A dor nem sempre é uma coisa unilateral!

 



A dor nem sempre é uma coisa unilateral!

 

Quantas vezes somos alvo de situações que nos provocam dor, ou porque somos vítimas de algum acidente, ou porque estamos ligados a pessoas que atravessam momentos menos positivos a diversos níveis e por eles sentimos dor, dor pela sua dor, porque são amigos e ou familiares.

 

Não pretendo em momento algum discutir se as dores físicas são mais ou menos sérias, ou fortes, ou intensas que as dores emocionais, e que estas são mais ou menos intensas segundo a relação de proximidade e ou filiação que tenhamos com a pessoa em sofrimento, até porque as relações têm sempre dois sentidos, e nem sempre sentimos da mesma forma, essas mesmas relações.

Como costumo dizer, “tu podes não ser o melhor amigo, do teu melhor amigo!”

 

Dito isto vou contar-vos um pouco mais de mim, desta feita sobre a dor.

Pessoalmente, mesmo não sendo nenhum super-homem por norma sou de ficar calado com as minhas dores, suporto-as em silencio, são as minhas dores e não pretendo ocupar espaço na vida dos demais, mas por outro lado estou sempre disponível para escutar e tentar melhorar a vida de quem está menos bem, seja a dor deles física ou psicológica.

 

Nos últimos tempos a dor tem estado presente na minha vida, direta e indiretamente. Diretamente porque as perdas tem sido demais, algumas amizades têm partido a meu ver cedo demais, e algumas de forma ora violenta, ora envolvidas numa dor perlongada, e em nenhum dos casos essas perdas foram de fácil aceitação.

Em 2018 perdi alguns amigos, dois deles partiram pelas suas próprias mãos, e um deles, talvez pela proximidade, tem dificultado o seu luto, e no final do passado ano, esse sentimento de perda, voltou com uma força tão grande que fez render-me, e pedir ajuda profissional, melhorou, mas não resolveu, sendo que hoje pelo menos já voltei ao rio.

 

Mas como disse antes essa dor é minha, e tenho de ser eu a resolvê-la, até que ela se dissipe e se transforme numa memória, ou em algo que faz parte como tomar o pequeno-almoço todas as manhãs. Mas tem a outra dor, a dor que é refletida em nós, e sobre a qual nada podemos fazer. Bem na verdade poderíamos ignorar, mas não estou formatado nesse sentido, no meu caso, viveria melhor num mundo onde todos fossem felizes, mas infelizmente a felicidade de uns parece atrair a infelicidade de outros, que por serem infelizes pretendem acabar com a felicidade de quem a vive.

Por outro lado, eu tendo a sentir essas dores, dizem que somos sensitivos, não sei se serei isso tudo, mas a verdade é parece que tenho essa facilidade de por um lado sentir quando as pessoas estão menos bem, e por outro lado, não tão agradável, sentir mesmo dores físicas e ou psíquicas porque alguém que me é próximo (ou não), está num momento menos bom.

 

Vai depender muito de como eu reajo ao que sinto, por vezes afeta-me e muito, outras vezes apenas um sentimento de angústia, e ou mal-estar.

Neste momento para além das minhas memórias que de alguma forma me impedem de sorrir mais, falar mais, concentrar mais, tenho gente que me é próxima que mesmo sem me dizerem que não estão bem, eu sinto-as, e a limitação de não ser uma espécie de Deus cheio de poderes extraordinários capaz de obliterar e ou reduzir o seu sofrimento, deixa-me com esse sentimento de dor partilhada.

 

Se TODOS fossemos mais atentos sobre as dores que no rodeiam, podíamos minimizar as causas dessas dores, e por vez para isso acontecer basta uma palavra, um abraço, tornar os momentos do outro bons momentos.

 

Não precisa de se preocupar comigo aqueles que se sentem meus amigos(as) para mim é algo que faz parte da minha existência, não é de hoje que sou assim, até porque ao longo do tempo graças a outras pessoas amigas, aprendi a controlar alguns desses sentimentos, e faço-o o melhor que sei, por vezes até lamento não ter outras faculdades associadas porque sinto-me bem poder de alguma forma, por muito simples que seja, ajudar quem esteja num momento menos positivo.


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