Oppenheimer, e o início da 3ª Guerra Mundial

 

                                                                    (photo by: Educador - UOL)

Estes dias fomos ver o filme que tanto se fala, e não, não estou a falar da Barbie, até porque não sou fã nem de cor-de-rosa, nem de branquelas, eu, é mais chocolate negro. Depois penso que os tempos não estão para drogas de massas que nos desviam, ludibriam, enquanto o mundo se afunda à vista de toda a gente, enquanto que essas massas preferem comentar as JMJ, ir á bola ou visionar a Barbie vestidos de cor-de-rosa.

 

Assim fui com o marido e um amigo assistir ao filme Oppenheimer, que desde já vos digo, não é filme muito fácil, principalmente se tiverem os neurónios despertos, e não digo isso por causa do palhaço que estava a pontapear o encosto da minha cadeira, é mesmo pelo conteúdo do filme, (diria bastante fiel uma vez que fomos em casa visionar um documentário com os reais protagonistas da história), dirigido por Christopher Nolan, que está sem dúvida de parabéns, e que assim meio que de repente não me surpreendia venha a estar no mínimo nomeado para um Oscar.

 

                                                                                                        (photo by: Brasil Escola - UOL)

A Questão judaica

 

Sem dúvida que fica difícil não vibrar com a descoberta de Oppenheimer. Ele ter reunido um grupo de cérebros fantásticos que juntos resolveram a dinâmica física que levou à conceção da bomba atómica, é sem dúvida um feito extraordinário, e nessa perspectiva penso ser quase inevitável não vibrar com o ator Cillian Murphy na pele de Oppenheimer, e toda a sua equipa.

Não sou conhecedor de medicina a este nível tão elevado, mas acredito que conhecer como controlar as dinâmicas moleculares nucleares deu, ou terá dado, lugar a inovações na medicina de grande monta, que hoje salvam vidas por todo o mundo (desenvolvido). Assim sabendo e ou achando isso, não tem como não sentir um entusiasmo, mesmo que contido, com o feito de Oppenheimer, só que esta vibração toda tem um sabor de um fel rebentado.

Oppenheimer havia concebido o instrumento bélico necessário para acabar com o domínio nazi, esse era o seu catalisador, acabar com o sofrimento dos judeus, …para mim isso parece bastante presente no filme, mas acho que Oppenheimer esqueceu-se de que mais que ser cientista, mais que liderar uma equipa de cientistas, mais que estar a trabalhar para o exercito dos EUA, ele estava ao serviço do Estado e dos seus caprichos políticos, estratégicos, ou de marketing, e os judeus (entre tantas outras “minorias”) e o seu sofrimento não representavam assim tanto, para o verdadeiro patrão de Oppenheimer.

                                                                    (photo by: JDC Archives)

Há dúvidas? Então como se justifica a rejeição dos 937 passageiros do S.S. St. Louis, na sua esmagadora maioria judeus fugidos ao holocausto nazi, por parte dos EUA?

 

Hiroshima  &  Nagasaki

 

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6 de agosto de 1945 & 9 de agosto desse mesmo ano, deveria ser, espero seja sentido pela humanidade em geral, nomeadamente a dita civilizada, instruída, desenvolvida, e pelos americanos em particular como datas de imensa e devastadora VERGONHA!

Não sendo datas únicas desse livro onde as letras são esculpidas com alcatrão quente e napalm, um livro que relata os embaraços da história da humanidade, não deixam de ser daqueles marcos que, tirando uns quantos ignorantes que por egocentrismo, falta de QI ou que acham que tinha de ser, tirando esses, são datas que representam a miséria humana, a desgraça daquele que diz ser o único ser racional entre os seres vivos.

A devastação física, e o número de mortos é aterrador, uma imagem que deixa o “Inferno de Dante” parecer uma história de meninos travessos contada aos quadradinhos. O número de mortos e afetados é até hoje esmagadora, mais que não seja por ter sido conseguida em tão pouco tempo (eficiência), e ter um efeito tão perlongado no tempo (devastação).

O filme resvala neste sentimento, uma vez que Oppenheimer queria de fato uma bomba eficaz, mas para aniquilar a Alemanha nazi, não fazer isso no Japão como se essa nação agora tivesse de funcionar como um tubo de ensaio científico, e numa declaração de supremacia perante o mundo, a exemplo do que os nazis estiveram a fazer até se renderem. Mas o ataque a Pearl Harbor (7 dezembro 1941) estava por ser respondido na política do Tio Sam, e a imagem que isso transmitia para o mundo, aos olhos de Truman era de uma supernação, não tão super assim, veja-se que foi atacada de forma eficaz e violente e nem deu resposta.

                                                                                                                    (photo by: Britannica)

Assim Truman apresenta ao mundo a sua força, mesmo depois de já ter efetuado bombardeamentos massivos sobre o Japão, usando um novo “brinquedo” de destruição maciça, e salva o orgulho americano apresentando-se como um político de punho de ferro, o Tio Sam ganha!

 

Guerra Fria

 

O fim da 2ª Guerra Mundial, e a supremacia bélica demonstrada pelos EUA podia ter dado lugar a uma paz "absoluta", obtida por oceanos de sangue, e o trinfo do capitalismo da terra dos sonhos, mas se tem animal burro nesta equação de um alegado criador perfeito, esse animal, que será talvez a anomalia mais berrante desse tal criador, é o ser humano. Como poderia a URSS (União da República Socialista Soviética), também ela com ares de grandeza à conta de um povo sacrificado, ficar serena perante aquela afronta atómica do SAM, Tio Sam.

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Escapa muitas vezes nas aulas de história, mais preocupada com reis e rainhas, alguns miseráveis egos, e todo um processo açougueiro por parte das duas potencias tão importantes para o fim a 2ª Grande Guerra (EUA & URSS), a mesquinhice e uma outra miséria humana protagonizada por essas duas potencias. Poucos sabem que foram assinadas duas rendições dos alemães nazis, uma com os aliados onde se situa os EUA, a 7 maio 1945, e outra assinada com o exército vermelho, seja, com a URSS três dias depois, isto porque alegadamente o representante da URSS na primeira assinatura não tinha autorização de Stalin para assinar.

Mas os egos, e a escalar do “cadáver” da guerra, protagonizado por estas duas potencias de boa vontade, tudo pessoas de bem, sentaram-se (digo eu) de marcador na mão, para no mapa dos despojos marcar quem ficava com o quê, quais arquitetos do inferno a redesenhar o mapa europeu, a riscar a "cortina de ferro". Mas não foi um desenho fácil porque a vergonha não lhes assistiu, e por isso andou para cá e para lá, fronteiras para cima e para baixo, …putos adultos com uma espécie de jogo de tabuleiro, onde o sofrimento, o massacre, o desespero dos povos não lhes dizia nada.

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Depois disto as duas potencias comportaram-se como dois miúdos ressabiados durante quase meio século, 44 anos para ser mais preciso (1947 – 1991), que foi o período que a história conhece como o período da Guerra Fria, uma espécie de medição de pilas, como se no final desse potencial conflito e no caso de ele se tornar realidade, alguém saísse vitorioso.

Mas hoje olhando o mundo lá fora, pela frincha da janela, já que não vejo noticias pelo menos há 4 anos, quase cinco, fica a questão, será que de fato o chamado período da Guerra Fria terminou mesmo? Não terá havido apenas um abrandamento na retorica política e jornalística?

Olhemos a guerra da Rússia sobre a Ucrânia, assim meio que do nada, (não será bem, porque esta coisa do desmantelar da orgulhosa URSS nuca foi uma refeição fácil de engolir), um país prospero como a Ucrânia é invadido do dia para a noite pelas forças militares russas. Uma guerra que dura já à ano e meio (24 fev 2022), com ameaças constantes, por parte do invasor, sobre o resto do mundo, apresentando-se disponível para uma 3ª Guerra Mundial. E se achamos que Putin pode ser lunático, o curriculum de Yevgeny Prigozhin, líder do grupo Wagner, é realmente “prigozhin” (perigoso), pelo sadismo constante na sua ficha como "faz tudo" de Putin.

Então a Guerra Fria continua, ou o anúncio da terceira grande guerra foi anunciada no dia 6 de agosto de 1945, e desde lá estamos na mesma!?

 

 

O anúncio da terceira Guerra Mundial foi em 1945

 

Não sou eu quem o diz, alguém definitivamente muito mais importante que eu já o havia dito, a malta é que anda distraída com BBB’s, futebol, e Barbies, e todos os filtros possíveis para enganar a “dor” de estarmos a envelhecer, e não deram o devido valor, e assim deixamos andar para nos encontrarmos aqui, neste preciso momento.

 


Foi Alberta Eisntein quem o disse, de uma forma simples, quando questionado sobre como ele achava que seria uma 3ª Guerra Mundial. E eu pergunto-me, perguntando a quem me lê, ele estava assim tão longe da verdade? Estará breve esse dia?

E acrescento agora, estamos disponíveis para perder o que temos(?) nomeadamente nós tugas, mas também o povo livre que vive neste mundão, estaremos disponíveis para perder realmente TUDO?

                                                 (Photo by: byAçores)

Dito isto eu acredito que a reflexão de Eisntein e a deflagração da bomba atómica a 6 de agosto de 1945, foram na verdade o anúncio de que a 3º Grande Guerra estava aí mesmo, já, já a seguir.

Contudo a ilusão de um capitalismo desenfreado, a possibilidade de obter tudo, ter tudo, ser tudo, a embriagues de achar que vivemos em paz, e em democracia e liberdade, toldo-nos a visão, e agora esse dia, que eu chamaria de "o dia do juízo final", está ali ao alcance de qualquer um. 

Acham mesmo que estou a ser exagerado? Acham mesmo que isso nunca vai acontecer?

Pois eu primeiro não estaria assim tão certo de que não vai acontecer, e depois desconfio que NUNCA quis tanto estar errado.

                                                                                                                (Photo by: Terra)

Em 1962 fizeram explodir um engenho nuclear a 400km de altura, para testar os efeitos que essa explosão teria, e um dos efeitos foi que num raio superior a 1000kms a eletrônica da época “queimou”, imaginem uma explosão idêntica nos dias de hoje!

Assustador, não!?  Não há para onde fugir a não ser de bicicleta, tração animal e ou a pé, mas…fugir para onde?

Vamos sentar-nos, porque o embate da realidade é forte, e visualizemos:

Putin sente-se provocado por um qualquer outro Estado e decide da mesma forma que o fez com a Ucrânia, disparar em direção aos EUA rosto forte da NATO, a Rússia eventualmente consegue o apoio da China e da Coreia do Norte, que disparam sobre os EUA e outros alvos da NATO, e os restantes países elementos da NATO disparam contra estes três alvos, e disparam o quê, …vou deixar que vocês imaginem.

A guerra na Ucrânia provocou uma avalanche económica no resto da Europa, uma quantidade de bens de primeira necessidade, aumentaram de preço, os combustíveis, e houve mesmo rotura de stocks em alguns produtos.

Um conflito da ordem que acima descrevo quais seriam os reflexos no nosso dia-a-dia?

Pessoas como eu teríamos de eventualmente estar de prontidão para defender o país, os hospitais iam trabalhar no limite, doentes crónicos iam morrer por falta de medicação, doentes oncológicos poderiam fazer as suas despedidas, a alimentação ia escassear se não transformar-se num motivo de assassinar quem quer que a tivesse, mas estes seriam reflexos no comportamento humano no que à sua interação com outros diz respeito, mas seria tudo isso um mal menor se pensarmos de novo no que estava a ser disparado entre cada uma destas nações.

 

                                                                                                        (Photo by: Revista galileu - Globo)

A destruição  material seria devastadora, grandes cidades, portos, aeroportos, refinarias, centrais elétricas, espaços industriais seriam alvos preferidos, ficaríamos sem produção do que quer que fosse, aliás se um dos engenhos explodisse no ar, já não teríamos eletricidade, e por isso comunicações, e os resíduos que se vão espalhar na atmosfera vão consumir aos poucos quem não morreu carbonizado pelas explosões, respirar será uma tarefa hercúlea, as pessoas que amamos, as nossas caras metade, os nossos filhos, pais, avós, os nossos animais de estimação se não morreram vão morrer, porque serão mortos para servirem de alimento, …demasiado?

A Guerra seja ela qual for não é um espaço bonito, uma guerra nuclear não é se quer um espaço, é algo tão surreal que a maioria de nós apenas tem como imagem os filmes, se bem que esses são quase sempre romantizados, mas a realidade quase nunca tem espaço para romances, principalmente quando mal comemos, e respiramos sentindo o sangue a escorrer pela garganta.

Este cenário foi-nos comunicado em 1945, faz no próximo dia 6 de Agosto, 78 anos, foi-nos comunicado pelas vitimas de Hiroshima e Nagasaki, e nós iludidos por esse sentimento de paz, prosperidade e de futuro perdemos o norte da vigilância, descuidamos os nossos jardins e hoje eles estão repletos de ervas daninhas, o esforço necessário para capinar essas ervas é hoje mais pesado, mais exigente, e em muitos casos como na Ucrânia, mas também como na Líbia (bom não esquecer), já passou do capinar, é preciso um jardim todo novo.

Em 1945 avisaram-nos, como se fosse um outdoor a cem metros da casa de cada ser humano, mas quando o olhamos, decidimos ver outras coisas, que não o aviso do fim!

Quando Oppenheimer inventou a bomba atómica, para matar os nazis, ou para Truman usar no Japão como campanha politica, ele inventou a 3ª Guerra Mundial!

                                                                                                                    (Photo by: Nossa Causa)

E nós queremos perder o estilo de vida que temos, mesmo cheio de defeitos?




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