A privatização em part-time do público!
Tudo começou no dia em que me graduei, uma festa, no momento seguinte fio ao banco solicitar a alteração da minha identificação nos cartões de débito e crédito, eu agora era Dr. e por isso teria de ser tratado como tal, queimei muita pestana para isso acontecer.
Depois consegui este emprego, comecei como adjunto e logo
depois estava responsável pela dinâmica da coisa, por isso e porque o poder me
foi atribuído devo exercê-lo com vínculo, em todo o seu esplendor.
Ironias à parte é exatamente aquilo que ano após ano se
assiste no parque da cidade, porque alguém detém o poder algures no edifício da
CMP pode quando quer, ou quando a verba justifica subverter todas as regras e
cuidados porque nunca é demais.
Comecemos pelo início, o Parque da Cidade foi projetado para
ser um espaço de laser, e é isso mesmo que diz “Porto Cool”, onde se lê:
“…o Parque da Cidade não só é bonito, como também é um excelente espaço para
relaxar ou passear” (Porto Cool; dc 08-05-24)
Só que não, porque lembram-se daquela pessoa que virou
doutor(a) e agora é detentora de todo o poder que lhe foi oferecido, o Parque
da Cidade virou uma espécie de “sandbox” onde a criançada pode fazer que quer,
porque depois alguém á-de limpar “all that mess”.
Mas é um pensamento ou sentimento, talvez sensação, meu, esses
formigueiros na barriga são partilhados por mais pessoas, como por exemplo Duarte
Natário, que em 2013 disse num texto seu no P3 o seguinte:
“Para além de tudo o que tem para oferecer, este “pulmão da cidade” traz a
tranquilidade e calma inerente a um encontro com a natureza, e talvez num
sentido mais filosófico connosco mesmos.” (P3; 22 abril 2013; Duarte Natário)
Talvez Natário tivesse esse sentimento inocente de acreditar
que as promessas políticas, e discursos pomposos, porque este pulmão parece que
fuma demais, (tem dias), quanto ao encontro com a natureza, bem mais à frente
falamos, porque neste momento o parque já está a sofrer de ansiedade, sente já
no ar uma pressão inexplicável desde o dia 29 de abril.
Quando mais uma vez vi a placa que apresenta as delimitações
que vão existir nesse “Pulmão da Cidade”
(de 29 de abril a 17 de junho, esta área estará interdito ao público
entre as 19hrs e as 06hrs), e depois (de 27 de maio a 17 de junho, esta área
estará totalmente encarrada ao público ao longo de todo o dia e noite), seja,
durante os habituais 22 dias, pelo menos, o pulmão está inacessível, nem sei
como vamos poder respirar durante esse tempo. Mas dizia eu, quando vi o aviso,
veio-me à cabeça algo do género, qualquer meretriz é mais honesta no seu
trabalho. Porque na verdade estes avisos delimitativos deste espaço público que
nos traz a todos “tranquilidade e calma”, ou como diz o município “excelente
espaço para relaxar ou passear”, estes avisos são o grito estridente de uma
grande mentira, porque basta que alguém agite do outro lado que o contrato
havido antes de entrarmos no quarto muda logo de figura, que é basicamente o
que se tem passado estes anos com este evento, que transforma este espaço
público em privado por mais de 22 dias.
As regras presentes na entrada da Av do Parque, são ainda
algumas e nelas logo no inicio e em letras gordas lê-se “Não é Permitido”, e
faz parte das regras de utilização dos espaços verdes públicos, publicadas na
parte C do código regulamentar do município do Porto, mas como iniciamos este
texto, não nos podemos esquecer que este espaço é gerido por uma ou mais
pessoas que fazem dessa gestão a tal “sandbox” (adoro a expressão) onde podem
exercer todo o “poder do porteiro”, e assim subverter as regras presentes que
ainda são algumas, mas mais que isso desvalorizar a dedicação, e o apresso que
as milhares de pessoas tripeiros e turistas tem pelo espaço, e assim frustrar
todos e cada um.
São doze alíneas e dessas retirei três que me parecem
apropriadas, porque nas regras falamos de proteger este espaço verde, mas, tem
um mas.
Alínea 2 “Não é permitido […] fazer inscrições com grafitti
[…] em equipamento ou mobiliário”, e acrescenta-se a alínea 5 “Não é permitido[...]Danificar
equipamento ou qualquer infraestrutura…”, seja, estará aqui incluído os “elementos
de pedra” ou podemos colorir esses elementos para mapear a proibição privada do
espaço público?
Na alínea 3 pode ler-se “Não é permitido […] Danificar,
intervir ou retirar qualquer animal ou refúgios para animais, tipo de material
vegetal ou inerte existente”, será que esta proibição inclui não danificar o
relvado com estruturas várias, circulação de veículos (verdade que foram autorizados
pelo agora Dr.), e pessoas em massa, ou porque acreditamos e sabemos que a
natureza sempre se regenera, e por isso podemos sempre sacrifica-la mais um bocadinho,
afinal que é isto comparado com as questões climáticas que tão apaixonadamente
defendemos, na verdade nada!
Porque uma coisa é uma coisa, e outra coisa, é completamente
diferente, não podemos agora estar a misturar as coisas, afinal que mal faz o invólucro
de uma chicla no chão ao clima, nada, é só um.
Num dos vários placares existentes informando sobre as
belezas e regras do parque, temos um que diz “Ajude a preservar a biodiversidade”
que como é bem sabido por todos nós, trata-se de uma espécie de organismo que
de tempos a tempos faz uma pausa e permite que nos “olvidemos” de preservar o
que quer que seja, dessa diversidade, basta que alguém ou empresa pague pela
suspensão.
Dito isto questiono-me, será que os patos, gansos, guarda-rios,
galinha-d’água, garça-real ou o mergulhão-pequeno, alguns dos descritos numa dessas
placas informativas da biodiversidade existente no Parque da Cidade, imigram,
desculpem os animais migram, para outras paragens, eu já vi guarda-rios e
garças reais no douro durante as minhas remadas, mas pensei que fossem locais,
se calhar são imigrantes ilegais, vindos do Parque da Cidade. Para onde vão os
coelhos e demais animais, ou será que esta gente formada pensa que nós seres
humanos tendemos a fugir do ruido, mas porque apreciamos certa música essa não
representa ruido para estes animais, mas lá está eles/elas é que são pessoas
formadas, se calhar em engenharia paisagística e ou biologia, eu não sei nada.
Vá resumindo, é bom sabermos que fomos invadidos, no nosso “domicilio”
verde chamado de Parque da Cidade, verdade que não é a primeira vez, e que já tínhamos
reportado esta invasão anteriormente, mas mais uma vez o nosso jardim serve
para o churrasco de alguém, e nós não podemos brincar com os nossos animais, ou
relaxar tranquilamente ao sol porque na verdade somos uma vez mais vitimas de
uma fraude, prometeram-nos tranquilidade, a nós e aos animais, mas mais uma vez
seremos invadidos pelo ruido, pela batida, pela agitação.
Era só isso que tinha para vos dizer, seja, partilhar
convosco a minha opinião, porque ouvi dizer que o queimódromo não serve para
estes espetáculos, além de que, de quem foi a bela ideia de fazer um recinto de
festas junto de um parque repleto de biodiversidade, é assim que se diz não!?




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