Um rio demasiado grande do sul!

 

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Dada a proximidade que temos com o povo brasileiro, não tem como não saber e ou estar a par do que se passa no Rio Grande do Sul, mesmo que em outras partes do planeta cheias idênticas estejam a acontecer, não é à toa que chamamos de povo irmão.

 

Na minha turma temos umas quantas colegas (mais mulher até porque homem só tem um) brasileiras, e ontem depois de uma semana afastados a conversa não podia ser outra, as cheias no Rio Grande do Sul, e o sofrimento de todo um povo.

Na conversa não pode deixar de prestar atenção a dois momentos, um proferido por ela, outro por mim. Disse ela, que era maravilhoso ver a solidariedade das pessoas, “que coisa maravilhosa”, disse eu que também tinha visto relado de uma família que pretendia ir para casa dos pais, e que teve de o fazer em prestações porque sabiam haver arrastões na autoestrada, e para melhor esta minha imagem hoje assisti ao relado de um supermercado pilhado na totalidade, seja, sobreviveu ás cheias não sendo atingido, mas não sobreviveu à ignorância do ser humano.

 

“Não sei como será a terceira guerra mundial,

mas sei como será a quarta: com pedras e paus.”

 

Terá sido Albert Einstein quem proferiu esta frase e lembrei dela por uma outra razão simples, e mais uma vez numa conversa com um brasileiro, faz algum tempo. Quando saiu o filme “2012” comentando com esse amigo sobre o filme ele diz que chorou ao visionar no filme aquelas pessoas a serem engolidas pela terra, disse ele ser muito triste. Na nossa conversa eu disse, que não, aquilo foi apenas um evento natural, a terra respondeu a séculos de maus-tratos, e como consequência pessoas morrem nas catástrofes, e disse:

 

- Mas eu vou dar uma razão pra tu chorar mesmo! Imagina que aquilo acontece mesmo, e como em todas as catástrofes tem sempre quem sobreviva, imagine um grupo do qual você faz parte, cinco pessoas, que não comem à dias, e vocês acham uma lata de feijão. Vocês no vosso esquema de solidariedade que vos tem mantido vivos, decidem partilhar a lata de feijão, mas eis que chega outro grupo de três ou quatro pessoas, e que em vez de sugerir partilhar a lata convosco, quem sabe até fazer algo para fazer render o feijão, pega numa arma e mata cada um de vós para ficar com a lata de feijão! Qual das mortes é mais sem sentido, aquela que é consequência de catástrofe, ou o tiro que tu levou na cabeça por conta de uma lata de feijão? (deixo a questão agora pra vós que me leem)

 

Esta minha imagem, não muito diferente do que se passa com as pilhagens ou os arrastões que temos notícia, e nem venham com a vossa xenofobiazinha de achar que isso só acontece no Brasil, ou que é coisa de brasileiro, quando muito é uma consequência cultural de um povo ignorado pelo poder político que vê oportunidade de sobreviver e ou de amealhar até na dor dos outros. Os fenómenos, arrastam e ou pilhagem são bem mais complexos do que parece à primeira vista, ou na boca de um ignorante populista.

 

Na mesma conversa com a minha amiga eu respondi, quando ela falou que a solidariedade tem sido extraordinária, que só pode, o ser humano é por princípio solidário, bom, um ser afável, o problema é que ele cresce numa sociedade que já existe, que já está toda ela formatada em regras umas mais lógicas e sensatas que outras. Uma sociedade plena de preconceitos, e o problema adensa segundo a família onde cada um nasceu, uma família que já está muitas vezes presa nesse monocarril do preconceito porque sim, porque à, bê, cê disse ser assim, ou porque a instituição prega assim, e que quais metecaptos vazios de razão e senso critico aceitam e depois semeiam em seu redor.

 

Por isso que se estuda o crime, as dinâmicas sociais, o conflito, o ser humano enquanto ator social, para se tentar entender por exemplo porque é que já vivemos duas guerras mundiais, tendo sido a segunda de um degredo, de um genocídio abismal e mesmo assim o ser humano continua a pensar que há no mundo pessoas mais dignas de viver que as demais. Estuda-se para tentar entender porque é que em nome de um qualquer deus se matou por seculos (e se mata) e mesmo assim as instituições religiosas continuam cheias de seguidores.

 

Digo faz demasiado tempo, que não me importo de morrer com a mordedura de uma cobra, ou na boca de um leão, mas vou ficar muito zangado se morrer no fio de uma faca ou na explosão de um tiro, e vou perseguir para todo o sempre quem mo fizer.

Os primeiros são animais, alegadamente irracionais, os segundos alegadamente racionais apenas são ignorantes até à irracionalidade de me matarem por esta ou aquela razão.

 

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O ser humano é bom quando nasce e até ao momento de entender as cores, ou proferir o primeiro verbo, esse ser humano AMA sem filtro, para ele não tem homem ou mulher, ser humano ou animal, não tem pobre ou rico, preto ou branco, pra ele tem um ser na sua frente por quem nutre admiração, carinho, amor, que beija, abraça, partilha o lanche, até que um “adulto” lhe diga o que está ou não está certo nesse seu caminho até ai sem vedações ou barreiras.

 

O mundo como o conhecemos vai acabar, e eu desejo profundamente que seja com vulcões, terramotos, furacões e tornados, e as entranhas da terra expostas violentamente, para o ser humano não ter hipótese de ser ele pela sua imensa e extraordinária estupidez acabar connosco.

 

Aproveito para deixar o meu abraço sincero e repleto de energia para o povo do Rio Grande do Sul, mas também para todos os outros povos que neste momento padecem neste enfrentar do clima severo e intenso. Votos de muita paz e amor aos que choram seus familiares e amigos.


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