50 anos celebrados em tristeza!

 


Tenho repetido várias vezes nos meus diversos discursos falados e escritos que odeio ter razão, porque normalmente essa razão está revestida de fracassos, de dor, de empenhos que não foram tidos, aqui no caso na defesa da democracia.


Este domingo voltei a ter razão, o que é uma grande merda, e por isso não entendo o espanto de alguns partidos políticos de esquerda, não entendo a admiração e o choque de determinadas pessoas, porque no passado domingo apenas se materializou o "não vale a pena", "que vou lá fazer, são sempre os mesmos", ou "melhor aproveitar o sol na praia" ou "dar uma volta no shopping", ...mas não podemos esquecer a outra frase "o que há para celebrar" ou "são meia dúzia de gatos pingados"...e por ai íamos!

Talvez fossemos mais gatos se tivesses vindo!
Não ter noção do privilégio de viver em LIBERDADE é a prova provada do "no sense" que deu vida aos zombies sedentos de sangue, no passado domingo.

Em 2021, celebrava-se os 47 anos da LIBERDADE mesmo antes disso sempre reclamei o vazio presente nessa celebração, mas nesse ano escrevi, e este domingo voltei a ter razão! Afinal para se instalar o fascismo primeiro fascinam-se os tolos, depois amordaça-se os inteligentes! (Bertrand)

Em 2021, escrevia eu:

"Hoje é 25 de Abril e eu não deixei de lá estar nas ruas da Invicta com todos os outros,…

Gostava de vos deixar uma mensagem fresca, uma mensagem que vos inspirasse a pegar nos sachos, nas pás, nas tesouras, e desatarem a capinar este jardim fantástico chamado LIBERDADE

Mas a verdade é que não tenho verbos novos, são os mesmos de sempre, uma vez inscritos talvez por Camões, replicados por Pessoa, quem sabe exorcizados e talvez tornados reivindicativos por Viegas, a verdade é que são os versos de sempre, quem sabe imortalizados por Afonso, mas que ao que parece as pessoas andam distraídas, crentes de que tudo que basta é atirar as sementes à terra e pronto já está!

Não gente, não é assim, as sementes não se atiram, lançam-se ao solo imbuídas de energia que amanhã será melhor, de que amanhã mais que colher os frutos, vamos garantir que eles não caiam no chão, não se pisem, porque os frutos da LIBERDADE são sensíveis, expressão, identidade, movimento, tudo isto e mais são leves e frágeis cristais suscetíveis de com o mais agudo gesto, verso sombrio do fascismo se quebrem.

Não podemos, NUNCA, descuidar o ar que respiramos, para que não acordemos banhados no excremento insuportavelmente nojento do sangue vertido de um fascismo negro, perverso, que ceifou vidas e ocultou da história tantas outras vidas que se perderam no escuro das noites frias, e deixaram famílias órfãs dos que algum dia ousaram verbalizar seja de que forma fosse, LIBERDADE!

Não podemos falar de LIBERDADE sem falar de respeito
Não podemos falar de LIBERDADE sem falar das mulheres
Não podemos falar de LIBERDADE sem falar das pessoas LGBT+
Não podemos falar de LIBERDADE sem falar de negros e de ciganos
Não podemos falar de LIBERDADE sem falar da pobreza
Não podemos falar de LIBERDADE sem falar da educação
Não podemos falar de LIBERDADE sem falar do direito ao trabalho

Não podemos falar de LIBERDADE sem tornar bem viva a luta, o caminho feito para que um dia os militares de Abril libertarem este nosso país dos carrascos do povo, mas também não podemos deixar esquecido que esta LIBERDADE veio aos soluços, não foi uma conquista para “putas e paneleiros”, e por isso não foi para alguns homens e mulheres, e por isso esta LIBERDADE estava ferida logo na partida do caminho feito até aqui, e por isso mesmo muitas das lutas levaram décadas e ainda não se fez o caminho todo!

Quase meio século depois, o bafio do sangue seco entra-nos pelas frinchas todas da vida, e precisamos atender que esta democracia precisa ser revitalizada, e esta LIBERDADE podada, enxertada, regada e capinada com AMOR e ESPERANÇA porque as gerações que rebentaram ontem, precisam acreditar que o futuro é possível, de que ele existe de fato.

Hoje fez 47 anos que se acendeu esta chama, e precisamos mantê-la acesa caso contrário caímos na escuridão repressiva e opressiva do fascismo!"

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