), admitia esse apoio estrutural apenas no Covelo, levando depois o Sr Presidente a dizer coisas que, se não fosse no Covelo não havia apoio da CMP.
Depois disso as confusões, propositadas ou não, foram mais que muitas, e as desconsiderações também, lamentavelmente, a meu ver, protagonizadas sempre pelo presidente da Câmara do Porto, que embora seja o responsável máximo pelas decisões dos seus pelouros, a verdade é que quem devia (a meu ver) dar resposta ás coisas não devia ser ele, mas antes quem achou que sim, no caso Catarina Araújo.
Então numa das ocasiões o que impossibilitava a realização do evento na Alameda das Fontainhas era porque segundo a presidência as pessoas das fontainhas tinham direito ao seu descanso, logo depreendemos que as pessoas da zona do Covelo não, se calhar uns estafermos que não votaram na lista de Rui Moreira, ou que se calhar votaram e elegeram também Catarina Araújo, mas que esta por eles não tem qualquer consideração.
E assim andamos durante umas semanas a trocar galhardetes entre a COMOP e a CMP, com o esfregar das mãos dos órgãos de comunicação vários que venderam muito melhor, graças as trapalhadas fóbicas ou não, de compadrio ou não, de uma senhora que se ocultou por trás da presidência, no sentido de levar a sua avante. Desculpem não queria dizer avante, se não ainda pensão que sou do PCP, digamos antes, levar a sua em frente.
(photo by: PortugalGay.pt)
Mas nada como a adversidade para nos fazer crescer. A falecida Beatriz Costa já dizia "mal ou bem o que quero é que falem de mim, sinal que estou viva", e o marketing sempre disse que não há má publicidade, "tudo é publicidade", e o resultado esteve à vista, e nem era preciso óculos. Quando a Praça Amor de Predição já estava pelas costuras ainda chegavam mais marchantes que se foram arrumando no Jardim da Cordoaria, e assim num socalco da praça se improvisou um palco, onde expressões artísticas várias, intercaladas com discurso mais ou menos intensos, a festa teve lugar até ao limite da lei, deixando no final um vestígio tênue de ter ali estado milhares de pessoas, porque como disse antes, somos pessoas de bem, civilizadas, e a própria organização alertou para que deixassem a praça limpa, não vá uns e outros no calor da celebração esquecer de cumprir com o seu dever cívico.
Assim resta-me enquanto um dos cofundadores da MOP agradecer a confusão criada por decisões menos coerentes, pois graças a isso a MOP obteve publicidade que não poderia pagar, que trouxe ainda mais marchantes vindos de todo o lado, tanta coisa por causa de um palco, e o custo em publicidade representou muito mais.
Acrescento ainda que o titulo que dei, apenas se ajusta com as confusões havidas entre COMOP e autarquia, porque foi lindo de se ver a organização da COMOP, nomeadamente através dos seus voluntários a quem deixo um sentido aplauso, todos dos que tive oportunidade de contatar, sabiam o que fazer a cada momento, TODOS sempre com uma atitude aprazível e responsável, a TOD@S um beijo no coração.
(photo composta)
Agora como sempre resta a tod@s quantos ali estiveram a Marchar, a tod@s quantos manifestaram o seu desagrado por toda esta trapalhada refletirem e em 2026, pensarem grande, e escolherem objetivamente e ponderadamente. Precisamos saber quem são os bichos papões que assombram as nossas vidas? Quem foram aqueles que não estiveram ao nosso lado quando precisamos? Quem foram aqueles que criaram barreiras na nossa caminhada?
Quando votamos não podemos apenas olhar o pormenor, porque que adianta termos uma proposta econômica excelente, se depois dentro dessa proposta não temos educação, saúde, habitação emprego, direitos civis, como não adianta uma proposta extraordinária sobre emprego, se depois não temos nada sobre a lei do trabalho que proteja os trabalhad@res, não temos economia equilibrada, saúde, habitação, direitos civis...
Se até fazer um filho dá trabalho, mas o fazemos, que tal dar prioridade para lerem as propostas eleitorais e lê-las para além do nosso umbigo, que tal exigirem sessões várias de apresentação e esclarecimento do que pretendem fazer com o país, com a vossa cidade, nos quatro anos que se seguem?
Em tempos houve uma luta forte sobre o "dinheiro rosa" e eu desafio-vos meus irmãos e irmãs, e todos os demais, a investirem no vosso país, no país que vos acolhe, que vos serve de teto e sustento, pensando no VOTO ROSA.
O mundo em que vivemos, o país, a cidade, a localidade, é da nossa inteira responsabilidade. Governos, autarquias, juntas, são serviços do povo, e o povo seu patrono máximo, e enquanto tal devemos exigir sempre o melhor. Não deixemos que os outros falem por nós!
Obrigad@s a tod@s quantos tem marchado comigo desde o primeiro momento, no Porto, mas também um pouco pelo país todo, bem-haja, ...votos de boas reflexões e melhores decisões!
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