50 anos do 1º de Maio, o que mudou foi o ditador!
Já está mais que na hora de nos abstermos de ter ditadores disfarçados de democratas, ou de termos “democratas” que depois impõem as suas regras como únicas, na verdade já está na hora de fazermos por nós próprios, e deixarmo-nos de lamentos virtuais, ou proferidos à boca miúda, como se por um acaso não houvesse solução, isto porque há!
- Vais ao 1º Maio?
- Eu não, cansei da ditadura da CGTP!
Este foi o primeiro impacto perante uma pergunta que
pretendia agregar mais pessoas na participação da celebração dos 50 anos do
primeiro de maio.
Eu como sempre estive lá, mas estive pouco tempo porque
aquilo que me responderam quando planeava ir, eu vi, sem surpresa é verdade,
porque não é a primeira vez. Fiz a minha parte, seja estive por instantes, fiz
a minha reportagem fotográfica (que ponderado decidi não postar, não pelo menos
enquanto reportagem), e voltei para casa. Já em casa e depois de organizar uma possível
fotorreportagem do acontecimento, via um post de umas amigas, reclamando que a
CGTP uma vez mais tinha vedado a entrada das mesmas no carrossel, sim carrossel,
porque é isso que se pode chamar a uma massa humana que circula em circulo em
volta dos aliados, entre a câmara municipal e o hotel intercontinental, ou
talvez apenas pensão aliados, e assim a prepotência de uma união sindical
celebra 50 anos de liberdade e de reivindicação, em modelo carrossel, como aliás
já havia acontecido no passado e também não tinha achado NADA digno, e ao mesmo
tempo até achei bastante simbólico.
Afinal que tem feito os sindicatos e nomeadamente a união de
sindicatos? Visto de fora e já correndo o risco de ser inconveniente, diria
mesmo desagradável em várias direções, na minha humilde opinião, NADA, ou
melhor, se fosse uma caricatura tipo Charlie Hebdo, teríamos o sindicato
sentado com o carrasco (leia-se patronato) a negociar de cortamos a seco, ou
colocamos uma lubrificação qualquer no machado, se cortamos com machado, ou
usamos um balance de corte daqueles tipo tipografia, essa é a minha imagem
mental daquilo que vou vendo, ouvindo, escutando nos comentários. E correndo o
risco de não estar muito exato, depois assistimos a manifestações, com guiãos ditatoriais,
como se por um acaso os trabalhadores integrados nesta união de sindicatos, fossem
de alguma forma mais trabalhadores que os outros, que aqueles que ou não fazem
parte desta união ou de qualquer outra.
Atenção que não vamos discutir aqui a importância que teve
as forças sindicais na luta pelos direitos dos trabalhadores(as), teve sem
dúvida, muitas das proteções e benefícios da classe não haveriam se não fosse
os movimentos sindicais, mas depois e com o tempo esses mesmos sindicatos (ou
uniões) foram quem com jeitinho de que “é melhor assim, que perder tudo”
deixaram cair muitas das conquistas do pós 25 de Abril. E para completar, não
bastando serem cúmplices do saque aos bolsos dos trabalhadores nomeadamente no
que a direitos diz respeito depois tem comportamentos nestas datas, observados
ano após ano, de prepotência como se eles (sindicatos) fossem por si sós, como
se eles (sindicatos) não existissem porque existem trabalhadores(as). E já
foram mais a acreditar neste “papai noel”.
Agora o lamento daqueles que se acham excluídos por estas “organizações”!
Minha gente, as organizações sejam elas quais forem são
feitas por pessoas, logo as pessoas que não se reveem nestas organizações, ou
que estão cansadas de serem excluídas de uma luta que também é sua, tem mais é
que se organizarem como uma expressão alternativa, reivindicativa, e ocupar as
ruas, noutras geografias, afinal a cidade (ou as cidades) são grandes, e no
Porto temos espaço de sobra, os Poveiros, a Batalha, os Leões, a Praça da
República ou o Marquês, não precisamos alimentar uma fila que já esteve mais
cheia.
Olhemos para trás! O 1º de Maio já andou pelas ruas da
cidade, a própria união de sindicatos aqui visada, tinha milhares de pessoas
num desfile grandioso, e houve um ano, que os que solicito que se organizem
como alternativa, se tinham de fato organizado na Batalha se não estou em erro,
com ideia de se juntarem à outra marcha em Sá da Bandeira. Desceram então 31 de
Janeiro, e foram barrados, por uma espécie de “hooligans” que gerem as fileiras
sindicais, porque aqueles e aquelas que desciam 31 de Janeiro não faziam parte
daquela marcha.
Pergunto eu: - Não faziam parte porquê? Porque não eram
trabalhadores(as), ou não eram sindicalizados nos sindicatos dessa união? Ou ainda
porque talvez muitos deles(as) tinham empregos precários, e estavam desempregados?
Se calhar não seriam politicamente corretos no verbo reivindicativo, e isso
poderia ferir as reuniões com o “carrasco”!?
O que se assistiu neste 1º de Maio, que celebrava 50 anos em
Portugal, e no Porto, foi para lá de lamentável (mais uma vez) VERGONHOSO, os/as
trabalhadores(as) quando se amontoam nos transportes públicos ou no trânsito
para ir trabalhar não trazem na testa nenhuma identificação sindical, mas todos,
cada um do seu jeito, são penalizados por leis desenhadas a jeito, reformuladas
por falta de coragem sindical, em horas de trabalho que não são pagas, em
falsos recibos verdades, em contratos que não existem, em salários miseráveis,
em condições de trabalho humilhantes, sejam ou não sindicalizados, porque esse
poder que algum dia os sindicatos tiveram não tem mais, está a saldo,
empobrecido por tanta vénia feita.
Gente bonita, está mais que na hora, de se organizarem para
lá dessa máquina cuja engrenagem está com falta de dentes, e trazer ao 1º de
Maio de novo a Marcha das Marés, porque somos TOD@S na nossa fabulástica
diversidade cidadãos(ãs) de pleno direito, onde lutar por direitos trabalhistas
não depende de máquinas, mas de NÓS!

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