Espírito, espiritualidade e espiritismo!
Este texto é mesmo
sobre mim, e uma parte de mim que poucos conhecem, e dos que conhecem nem todos
levam muito a sério, contudo eu ao longo do tempo tenho tido razões várias para
estar confiante do que sinto.
Desde que eu me
lembro, sinto por vezes presenças, sentimentos de que estou a ser observado
mesmo quando estou longe do olhar de toda a gente, seja, em casa. A minha
primeira manifestação, como disse desde que me lembro, foi quando era muito
criança. Sempre fui muito protegido pela minha mãe e por isso não conhecia as
manhas, as dinâmicas sociais de malta como eu, a chamada classe média baixa,
que é como quem diz, uma classe que vive do trabalho para o trabalho, e que
esse rendimento mal dá para chagar ao final do mês, assim certas regalias
estavam afastadas logo à partida. Um belo dia fui com outros miúdos para a
praia da meia laranja em Leça da Palmeira, (confesso que não tenho ideia de
como isso foi possível, mas a verdade é que os meus “amigos”, conhecidos lá da
beira de casa, estiveram comigo nessa praia), e para eles era comum passar a
corda que limitava a piscina das marés, afinal ir para a piscina era outro
nível, era preciso ter dinheiro para isso, e eles na sua malandrice passaram
todos, mas eu, eu nunca tinha feito aquilo, e por isso quando chegou a minha
vez fiquei petrificado frente à corda. Ao longe já todos eles saltavam na
piscina, mas eu estava ali, parado, com vergonha primeiro por não ter dinheiro
para estar na piscina, e depois por ter de tentar um ato desviante para
satisfazer os meus desejos. Esta é a primeira vez que conto tal publicamente, e
acreditem ou não sinto-me a trair algo ou alguém, …estranho!
Aninhei-me e
encostei-me a uma rocha que de quando em vez ainda visito hoje em dia, e da
rocha imanou a certa altura um sussurro suave que só disse: “Vai!...Vai!...”, e
do nada e sem olhar o guarda atravessei a corda como se tivesse direito a isso,
e tive uma tarde de piscina como desejado.
Depois desta houve
outras, mas convenhamos, não sou nenhum estudioso da matéria, e tudo foi
acontecendo naturalmente, registei na minha mente os acontecimentos, mas também
confesso NUNCA foi para mim um bicho de sete cabeças, como aliás não foi montes
de coisas que aconteceram na minha vida, esses bichos quando existiram foram-me
plantados pelos outros e o que eles pensavam sobre essas coisas.
A determinada altura
um amigo ligado a essas coisas do espiritismo, convidou-me a assistir a algumas
sessões. Tive a oportunidade extraordinária de conhecer o Pai Couto, assim era
chamado por tod@s, e era a “cabeça” da mesa onde tudo se passava. Aí pode ver
coisas que quando vimos nos filmes achamos fantasia, porque a sétima arte assim
quer caracterizar a coisa, mas eu vi acontecer, sem artifícios, e se duvidas
houvesse eu mesmo senti coisas que acreditem, não desejo a ninguém, mas vou
explicar da maneira que sei.
Quem está na mesa,
faz parte da primeira corrente, quem está em volta dessas pessoas, são a
segunda corrente, o que estes elementos fazem? Recebem energias menos boas,
descarregam-nas na mesa, e da mesa elas são elevadas para o cosmos. Me
desculpem os espiritistas de estiver a dizer alguma coisa errada, e corrijam se
preciso for, nos comentários. Depois tem pessoas que recorrem a estes espaços
no sentido de se livrarem dessas energias, e fazem algo que chamam de “passe”,
essas pessoas colocam as mãos sobre as pessoas (pouco acima do peito), ficam
uns instantes, até o Pai Couto dizer “está”, e as pessoas saem, o que se passa
a seguir não me questionem porque não sei.
Nunca tinha feito o
“passe” primeiro porque nunca senti que precisa-se, depois porque o único acima
do peito que eu desejei colocar as mãos estava sempre ocupado, até que um
dia,…ele estava desocupado, não havia ninguém na sala de espera, e eu pedi para
fazer o dito “passe”, e fiz,…a certa altura o Pai Couto diz “está”, e aí é
suposto tirarmos as mãos de cima, mas quando o vou a fazer este jovem super
interessante em quem coloquei as minhas mãos diz: - Este não sai daqui, ele
atirou comigo ao chão!
Os meus pensamentos
nesse momento:
- certo tu foste ao
chão, tu estas sentado e eu cheio de estar de pé…
- a única parte boa é
mesmo sentir o teu peito lindo…
Sabemos todos que
esta coisas dos pensamentos são flashs, e assim que estes pensamentos perversos
se foram, gente o que senti nem é bom,…
Imaginem terem um
formigueiro ativo dos cotovelos ás mãos, dos joelhos aos pés, e em todo o vosso
maxilar inferior, a sensação confesso-vos assustadora, como se isso não
bastasse a minha barriguinha foi puxada por trás até à coluna, gente vocês não
têm ideia do sufoco. Nada do que se estava ali a passar fazia sentido para mim,
…houve depois uma senhora que fazia a receção das pessoas que recorriam aquele
espaço, que veio a mim, falou comigo umas coisas que agora não interessa nada,
e todas estas sensações se foram, e seu só senti ela a colocar uma cadeira
atrás de mim, onde aterrei de chapam.
Houve outras
manifestações ao longo dos anos, nomeadamente quando faleceu o meu avô, pai do
meu pai, e outros pequenos eventos, que depois da minha passagem pelo centro
espírita e com a ajuda do amigo, o que me convidou a estar presente nas sessões,
aprendi a reagir, aprendi a lidar de forma diferente com os referidos eventos,
e hoje não só os sinto, como de quando em vez os vejo, mas já lá vamos.
Houve um outro
momento, que marcou este meu caminho espiritual. Num determinado ano por razões
que agora não interessa, procurei a ajuda de um amigo astrólogo, que por
indisponibilidade me indicou uma senhora que se intitulava ela mesma de
“bruxa”, mas que na verdade era uma médium visual e mais qualquer coisa. Expus
apenas as minhas preocupações, aquelas que me levaram a pedir apoio, e porque
fiz de tudo para estar logo que ela abriu estávamos apenas, eu, ela e um senhor
que a apoiava na gestão das visitas, (escusam de pedir porque esta senhora já
não trabalha ao que sei). Estava eu sentado frente a ela, e o senhor nos seus
afazeres, por isso a porta do gabinete improvisado estava aberta e a certa
altura ela diz que não pára de chegar gente, (não vou parafrasear porque o
verbo é rustico), olhei, e não havia viva alma em lado nenhum, ao mesmo tempo
diz ela que tenho duas pessoas ao meu lado, uma de cada lado, de um lado uma
velha agarrada ao terço e do outro alguém magro de capacete na mão, que ela
ironizou, “deve ter vindo de moto”. A velhinha de terço na mão, pela descrição
dela (eu perguntei), devia ser D. Albertina, uma senhora da aldeia dos meus
avós que tive o prazer de conhecer e que estava com o credo sempre na boca, e
que tinha histórias fantásticas, o jovem de capacete, fez comigo a candidatura
ao logotipo da Expo98, e tinha falecido num acidente de moto.
Perguntei se o fato
de haver tanta “gente” a chegar era mau, mas parece que é bem o contrário, e
toda a resposta deixou-me feliz acreditem, e já agora ao que fui, foi um
sucesso.
Este sábado, dia 30
de dezembro 2023, aconteceu algo que fazia tempo não acontecia, vieram umas
quantas visitas muito carregadas, fdp’s de um caraças que me viraram do avesso
a uma velocidade e intensidade que não acontecia mesmo há muito tempo. O meu humor
foi de ok a ponham-se todos nas p…tas, saiam da minha beira, um nível de
irritação confuso, caótico,… só mesmo no final do dia comecei a voltar à terra,
e houve uma sombra que só foi embora ontem, e essa pareceu-me a principal razão
da minha irritabilidade, ela parecia confusa, ela não tem ligação direta
comigo, por isso ela não conhece a nossa casa, e estava completamente perdida e
cheia de medo, ela não me magoou por querer, mas a sua energia era demasiada e
negra.
Por estas razões é
que digo que NUNCA estou só, tenho sempre seres extraordinários que partiram
deste mundo, mas se mantém próximos de mim, mas também outras entidades que
passam despercebidas aos comuns dos mortais, e que estão comigo nomeadamente
quando faço os meus passeios pelas matas e florestas do nosso país e não só.
Sou do género que fala com o rio, as suas margens, que abraça árvores e
agradece a visão de animais selvagens, o nível de espiritualidade vai por aí.
Vai até ao momento de
me sentir compelido a ligar a alguém apenas porque sim, ou a olhar pessoas e
senti-las mais ou menos bem, ou negativas,…
Ser-se espiritual no
meu entendimento é olhar o outro como a nós mesmos, é abraçar, e fazer bem sem
olhar a quem, a minha espiritualidade não aprecia oportunismos, populismos,
falsas intensões, pseudoamizades, aprecia amor, abraços sinceros, confiança, boas
energias e disponibilidade para escutar quem as energias por vezes fogem.

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