Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto - eu estava lá quando tudo começou!

 


Eu estava lá quando tudo começou!

 

2006, na Serra da Arrábida assistia a uma formação sobre VIH/Sida patrocinada pela então Comissão de Luta Contra a Sida, quando a certa altura fui interrompido com uma chamada do marido que soluçava emocionado, e me dizia “assassinaram a Gisberta”, pareceu-me irreal, por isso não sabia se tinha compreendido bem, ou se era a má recepção no Convento da Nsª Srª da Arrábida, ou se de fato no meu Portugal se iniciava atos de uma violência tão monstruosa como ceifar a vida de alguém apenas porque o preconceito falava mais alto. Belo presente teve o maridão no dia do seu aniversário!

 

De fato era verdade, Portugal acordava para um crime monstruoso a várias dimensões, primeiro porque a vida de alguém foi ceifada, depois porque quem ceifou essa vida era um grupo de menores, e porque as suas vidas para a sociedade e a política eram elas mesmas vistas como vidas inferiores, a dos assassinos e a da vítima, usando o título eram (talvez ainda sejam) vidas de um Deus menor.

 

Já andava entre nós ativistas do Porto a vontade de realizar uma Marcha do Orgulho a exemplo do que já havia em Lisboa, era preciso reunir vontades, pessoas com vontade de trazer para as ruas da ainda mui conservadora invicta a luta em curso pelos direitos das pessoas LGBT+ e, o assassinato de Gisberta foi o catalisador agre, indigesto, brutal, arrasador que num ápice reuniu uns quantos e dissemos tem mesmo de ser.

Se a dor de um assassinato não basta-se, e talvez para confirmar que Portugal estava em mudança, em Lisboa a Luna é encontrada sem vida num contentor do lixo, outra pessoa trans perdia a vida nas mãos da ignorância, do preconceito, foi em Lisboa sim, não é num filme, nem numa qualquer região violenta dos EUA ou do Brasil, foi cá num país que se dizia pacato, onde só se assassinavam mulheres casadas e ou enamoradas por crápulas sem sentido do que é ser-se homem, e que mesmo perante isto, este país dizia-se pacato.

 


Reunimos na sede da UMAR -União de Mulheres Alternativa e Resposta, a Lurdinhas como era conhecida, abriu a porta do seu lugar de trabalho a um grupo de jovens que queria organizar uma resposta em forma de luta, uma afirmação de que a barbárie do acontecimento não passou despercebida e menos ainda trancou os nossos armários.

 

Conhecia-os a tod@s uns mais que outros, e os que não conhecia fiquei a conhecer e fiz amig@s para a vida, espero. Fui convidado para fazer parte da organização, coisa que tendo declinado, acabei sendo aceite como sendo parte da organização de forma informal. Não faltei a uma única reunião, debatemos cada ponto com harmonia e a certeza de que tínhamos de mostrar que não aceitávamos de forma nenhuma ficar calados. Foi preciso fazer cartazes, e perante a ausência de capacidade financeira para patrocinar tal montante foi um amigo pessoal, e amigo de tantas outras causas, e dono de um bar gay, o Boys’R’Us, o Conde para nós, que financiou essa parte, e dois dias antes do evento o grupo perguntava-se a si mesmo em voz alta, “será que vamos ter gente?”.

 


Armamo-nos em políticos da política institucional, e fizemos um flyer com o rosto da Gisberta de um lado e no verso três histórias de dor que tinham acontecido com meses de diferença. A criança no Algarve que nunca foi encontrada e que sempre se achou teria sido os pais a matar e dar aos porcos que consumiram o corpo – a bebe que deu ás margens do Douro que uma avó queimou em água a escaldar – e Gisberta, uma mulher trans vitima de uma enormidade, vitima de si mesma que a levou a ser sem abrigo, vitima de patologias que a debilitavam, e no final vitima de um grupo de crianças que por três dias lhe ceifaram a vida aos poucos.


Munidos desta desgraça transcrita numa folha A6, fui eu e a minha amiga Mónica para o Bolhão, ás 8 horas da manhã, aguardamos que ficasse populoso e partimos à descoberta de uma propaganda nunca antes feita, uma sondagem para saber a recepção das pessoas a uma Marcha do Orgulho LGBT no Porto.

 

Antes de entramos as dicas de segurança que dissemos um ao outro, “nada de confrontar ninguém, nem tentar desdizer, em caso de agressividade sair e aguardar na porta de cima”, e de fato encontramo-nos na porta de cima, quase uma hora depois, e fomos incapazes de proferir uma única palavra sobre a experiencia que ali tínhamos acabado de viver, (tem coisas na vida que NINGUÉM nos tira), apenas desejamos um bom dia de trabalho um ao outro e dissemos, “logo falamos na reunião”, porque o que tínhamos para contar era emocionante, porque o amor que recebemos de vendedoras e clientes do mercado foi esmagador de bom, razão pela qual a emoção que sentimos na saída do mercado nos humedecia os olhos e nos calava a garganta, precisamos de tempo para absorver, e poder traduzir para os nossos amig@s.

 




No dia da Marcha – 8 julho 2006 – nunca tinha acontecido antes, frente a nós que nos aglomerávamo-nos nas escadas do edifico frente ao jardim 24 de Agosto, uma mão cheia de nacionalistas pretendiam fazer uma contra “manifestação”, que foi prontamente inibida pelo Sr Intendente da PSP que prontamente obrigou a recolher esses “senhores”, que posteriormente e cobardemente incitaram jovens a durante a Marcha lançar uns quantos impropérios, mas que foram prontamente silenciados por PSP’s à paisana que seguiam nas margens da Marcha.
 

Quem organizou sentia um misto de luto e alegria, o luto porque assassinaram uma das nossas, a alegria de, de fato termos saído à rua, e não estarmos sozinhas, mais coisa menos coisa, éramos uns trezentos bravos e bravas que esventrávamos as ruas da Invicta para pela primeira vez as pintar com as nossas cores, e sabem que mais …foi mágico, e não se volta a repetir, quase tão mágico como a 19ª Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto, realizada este sábado (29 Junho) onde se ouviu repetidamente, ABRIL, mas já lá vamos!
 

Chegados ao termo da Marcha, na praça D. João I, fez-se um minuto de silêncio pela memória de Gisberta, embora tivéssemos presente tantos outros nomes que se não assassinados, morriam diariamente às mãos da ignorância que os trancava à chave em armários pesados e escuros. Um minuto de silêncio onde se fez de fato silêncio, só se escutava a borracha da roda dos carros avançar sobre o paralelo.
 
Desse momento para cá muita coisa mudou, quer institucionalmente, quer socialmente (aqui ainda lento), como mudou a expressão desta Marcha, fomos trezentos na primeira, quando me vim embora já éramos milhares. Se na primeira, fomos um ponto naquela Praça D. João I, em 2018 a Praça foi pequena para tantos de nós e nossos aliados
 
A razão por que escrevo estas linhas é pela LIBERDADE, quando nasci não havia, mas como boa criança, o mundo para mim não tinha muros de espécie alguma, uma LIBERDADE que soube chegar aos seis anos, o ano que a minha irmã nasceu.
 
Não posso afirmar que nunca se ouviu antes gritar na Marcha do Orgulho do Porto “25 de abril sempre, fascismo nunca mais!”, mas posso afirmar que nunca se tinha escutado este grito com tanta veemência, nem nunca se tinha escutado o Grândola, hino da Revolução dos Cravos, nem nunca os cravos foram motivo do apelo à Marcha do Orgulho LGBT+ do Porto como nesta, a 19ª.
 

Um pouco pelo mundo, a que Portugal infelizmente e talvez inacreditavelmente não ficou de fora, cresce um sentimento e a presença da extrema-direita, no mundo não sei, mas diria que na Europa, este crescimento é como beber do sangue dos milhões de vidas perdidas durante a Segunda Guerra Mundial e de todo o processo do Holocausto. Por isso espero que a temperatura do sangue esteja bem quente a chegar ao estomago daquel@s que apoiam essa presença da extrema-direita, espero que vos faça vomitar as vossas entranhas no bueiro mais próximo, na sarjeta mais imunda da cidade, pela vossa falta de memória, pelo vosso desinteresse pela história da humanidade, porque caso não saibam, não somos os primeiros, houve vida antes de nós, e podíamos e devíamos aprender com os erros do passado, para ver se não os repetíamos, mais que não seja porque esses erros anularam vidas de forma indiscriminada, porque é isso que as extremas venham elas de onde vierem fazem, destroem!
 
E poderiam esses imberbes com idade para fazerem melhor, dizer que esta minha versão da sua existência não passaria da minha opinião, como se por ventura (calma, ventura de destino; acaso; felicidade; risco; perigo…não o outro), as opiniões fossem elementos de desvalorização apenas porque sim, ou porque de fato não sou um elemento da praça politica com púlpito aberto e por isso passível de ser desvalorizado, mas na verdade não é apenas uma opinião, é aprendizado obtido em outros púlpitos e na história que se estivermos atentos, acabamos aprendendo alguma coisa.
 
E por isso trago comigo 6 púlpitos históricos, que infelizmente já todos  nos deixaram o mais recente em 2016.
Não sou eu que falo do nefasto curso das coisas sociopolíticas extremistas, a sétima arte terá inúmeros exemplos, mas eu amo um que se chama “The Handmaid's Tale“, de Bruce Miller, para gente como eu que não é muito fã de séries, basta que vejam, observem melhor dizendo, os primeiros 5 a 6 episódios, para perceberem mesmo que de forma representativa o que é opressão, o que é extremismo, como disse, venha ele de onde vier, vem sempre para destruir.
 
Mas se a sétima arte pode ser interpretada como sendo fantasiosa, outros cérebros, alguns sobrevivos a esse tipo de regimes, como o caso de Primo Levi (1919 – 1987) que sobreviveu a Auschwitz (não preciso de dizer o que foi Auschwitz na realidade e o que é na história da vergonha humana, pois não?), escritor e químico italiano, escreveu sobre o que é a condição humana sob regimes opressivos.
Pronto tá bem, já estão a apontar o senhor como uma pobre vítima que está a falar em causa própria, e que por isso não se deve ter em conta, ele retrata uma questão pessoal se bem que povoada por, mais coisa menos coisa, um milhão e trezentas mil almas entre 1940 – 1945, algo mesmo muito pessoal.
Fui buscar então mais cinco, para quem talvez o fascismo nazi (extrema-direita) não tenha sido uma questão assim tão pessoal, e falo de George Orwell (1903-1950), escritor e jornalista inglês - Hannah Arendt (1906-1975), filósofa e teórica política alemã-americana - Umberto Eco (1932-2016), renomado escritor e filósofo italiano - Bertrand Russell (1872-1970), filósofo, matemático e ativista social britânico - Winston Churchill (1874-1965), estadista, escritor e orador britânico.
 
Penso que basta para não me sentir só, ou pensar que estou a balbuciar opiniões pessoais, sobre o desastroso que é alimentar essas “teologias” (foi de propósito) extremistas, de indivíduos que apontam uns quantos “bodes expiatórios” como fez Hitler com os judeus e demais elementos, como deficientes, negros, homossexuais, ciganos e em diante, para por um lado culpar alguém da infelicidade social, por outro, para com isso ganhar para si simpatias desesperadas por um messias qualquer. Houve um recentemente no Brasil que foge mais da justiça que rato do gato!
 
Estas são algumas das vozes, muitas feitas verbo escrito, que avisam, oferecem-nos  oportunidades de reflexão profundas sobre os perigos de regimes opressores e fascistas, apelam à nossa compreensão do que é de fato o totalitarismo e autoritarismo, e aqui não podemos nos esconder no ato democrático do voto, porque Hitler também ganhou as eleições, e esse foi o problema da cegueira popular.
Orwell, por exemplo mostra bem como regimes totalitários podem manipular a realidade e suprimir a individualidade através de propaganda, vigilância constante e repressão brutal. Ele mostra como a opressão sistemática destrói a liberdade e a dignidade humana, transformando-a e transformando a sociedade em uma prisão mental e física. Por sua vez Arendt, investigou as condições que levam ao surgimento de regimes totalitários, na sua obra "Origens do Totalitarismo", exibe como o nazismo e o estalinismo (vs Putin) o fazem, argumentando que esses regimes desumanizam tanto os perpetradores quanto as vítimas, criando uma sociedade onde a banalidade do mal se torna a norma, e a violência e a propaganda são usadas para manter o poder absoluto. Eco, em "Cinco Escritos Morais", alertou sobre o "fascismo eterno", destacando como as características do fascismo podem ressurgir sob diferentes disfarces e enfatizando a necessidade de vigilância constante para identificar e combater as novas formas de opressão que ameaçam a liberdade e a democracia.
Primo Levi, que será para os nossos protagonistas nacionalistas, talvez a pobre vítima, na sua obra "Se Isto é um Homem", oferece um testemunho direto dos horrores dos campos de concentração nazistas, refletindo sobre a capacidade humana de resistência e dignidade em face da desumanização extrema, mostrando como regimes opressores destroem vidas e corroem a moralidade. Bertrand Russell, segue o mesmo pensamento, ele critica o fascismo como uma reação irracional e destrutiva a crises sociais e políticas, (veem como eu falei, não estou só, foi exatamente o que fez Hitler, usou uma crise social e política, para apontar um bode expiatório e assim ganhar as eleições), argumentando que esses regimes manipulam o medo e a insegurança das massas para justificar a repressão e a eliminação da dissidência, promovendo uma cultura de intolerância e violência. Winston Churchill, através de seus discursos inspiradores durante a Segunda Guerra Mundial, destacou a ameaça existencial que o fascismo representa para a liberdade e a democracia, galvanizando a resistência contra o nazismo e enfatizando a necessidade de coragem e determinação para derrotar as forças opressivas.
Em conjunto, estes autores (e outros) fornecem uma compreensão abrangente dos mecanismos de opressão e das consequências devastadoras de pensamentos, ideologias e regimes fascistas.
 

E aqui chegados, vem este fenómeno magnifico de trazer a nós pessoas LGBT+ e oprimidos em geral, porque entre os milhares que desfilaram uma vez mais este sábado tem muito mais que LGBT+, as palavras, o pensamento, o grito de Abril e o hino que é o Grândola.
 

1974 no pós-revolução o então General Galvão de Melo (1910 – 2008) disse para quem quis ouvir que o 25 de Abril não teria sido feito para homossexuais e prostitutas, cinquenta anos depois na Marcha do Orgulho LGBT+ do Porto, assume-se o que nos quiseram sonegar, e que durante anos conseguiram, porque viver em LIBERDADE é viver sem medos, coisa que continuamos a lutar por conseguir esse direito em pleno, e gritamos “25 de Abril sempre, Fascismo nunca mais!” e, no caso de não bastar e ou alguém achar que estamos deslocados, escuta-se o Grândola mesmo que a partir de um telemóvel e projetado por um megafone. Escuta-se o Grândola numa Marcha do Orgulho com mais solenidade que se ouve o hino nacional num spot publicitário, onde se canta e ouve, sentado e de boca cheia, porque que interessa esse símbolo nacional perante a soberba do capitalismo desenfreado!?
 
E aqui chegamos a outro ponto que merece igual reflexão, o mês do Orgulho!
 
Múltiplas são as empresas e ou grupos empresariais que durante este mês tem um conjunto de slogans, imagens publicitárias e outros adereços que promovendo as suas empresas pretendem igualmente promover uma imagem de “tolerância” (logo aqui fico puto) para com a comunidade LGBT+, como que pretendendo dizer que são solidários para com a causa dos Direitos Humanos correspondente, quando na verdade tudo não passa de um apelo ao consumo das suas marcas e respetivos artigos e serviços por elementos dessa mesma comunidade com poder de compra para tal.
 

Já foi debatido no passado, e mais que uma vez, a questão de, …essas empresas contratam pessoas LGBT+? Garantem a essas pessoas as mesmas regalias que aos demais colaboradores? A remuneração destes é a mesma que a dos demais? Os acessos vários são iguais para todos?
 
São muitas as questões, estudos há que  , se por um lado mostram a importância das empresas apostarem na diversidade e na inclusão de pessoas nomeadamente LGBT’s, trazendo-lhes um aumento potencial económico (Diversidade e inclusão como fator diferenciador para obtenção de vantagem competitiva nas organizações, 2022), a verdade é que o estudo teve dificuldade em encontrar empresas que o façam, ou seja, que se preocupem em implementar medidas de inclusão.
Olhando por exemplo os canais televisivos, raramente encontramos um canal que durante este dito mês do orgulho não tenha junto do seu logo a bandeira LGBT+, contudo quantas durante esse mês exibem conteúdo LGBT+, uma vez que não o fazem durante o resto do ano?
Da mesma forma uma empresa que patrocina este ou aquele evento não a faz gayfriendly, porque uma coisa é um patrocínio pontual de um qualquer evento, outra bem diferente é patrocinar porque realmente se importa com a causa, e tem nos seus pilares enquanto empresa, regras claras de inclusão e diversidade. Sou capaz de perceber que em determinadas tarefas não tenhamos espaço para incluir por exemplo pessoas portadoras de mobilidade reduzia, (confesso que de momento não estou a ver nenhuma), mas não incluir pessoas só porque são LGBT+, não entendo.
 
Logo para que serve então a bandeirinha no canto superior do seu monitor?
 
Para o convidar a acreditar que aquela marca é boazinha, e que por isso devemos consumir dos bens e serviços, nada mais que isso. Se por um lado temos tudo isso, por outro essa bandeirinha até tem o efeito perverso de trabalhar a nosso favor, uma vez que ela desencadeia aqui e ali, reações de grupos fascistas, homofônicos que na corrida da sua pretensão acabam dando visibilidade á luta das pessoas LGBT+, assim como a presença das bandeirinhas nas marcas que nos exploram, tem o efeito pedagógico de que quanto mais se vê mais de entranha, mais se normaliza, uma espécie de pau de dois ou três bicos! 
E este pensamento aplica-se aos políticos institucionais, aqueles dos partidos políticos que de tanto em tanto tempo vamos a votos para decidir quem assume o poder de regular as nossas vidas, que apenas estão presentes nas Marchas do Orgulho, ou estão muito disponíveis para tirarem fotos connosco, mas depois não tempo para nos ouvirem e ou nos integrar nos seus grupos de trabalho, decidindo sobre nós segundo os seus preconceitos, segundo as suas teorias do que é ou não certo para as nossas vidas.
 
É por isso e mais, que as Marchas que lutam por Direitos Humanos, como o caso das Marchas do Orgulho FAZEM de fato todo o sentido, porque algures nesse mundo existem “Hitler’s” aguardar por uma crise social, económica ou politica, para apontarem “bodes expiatórios” e galgarem esse terreno estéril de consciência histórica, politica e social, e que por isso leva as pessoas mais incautas a acreditar num falso messias capaz de soverter este sistema capitalista que sendo democrático é ele mesmo tantas vezes subversivo e opressor, mas isso já nos levaria para mais um tema que talvez tivesse como titulo, “Quanto do estado democrático é na realidade opressor?”, mas hoje não.
 
Esta foi então a 19ª Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto, debaixo de uma pressão sentida pela demanda visível da extrema-direita, que fez desta Marcha um espaço de eco da LIBERDADE uma expressão que a mim lembra uma frase que teve origem no Brasil que é, “mexeu com uma mexeu com todas”, aqui aplicada no sentido que quando, e se, a ideologia de extrema-direita tiver palco ela não vai mexer apenas connosco, ela vai mexer com TODOS!


Em 2018 quando da minha saída da co-organização da Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto vi a Prç D. João I pequena demais para tod@s nós agradeci aquilo que assumi como um presente de despedida, agora aguardo por TOD@S vós e mais na 20ª Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto para o ano, 20 anos a fazer mexer as pedras da calçada, a rasgar o asfalto da opressão, que merece ser celebrado com toda a força e coragem fazendo abanar os medidores sísmicos dizendo a Portugal e ao mundo, que é possível vivermos TOD@S num mundo melhor, onde e como dizia a faixa da 1ª Marcha do Orgulho LGBT+ do Porto, tenhamos "Um presente sem violência; Um futuro sem diferença"




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