“Não interessa como começa uma guerra nuclear, ela termina em 72min., e 5 biliões de pessoas mortas…”

 

                        (photo by: Super Interessante)


Não consigo evitar, é mais forte que eu, esta minha inclinação para observar o que nos rodeia, esse impulso é tão grande que faz ou está a fazer cinco anos que não vejo noticias, nem assisto tv nacional. Prefiro assim, para ficar longe de uma realidade que vou sabendo a conta gotas, pelas redes sociais ou porque alguém como o marido me vai mantendo minimamente a par.

Recentemente tive o prazer (mórbido que seja) de assistir a um podcast onde a entrevistada é uma jornalista de investigação, que lançou (mais) um livro intitulado “Nuclear War”, onde ela aborda de forma detalhada os processos vários, incluindo históricos, que levam a uma guerra nuclear, mas também como ela pode tão facilmente acontecer, e se acontecer ela será sempre culpa do primeiro (será?), e será sempre a última guerra que a humanidade viverá.

 

“No matter how nuclear war begins,

end in 72min., and 5 billion people

would be dead…” (Annie Jacobsen)

 

Assistir à entrevista, que deixarei o link para que também possam assistir, (mas preparem-se, é longa), fez com que me viesse à memória filmes como “The Day After” de Eduard Hume (1983), que nos presenteia com uma imagem teatral, e diria até em medida romantizada, daquilo que foi vivido na pele pelos habitantes de Hiroshima e Nagasaki (6 e 9 agosto 1945), uma guerra nuclear onde não há vencedores.

A entrevista revela uma quantidade de inquietações, algumas que poderemos viver enganados por representações da sétima arte, ou porque idealizamos que algo tão sério como lançar um míssil ou dezenas deles, na direção de uma qualquer nação, não pode ser decisão de uma só pessoa, só que não, há mesmo no mundo quem viva com esse poder na mão, e não será apenas as pessoas que acharemos mais óbvias, como ditadores. Na entrevista poderão inclusive escutar a história de que um presidente de uma democracia conhecida mundialmente, numa bebedeira gritou ter o poder de acabar com o mundo, um mundo de mais de 70 mil engenhos nucleares à época, teoricamente hoje com mais ou menos 12 mil, e a pergunta que se faz é – Para quê?


“Não sei como será a terceira guerra mundial,

mas sei como será a quarta: com pedras e paus.”

(Albert Einstein)

 

Explica a entrevistada de forma resumida o processo, porque a senhora é americana ela situa a representação no seu país. Assim imaginemos a possibilidade cada vez mais real de o senhor das neves, o Putin, lançar um míssil cruzeiro para a capital dos EUA, ou NY. Os EUA possuem satélites capazes de identificar o míssil em segundos, e daí em diante tem mais coisa menos coisa 30min para tomar uma posição, que será disparar outro no sentido oposto, ou vinte, e do outro lado a coisa se repetir e dai escalar para, ora agora mandas tu, ora agora mando eu, e assim o mundo conhece o poder da explosão nuclear e todo o seu nefasto odor nauseabundo.

Tem uma quantidade de consequências após esses 72min que vão alterar para sempre o mundo como o conhecemos, e pode mesmo desencadear outros acontecimentos, nomeadamente naturais por consequência de um bombardeamento nuclear.

Olhemos estas contas: sabendo que uma explosão de 10 kilotons de TNT pode causar um tremor com uma magnitude na faixa de 5,0 a 5,5 na escala Richter, qual será a magnitude desse abalo com a explosão de um míssil cruzeiro como aqueles que podem vir da Rússia aos EUA e vice-versa? Eu ajudo a pensar um míssil cruzeiro pode ser equipado com uma potência entre 5 e 150 kilotons no caso dos EUA, um míssil equivalente russo pode ter consigo uma potencia de 200 kilotons, seja, se quando se ataca se pretende o maior estrago possível, não estou a ver alguém carregar os ditos com 5 kilotons, assim e olhando as potencias atribuídas imaginemos um míssil com uma potencia de 150 kilotons o abalo terrestre seria de 5,5 a 6,0 na escala de Richter. Um abalo de 6.0 nessa escala destruiria muitas das habitações mais antigas, bem como outras que mesmo não antigas são de construção débil. Imaginemos esse mesmo míssil cair em Montana nos EUA e a menos de 100km do super-vulcão que aguarda a sua oportunidade no subsolo do parque de Yellowstone. Esse impacto e o seu efeito como tremor de terra pode, não seria nada demais, abrir o caminho que o vulcão precisa para explodir.

 

“…bomba de hidrogénio lançada em 1961. Chamada Tsar Bomba e construída

 pela União Soviética, o seu poder explosivo ultrajante era 1570 vezes mais

poderoso do que as bombas usadas em Hiroshima e Nagasaki juntas,…”

(ZAP.queiou; 9 junho 2024, Adriana Peixoto)

 

Compliquemos este nosso pensamento!?

Olhem os seguintes dados divulgados pela CNN Brasil e que revelam o arsenal nuclear espalhado pelo mundo:

A Rússia possui 1.822 ogivas implantadas e 521 mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs), mísseis balísticos lançados por submarinos (SLBMs) ​​​​e ogivas destinadas a bombardeiros pesados.Se também forem contabilizadas as ogivas não implantadas, armazenadas ou aguardando desmantelamento, o arsenal total chegaria a 5.580 armas.

Os EUA possuem 1.679 ogivas implantadas. Se também forem contabilizadas as ogivas não implantadas, armazenadas ou aguardando desmantelamento, o arsenal total chegaria a 5.328 armas.

A China possui 500 ogivas e aproximadamente 134 mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) com capacidade nuclear.

A França possui aproximadamente 290 ogivas nucleares.

O Reino Unido possui aproximadamente 225 ogivas nucleares.

O Paquistão possui cerca de 170 ogivas nucleares.

A Índia possui aproximadamente 160 ogivas nucleares.”

Além destes há ainda a suspeita de haver outros países como a Coreia do Norte, o Irão e Israel possuírem armamento nuclear, e porque eu falo destes arsenais?

 

“Agora, eu me tornei a morte, a destruidora de mundos”

(Robert Oppenheimer)

 

Estes são os países pertencentes à NATO - Albânia, Alemanha, Bélgica, Bulgária, Canadá, Chéquia, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estados Unidos, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Macedónia do Norte, Montenegro, Noruega, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, Roménia, acham mesmo que perante um ataque da Rússia sobre os EUA, os países aqui presentes e que possuem armamento nuclear não vão também eles serem alvo de idêntico ataque? Sabendo que os submarinos nucleares dos EUA (e russos devem ir pelo mesmo caminho) estão em constante circulação e perto de países como Rússia e Coreia do Norte ou China, a possibilidade de a resposta vir do mar é mais que muita, e então, olhando todas estas reais possibilidades como imaginam essa guerra está de fato eminente, porque ela está aí a bater-nos na porta dos fundos, nós é que fazemos o possível para não escutar essa batida, porque a nossa vida do dia-a-dia não é uma coisa vivida em macro, é uma micro politica, consumo, preocupações. Importa o trabalho, ter dinheiro para as contas do mês, sobreviver com o mínimo de dignidade possível, olhar o mundo com esta preocupação é privilégio ou calvário de alguns.

 

“O otimista pensa que este é o melhor de todos os mundos possíveis.

O pessimista receia que isso seja verdade. “  (Robert Oppenheimer)

 

Afastado das notícias faz cinco anos, não estou desprovido de atenção, e estes dias num estabelecimento lia algo assim no rodapé de um noticiário, “Putin ameaça aliados da Ucrânia” a loucura anda à solta e nós andamos à deriva neste mar revolto. Verdade que potencias como a China tem estado em lume brando, com abstenções e tentativas de apoiar o país vitima, sem se posicionarem de fato a favor ou contra nenhum dos dois, mas países como Síria, Venezuela, Cuba e Nicarágua, manifestaram apoio a Putin, na verdade penso eu que estes países tem não um voto a favor de Putin, mas sim contra os EUA, olhando o mapa, como acham que estes apoios vão reagir quando um deles der o primeiro, que será também o último!?

 

Na verdade, tem uma forma de nada disto acontecer, com um peso em vidas, político e económico elevado, mas tem. Imaginemos que Biden não responde a um míssil russo, imaginem que ele, Biden, em conjunto com os países da NATO consegue apontar os “fuziles” todos para Moscovo, e Putin percebe que a festa já foi longe demais, e que o que vem a seguir não é o fim dos EUA, mas o fim do mundo e de Moscovo? Remota esta ideia, talvez, mas uma possibilidade. O mesmo se pode considerar ao contrário, se os EUA atacarem a Rússia, numa das suas cidades emblema, como o caso de Moscovo, e assim ele percebe que se responder não será apenas Moscovo que vai perder, e baixa as armas?
Tudo hipóteses, mas confesso que o mais provável é mesmo que ao primeiro espirro, todo o mundo fica contaminado, e perece!

 

O mundo como o conhecemos está num ponto de viragem, e nem um século passou depois da segunda grande guerra. Uma viragem que se dará ora pela guerra, ora por eventos naturais, mas vai acontecer e isso é fato, não hipótese, e eu compreendo essa viragem quando natural, enquanto resposta da Mãe Natureza, mas tenho elevadas, se não toda a dificuldade em entender essa viragem por uma guerra.

Não posso associar com certezas uma espécie de esquizofrenia que sinto a sociedade estar a viver uma situação de estar mais consumidora, mais violenta, mais, tudo parece estar a ser mais, e como disse não posso associar este exagero ao que o mundo está a viver. Mas essa eminencia de uma guerra mundial, ou de um evento natural de dimensões bíblicas, não posso ignorar, e para poder afirmar o que penso teríamos de reunir uma boa amostra e inquirir sobre, mas assim de longe apenas fica a questão: 

- Será que todo este exagero se deve a essa sensação do fim?

 

Já termino, não se apoquentem, e termino questionando quem tem esse poder de acender o rastilho do fim, se alguma vez perguntaram aos seus filhos, aos jovens da primeira classe, já perguntaram aos sobreviventes da 2ª Grande Guerra, apenas e só, se estão certos? Questionar estes sobre o poder que reside em vós, se deve antes de mais existir, depois, se faz algum sentido usá-lo!? Lembrei estas questões ao recordar Anne Frank.

 

“Como é maravilhoso que ninguém precise esperar um

minuto sequer antes de começar a melhorar o mundo”

(Anne Frank)

Como prometido vou deixar-vos o link (https://www.youtube.com/watch?v=asmaLnhaFiY) para a entrevista com Annie Jacobsen, que me inspirou para esta redação, como disse é longa, terão de se munir de bebida e quem sabe pipocas, talvez doces, porque o conteúdo é deprimente se não preocupante, espero, contudo, que o meu texto, e a entrevista sirva para reflexão, e esperemos todos podermos acordar amanhã de manhã com mais certezas de futuro!


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