Sobrevivemos num caos ainda respirável! Até quando eu não sei!

 



Sobrevivemos num caos ainda respirável!
Até quando eu não sei!

 

Este texto não vai ser fácil, pois ele poderá revelar um lado meu que alguns, muitos, não conhecem, um lado militarista qb que respeita um conjunto de regras, no sentido de proporcionar a tod@s uma sociedade mais sã, e arredada de meliantes delinquentes, e ou apenas pessoas com práticas delinquentes que colocam em causa e em risco a paz social, por isso a sã convivência.

 

(imagem by: Freepik)

Já conhecia a teoria, mas tendo experimentado algumas disciplinas de criminologia na licenciatura e agora no mestrado desta disciplina, a Criminologia, pôde aprofundar o meu conhecimento sobre a “Broken Windows Theory” concebida pelos investigadores sociais James Q. Wilson e George L. Kelling na década de 1980 (Escola de Chicago). Esta teoria sugere que pequenos sinais de desordem e desrespeito às regras (incluindo a lei) em um ambiente, como o caso que dá nome à teoria, janelas quebradas, pichações, sujeira ou pequenas infrações, podem levar ao aumento de crimes mais graves. A ideia central é que a falta de cuidado com o espaço público cria uma sensação de abandono e permissividade, o que encoraja comportamentos criminosos.

 

Por exemplo recentemente estive em Omã, e verifiquei isso mesmo numa das cidades que visitamos, em que as vielas onde não passavam gente estavam cheias de todo o tipo de sujidade, seja, como não passava ninguém alguém começou a despejar resíduos ali, e os demais seguiram essa pessoa.



E é aqui que reside o meu titulo desta redação, existem pontos de caos, comportamentos mais ou menos isolados, que funcionam como vielas que não passa ninguém, ou como vidros de uma janela quebrados, que na ausência de cuidado, reparo, ação legal, esses pontos de caos acabam sugerindo que vivemos ou sobrevivemos nesse mesmo caos, mesmo que ele não seja connosco, mesmo que não seja no nosso prédio, na nossa rua, sabemos que ele existe e que a sua impunidade potencia, estimula, que outros novos pontos, espaços, venham também a sentir esse caos.

 

(Caso 1)

Recentemente houve uma ação do IRA aqui num bairro perto de minha casa. Houve uma denuncia de que um cão estaria a ser maltratado por diversos adolescentes, infligindo diversos tipos de sevicias ao animal. Com a ação do IRA o cachorro conheceu mais uma oportunidade de vida, mas onde ficou a identificação dos maus feitores?

Mas a pergunta que não cala é mesmo, e se fossem identificados, o que é que realmente aconteceria a esses jovens, alguns menores até que a idade de consentimento!?

A verdade é que NADA!

 


(imagem by: Depositphotos)

(Caso 2)

Alguns anos atrás, houve um grupo de delinquentes adultos que vieram desde a Póvoa do Varzim até Matosinhos a praticar vários tipos de crime, como roubo em cafés, supermercados, tentativas de roubo automóvel em modelo “carjacking”, e chegaram mesmo a balear um segurança.

Defendidos por o “brilhante” João Nabais, porque durante todo este ataque estiveram sempre encapuçados, nenhuma das vítimas conseguiu identificar os suspeitos.  Quanto aos policias que os detiveram depois de uma perseguição tipo filme, embora tenham retirado os capuzes desses elementos, a verdade é que de nada serviu, porque as testemunhas só identificaram o carro onde os suspeitos circulavam, mas como não identificaram nenhum dos suspeitos dado que estavam encapuçados, não puderam corroborar a fala da PSP. Posto isto, terão saído em liberdade, se calhar com uma multa por excesso de velocidade e condução agressiva, e no máximo se o carro não era de nenhum dos ocupantes, foram acusados de furto de veículo automóvel, e deixa adivinhar, punidos com pena suspensa, …confesso, que não sei!

 

(imagem by: unknown)

(Caso 3)

Na verdade, este não é um caso, mas casos, são diversas as infrações que assistimos diariamente carros estacionados em cima de passeios, em lugares de pessoas de mobilidade reduzida, e até pequenos (Brohen Windows) atos de violência nas ruas sobre o mais variado leque de pessoas, e até o bullying no espaço escolar (e não só), e mais haveria para referir e engrossar esta lista por si só já demasiado pesada.

Quando estes eventos acontecem e os infratores são identificados, o que é que acontece? NADA!

Uma multa aqui, uma advertência acolá e o “caos” segue, e nós vamos respirando no meio desta imundice.

 

Dirá alguns de vós, e sobre o caso 3:

- JP queres levar preso quem estaciona no lugar dos “deficientes”, ou um puto reguila que faz bullying sobre os colegas?

 

(imagem by: Depositphotos)

Não, penso que não quero levar ninguém preso pelo menos nestes casos em específico, até porque está provado que a severidade por si só não é uma resposta ao crime que faça acontecer a sua diminuição, mas a efetividade, essa, tem um peso considerável na potencia de redução do crime. E já agora desengane-se quem pensa que este meu discurso se deve porque estou a estudar criminologia, porque já sabia destes fatos muito antes, aliás esta minha fase de estudos (licenciatura e mestrado) tem servido para confirmar muitas das minhas observações ao longo da vida.

 

E chagados aqui, podemos desenvolver outras dimensões do meu título, que refiro como caos, o “mundo” em que vivemos, ora vejamos!

A teoria do “Broken Windows” tem as suas virtudes, mas não escapa a críticas, e uma delas (minha) é que se efetivamente aplicada, ela pode dar uma sensação de ditadura, muito embora eu não a entenda assim, mas pode haver quem a olhe dessa forma. Porque, e desculpando o vernáculo, não se pode mijar fora do penico que já estamos a braços com a lei. E na verdade sim, mas não observo a coisa como negativa, porque na verdade o que é mesmo negativo é o fato de alguém “mijar” fora do penico, sendo que mijar na via pública pode ser crime, … O regulamento da CML, atualizado em 2019, por exemplo, contempla a aplicação de coima a quem urinar na via pública, uma coima que pode ir até aos 1500€, contudo a mesma CML não tem no seu espaço, e nomeadamente nas áreas de maior concentração lúdica noturna mobiliário (o bastante pelo menos) destinado ao ato de “verter águas”.

 

Uma outra lacuna, não da aplicação desta teoria, mas da forma como a lei é aplicada hoje, é que HÁ um conjunto de pesos e medidas aplicadas em função do status social do infrator, a sua etnia, e a qualidade ou fama do advogado que tenha para o defender.

(photoby: RTP)


Quem não se lembra dos filhos do então embaixador do Iraque em Portugal (na altura com 17 anos) que em 2016 espancaram o jovem Rúben Cavaco em Ponte de Sor? Que lhes aconteceu, …NADA! Primeiro os jovens delinquentes “puseram-se ao fresco” para a terra deles, e depois em 2018, um acordo extra-judicial celebrado entre a família do Rúben e o agora ex-embaixador, que avaliava a vida do Rúben em 52 mil euros (40 de indeminização e 12 despesas médicas).

 

https://www.jn.pt/justica/deputado-multado-por-excesso-de-velocidade-4513395.html/

Que aconteceu ao deputado que em 2015 conduzia a 120km/hr num troço em que a velocidade máxima era de 90km/hr, quase nada, pagou na hora 120€, e armou-se em pavão da Fuzeta num comportamento desrespeitoso para com as autoridades que o atoaram.


 https://www.facebook.com/watch/?v=10155688374118231

Quem não se lembra de umas imagens num qualquer programa de televisão onde um cantor português exibia a potencia motorizada do seu veículo conduzindo a 190-200km/hr? Ao que adicionou a condução ao telemóvel! E que lhe aconteceu, …isso mesmo NADA!

 

Este é parte do caos em que sobrevivemos, onde nos é ainda permitido respirar normalmente, com a exceção dos animais que morreram por maus tratos – com a exceção das pessoas que perderam os seus bens (ou a vida) no cano de um qualquer fuzil empunhado por um qualquer energúmeno – com exceção dos jovens que se isolam e em casos estremos se suicidam empurrados pela pressão dessa coisa reguila de outros jovens que conhecemos hoje como bullying – as pessoas que tiveram de caminhar longas distancias porque o seu lugar de estacionamento estava ocupado porque quem nem devia ter carta dado o atraso cognitivo que parece possuir – ou ainda aquela pessoa idosa que se viu humilhada por meia dúzia de garotos sem limites, ou a jovem perseguida e assediada a caminho da escola, por indivíduos do sexo masculino que tem necessidade do show ridículo de testosterona para se sentirem do género consonante com a merda que tem no meio das pernas, …todo este caos (e mais) representa os “Broken Windows” da nossa sociedade, que na ausência de ação efetiva (efetividade), sem uma punição adequada e instrutiva não apenas punitiva, e tudo efetuado como se faz com os cachorros, o mais célere possível, (a celeridade torna mais presente a punição), sem estes três componentes, os vidros dos nossos dia-a-dia vão continuar a serem quebrados com a potencia de se tornarem cada vez mais violentos.

 

(imagem by: unknown)

Temos um exemplo em prática desta efetividade, e celeridade, e proporção, o código da estrada, ...é no momento que temos de saldar as nossas coimas (penso que exceção para mau estacionamento), e determinados comportamentos na estrada representam a retirada de pontos no momento da infração, seja, conseguimos aqui a confluência das três primordiais situações na educação dos indivíduos, aqui no caso, os condutores e condutoras, a proporcionalidade, a celeridade e efetividade. Sendo que mesmo aqui, se sabe que uns serão filhos da mãe e os restantes filhos da outra, “de outra realidade menos” acompanhada pelo sistema de privilégio.

 

Prova desta comparação, é o fato de que se noticia que desde 2016 houve uma melhoria gradual na segurança rodoviária. Claro que nem todos atendem a estas regras, como nem todos que já estiveram em carcere voltaram à atividade criminosa, para muitos as regras sociais assumiram um papel de respeito no seu dia-a-dia, para outros nem por isso.

Pender por prender, deixando os reclusos ao seu destino em ambientes de grande tensão como as prisões, não é de todo o certo, as pessoas foram parar ao sistema porque as suas vidas, as suas capacidades emocionais, terão limitações que os empurraram de algum jeito para o mundo do crime, em busca de resposta para as suas carências físicas e emocionais. Cada individuo não é um vaco do que quer que seja, cada individuo é além da sua estrutura, aquela com que nasceu, é uma construção, que se desenvolve segundo a matéria-prima que lhe é apresentada e da reação que a sua estrutura de nascença tem com essa matéria-prima. Não reagimos todos da mesma forma ao mesmo estímulo, não enquanto adolescentes e ou adultos, nem mesmo como bebés, …tem bebés que choram quando caiem, tem outros que caiem, rolam e levantam para cair de novo.

 

(photo by: Aviva Escola Infantil)

Será que devemos instituir que comportamentos antissociais, delinquentes, devem responder a um sistema de pontos? Será que podemos aproveitar sermos tão evoluídos que temos cartões de cidadão eletrónicos que guardam no seu interior tanta informação, devam guardar uma secção dedicada à justiça e a esse sistema de pontos da legalidade, até no limite seremos detidos e ou penalizados de alguma forma INSTRUTIVA para sermos reeducados, mais que penalizados?

São só questões, que a meu ver iriam diminuir esse caos em que vivemos, da mesma forma que reduziu os acidentes graves e aumentou a segurança na estrada o sistema de pontos na carta de condução.

Mas este caos tem alimento, não apenas na falta de celeridade, e efetividade da punição (mesmo que desproporcional), esse alimento vem da estrutura política, permissiva ela mesma à “delinquência” institucional.

 

(imagem by: Férias em Portugal)

Ora vejam lá comigo se conhecem ou não grupos ou partidos políticos que infrinjam a lei da Constituição da República Portuguesa (CRP), no seu artigo 46º - Liberdade de Associação, onde no seu nº4 se lê:
“Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista”

Não conhecem assim nenhum grupo ou partido político que esteja contra esta lei da constituição?

Não mesmo!?

Havendo o regulamento dos partidos que na Lei nº2/2003 no seu nº8, reforça este princípio da CRP.

E que vemos acontecer? Os grupos existem livremente, e os partidos foram aprovados pelo tribunal, a mesma instituição que devia proteger as leis que regem o nosso país, o nosso plano judicial e jurídico.

- À, mas quando esses partidos foram aprovados pelo tribunal não se lia na sua constituição qualquer indicação que fosse contra a lei! – tá bem, e depois, no seu comportamento e ação o mesmo tribunal não se sentiu enganado, seja, não terá reconhecido que o dito prestou declarações falsas, documentais, quando apresentou a documentação para avaliação?

E que aconteceu a estes grupos e partidos? Um redondo, ou devo dizer, pontiagudo NADA!

 

Posto isto, e com esta me retiro, não podemos esperar que o caos social de que falo e similares, desapareça por milagre, ou pelo menos melhore, quando na estrutura do nosso país as instituições, são elas mesmas ineficazes no respeito das leis e regulamentos, na defesa da paz pública, na salvaguarda dos avanços legais conseguidos para proteção dos cidadãos.

No dizer popular, andamos a “cutucar o touro com vara curta” e um dia vamos sucumbir ao seu “estouro” de violência.

 

Temos sobrevivido a este caos social, por perseverança e pacatez, mas, até quando será assim?


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