Para que servem os cientistas, se depois os ignoramos!?

 

(photo by:  Olhar Digital)


É sabido porque quem me conhece minimamente que sou aquelas aves agoirentas da idade do gelo (abutres), que sabendo que as águas estão a subir e anunciam às suas potenciais vítimas, que faram parte da mesa farta desses agoirentos.

 

Quem me conhece minimamente terá já lido mais que uma vez textos meus que falam de um fim de mundo que poderá chegar das mais variadas formas, e hoje mesmo (29-07-2024) assisti a um programa no Odisseia que mostrava o trabalho empenhado e árduo, (mais que não seja pelas condições climatéricas), de um conjunto de cientistas no ártico que desenvolveram diversas experiencias que reforçariam (ou não) as imagens conseguidas pelos satélites de que os polos estão a diminuir, e se os polos diminuem o nível das águas do mar, aumentam, uma espécie de lógica que parece ser fortemente ignorada pelos mesmos que financiam este tipo de investigação, …vamos tentar explicar.

 

Diversos Estados financiam este tipo de investigação, no sentido de conhecerem os efeitos das indústrias e outras atividades sociais sobre o clima. Querem saber porque os cientistas um pouco por todo o mundo alertaram que os polos estavam a derreter, e que isso traria complicações à sobrevivência do planeta, vá, o planeta esse viverá sobre estas alterações, mas as pessoas e animais, esses nem por isso.

 

Durante o programa uma das cientistas falava que teriam de conseguir concluir os trabalhos a tempo de ela os poder apresentar numa tal conferencia climática que ela estaria presente para falar das conclusões dos estudos realizados em conjunto os dados obtidos pelas imagens satélite dos polos, e em particular do ártico.

 

Ao ver o programa e esta fala da cientista, questionei-me:
- Para quê que esses Estados financiam este tipo de investigação, de valores incomensuráveis se depois, de apresentados, não passam de um conjunto de folhas timbradas e redigidas com dados científicos? Dados que nunca se tornam verdadeiramente ação!?

 

Poderíamos recorrer à sétima arte que é para mim uma dimensão mais que óbvia do que de fato seria se… porque acredito que a sétima arte é um reflexo das conversas de bastidores, havidas nos mais variados corredores, desde os corredores dos centros de investigação aos corredores dos poderes políticos, e depois de esses murmúrios serem rescritos surge mais um filme do fim do mundo.

Olhemos por isso o filme 2012. Como decorre todo o enredo? O nosso herói descobre que o mundo está por um fio, porque tem a “felicidade” de encontrar no seu caminho pessoas mais informadas que ele que o alertam, também porque ele é observador, mas e o resto dos mortais? Nada sabem, vivem as suas vidinhas olhando os acontecimentos um depois do outro, até ao caos completo.

 

Contudo há um grupo de indivíduos que sabem bem do que se está a passar, até financiaram a construção de umas “arcas”, os próprios trabalhadores não estão muito certos do que se está realmente a passar.

 

Foi exatamente esta imagem que me assaltou quando ouvi a fala da cientista que estava no ártico a trabalhar para apresentar dados científicos do que se está a passar, e das consequências para o mundo.

 

Peguemos no primeiro mundo, faz tempo que Miami se vê a braços com enchentes, parte do território está abaixo do nível do mar, e com alguma frequência água brota do chão alagando ruas e garagens.  No programa onde vi este fenómeno documentado, pôde ver que diversas manobras de engenharia estavam a ser colocadas em prática no sentido de enfrentar esta adversidade, e manter a qualidade de vida dessas pessoas que aí residem, trabalham, tem as suas propriedades e claro se divertem. Mas os limites onde vivem muitos dos trabalhadores a força de trabalho menos intelectual, essas enchentes continuam a acontecer e o governo local, não parece ter um plano de ação para essas localidades. Assim se manterá enquanto for suportável pelos residentes, porque quando deixar de o ser a instabilidade social será uma realidade, se bem que a política é um vigarista astucioso, e o povo elementos fáceis de convencer.

 

(photo by: EcoDebate)

Se o cenário é este numa localidade do primeiro mundo que os cientistas do ártico anunciam que irá desaparecer com a subida do mar, como pensam que será por exemplo no Bangladesh que muito além da área costeira terá igual destino, alguém acredita que o governo desse país está preocupado com a população residente nessas áreas? Bem, se tem, parabéns, imagino a pessoa escondida no Natal na expectativa de ver o Pai Natal a descer pela chaminé!

 

Então pensei, que os governos que financiam estes estudos, e participam destas conferencias estão, ou estarão, a procurar soluções para se salvarem, se for hoje, ou para salvar uns quantos sortudos por alegadas capacidades de vária ordem no futuro, mas NUNCA estarão a pensar em salvar o povo, ou o maior número possível de todas as pessoas.

 

Foi assim durante por exemplo a segunda grande guerra, quando aliados e a URSS estavam mais preocupadas em discutir territórios de influência que salvar pessoas; Apontaram o dedo ás violações nazis, mas esqueceram de se olhar no espelho as suas violações, …o povo, não é e não será nunca, (pelo menos enquanto assim quisermos), prioridade real de qualquer Estado.


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