Uma surpresa "omanita"!
Recentemente estive de visita a Omã um país que surpreendeu pela positiva, muito embora não deixe de ter alguns “se não” pelo menos aos meus olhos, pequenos nadas (talvez muito) que fazem a diferença quando olhando em volta tudo faz sentido.
Sabia bem para onde ia, sabia que se tratava de um país onde
a minha orientação sexual não cabe legalmente falando, mas se sente presente
aqui e ali, nos gestos, nos olhares, e até nos comportamentos, mas não podemos
sê-lo, é proibido. Faz lembrar um Portugal do tempo da outra senhora, onde
sermos era em tudo proibido, e por isso éramos escondido, mesmo sabendo que
toda a gente sabia, …confuso? Talvez! Mas era assim que vivíamos, e parece que
é assim que se vive por lá.
Quatro ponto cinquenta e dois milhões habitantes metade é
omanita, o resto são imigrantes, apenas, destes todos 1960 estão encarcerados em
2015, mostra bem do quanto seguro é esta nação, e os brasileiros tem uma
expressão interessante que de momento não recordo, e que aqui se aplica, na
questão de, será que esta segurança é porque se trata de um país de leis
fortemente repressivas, ou será que por leis repressivas produzem menos delinquentes!?
Ainda não sabemos! Encontrei um povo civilizado, e visível por exemplo no
avião, uma duas das viagens que fiz foram voos internos, e aquela loucura
inconsciente de que todos se colocam a pé muito antes de o avião parar, não
existe, calmamente todos ficaram sentados, e ordeiramente fila a fila foram
saindo, nada daqueles atropelos de um ocidente que se diz ci-vi-li-za-do,…sim
tá bem!
Assim caminhar a qualquer hora do dia ou da noite pelas ruas
de Omã, nunca foi motivo de qualquer sentimento de insegurança.
Trata-se de um país muito limpo, quase não se vê lixo no
chão, contudo esse pormenor esbate-se quando olhamos recantos sem saída, ou edifícios
abandonados, mesmo que façam parte da história, as pessoas parecem aproveitar
os recantes para empilhar os resíduos de uma sociedade consumista plastificada
até ao tutano.
É, no entanto, um país que nesta época é árido, uma paisagem
quase desértica, com montanhas extraordinárias e desertos a perder de vista,
chegamos mesmo a dormir em dois deles, sendo que no primeiro as tendas sempre
pareciam mais originais que as segundas, mas o espírito estava lá. A noite
revestida de silêncio, de uma paz quase absoluta não fosse a consciência de que
vivemos num mundo em guerra, mesmo ali, uns vendem serviços para sacar o vil
metal dos demais, não há afeto, não há qualquer proximidade, nem sussurros de
amizade, lá como cá, existe apenas o interesse, a competição, a exploração
também ali racista, estratificada entre etnias, capitais, poderes. Quando pensamos
que sociedades que desconhecemos, mas sobre as quais temos imensas opiniões,
julgamentos, mas que na verdade nada sabemos, seja, comportamo-nos como infelizes
ignorantes, como são os bully.
Um povo amistoso, um lugar que os amantes de calor mais que
do sol, iam gostar de viver, um país com regras diferentes das nossas porque as
culturas são diferentes, não estão certas nem erradas, são apenas diferentes, e
penso que enquanto não aprendermos TODOS isso mesmo, e que devemos ser TODOS
livres de poder optar por estar numa ou noutra sociedade, o mundo nunca será
livre e ou viverá em paz.
Foram dez dias que repetiria não em todo, mas em parte
(tirava o deserto da equação), mesmo com uma temperatura que não me é muito favorável
(desespero com calor a mais), uma comida intensa e apurada, com sumos de fruta
deliciosos (nuns restaurantes mais que outros) e como disse um espaço fácil de
caminhar.
Nos próximos dias darei conta da reportagem fotográfica,
será ainda lenta, porque chegamos recentemente e a vida tem mais coisas que requerem
maior prioridade, poderão observar as fotos no meu perfil de Facebook (https://www.facebook.com/jpaulo2k1),
espero que apreciem, e quem sabe decidem visitar Omã!
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