Joana Marques Vs Anjos

 

(photo composta: New in Oeiras - NIT // Universal Music Portugal)



À luz da lei portuguesa, há opiniões que sejam proibidas expressar publicamente?

Não há opiniões interditas, no sentido de se proibirem opiniões diferentes de uma certa «verdade» acolhida e protegida pelo Estado. No entanto, a expressão de uma opinião pode ser ilícita, se ofender outros direitos ou interesses dignos de protecção.

No direito português, não existe aquilo a que costuma chamar-se «delito de opinião». A importância atribuída à liberdade de expressão é tão elevada, que nem sequer é proibido criticar ou contestar outros valores ou princípios consagrados na Constituição da República Portuguesa. Por exemplo: apesar de ela impor a organização republicana do Estado português, não é proibido defender publicamente a instauração de um regime monárquico; apesar de proibir a tortura, não é proibido que uma pessoa se manifeste favorável a essa prática; apesar de proibir a existência de associações racistas e fascistas, não é proibido que uma pessoa se assuma racista ou defenda a ideologia fascista.

Todavia, essas manifestações de opinião serão ilícitas se o modo por que são feitas ofender interesses também protegidos. Tal sucederá, por exemplo, com o crime de discriminação racial, religiosa ou sexual, que consiste, nomeadamente, em desenvolver actividades de propaganda que incitem ou encorajem a discriminação e em difamar ou injuriar uma pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, religião, sexo, orientação sexual ou identidade de género.  CRIM”    (Fundação Francisco Manuel dos Santos)

 

Comecei por este texto retirado da página da Fundação Francisco Manuel dos Santos, como introdução ao meu texto, a minha reflexão sobre algo que terá alegadamente acontecido e que parece andar nas bocas do mundo tuga, e digo isso porque vi um recorte dos globos de ouro onde Ricardo Araújo Pereira comenta, (https://www.instagram.com/p/DAizsbQi9du/)  e se Ricardo comenta, é porque merece que fiquemos curiosos, como fiquei, e como não vejo noticias andei à busca na web, na imensa web de outros recortes.

 

(photo by: SAPO Mag)

Claro que no entretanto dessas buscas, que requereram grande esforço, dado que não falta quem opine (e eu também) sobre o assunto, e divulgue a matéria de causa (eu não) que colocou a Joana Marques nos escaparates não só dessa imensa web, mas em todos os demais espaços de debate sério, aliás admira-me que este fato ainda não tenha chegado à Assembleia da Republica já que a melodia existente nos fatos é nada mais, nada menos que o hino nacional, objeto de respeito ao nível da bandeira, e que requer de todos nós residentes, as devidas vénias e saudações, e que por isso mesmo não devia ser atrocidado (o hino) por um qualquer artista, muito menos e na minha humilde opinião pelos Anjos, que uma vez mais segundo a minha opinião, de cariz meramente popular, e ou se preferirem um completo ignorante no que a música diz respeito, os miúdos até podem ser girinhos, mas cantar, meus filhos só mesmo no chuveiro, contudo, e ainda bem, tem muita gente que adora e vai continuar a adorar essa voz inconfundível (alguém disse ser) desses já não tão catraios.

 

Ainda e na continuidade da minha opinião, que é todo este texto reflexivo, acho que Joana Marques não esteve muito bem nesta sua abordagem à tentativa de os referidos artistas cantarem o hino nacional com uma nova roupagem, digo que não esteve bem porque ela devia visar não a interpretação, mas antes quem os contratou, porque a meu ver foi definitivamente um erro de casting e ou uma espécie de favorzinho. Seja dá a ideia de que a organização achava ser possível adquirir na loja dos chineses, ou aquelas chamadas lojas do euro, uma Louis Vuitton original, …na, na, na, na, a coisa não funciona assim, meus senhores, querem original tem de pagar bem caro por isso.

 


Não posso deixar de comentar, no entanto que, esta é uma prática comum no nosso país, algumas organizações “compram” serviços, nomeadamente artísticos sem fazer prova dos mesmos, que no caso seria ouvir antes, a reinterpretação do hino nacional por este dueto, antes de fechar contrato, e assim não haver surpresas que motivassem os nossos ávid@s humoristas a conceber mais um sketch endiabrado ou malvado como chamou Ricardo Araújo Pereira nos globos de ouro.

No entanto nessas minhas corridas na web alguém comentou que a fraca prestação dos Anjos se deveu a uma anomalia técnica, e eu lembrei de uma cena de um filme em que a personagem meio que mafioso põe a namorada a cantar, só que coitada, é linda, mas cantar,…e então vê-se o técnico desesperado a manobrar os botões da mesa de mistura para transformar uma cana rachada num belo e firme bambu, o que uma pessoa faz para não perder a vida, que era o caso nesse filme.

 


Embora seja ainda a minha opinião, agora um pouco mais sério, cantar o hino nacional devia ser alvo de escrutínio sério, afinal estamos a falar de um objeto simbólico que identifica o nosso país, a nossa nação que na sua história está revestida e imensas atrocidades, não deixa de ser uma nação que deu o mundo a conhecer ao mundo, e que se revelou contra uma pipa de invasores, reafirmando as suas fronteiras, para se cantar o hino nacional terá de ser alguém que seja capaz de A Cappella cantar uns quantos artigos da nossa constituição, ou código penal, e acreditem que temos excelentes vozes, que aqui me recuso a nomear par anão ferir suscetibilidades, até porque cada um terá as suas eleitas, assim como temos excelentes músicos capazes de produzir arranjos de uma beleza tão extraordinária que correríamos o risco de se alterar oficialmente a melodia do nosso hino.

 

Ainda e sobre o fato de os Anjos não terem acatado com humor uma critica, uma piada, que seria apenas mostra de maturidade, e saber estar, se de cada vez que os nossos humoristas fizessem piadas algumas delas bem homofóbicas eu pessoalmente, ou o movimento como um todo se insurgir-se contra esses humoristas nas redes ou legalmente, não fazíamos outra coisa, senão andar em bate bocas e ou sentados nos bancos desconfortáveis dos tribunais a justificar o que quer que fosse. Não aprecio esse tipo de humor, que rebaixa, e que incita a um ódio velado que dependendo de quem o usa pode ser dramático, e por isso não ouço, não aplaudo nem dele falo, porque já dizia a falecida Beatriz Costa, “mal ou bem o que quero é que falem de mim” ou como dizem os manuais de marketing, “não há má e boa publicidade, apenas publicidade”.

 

Assim como, ia gostar de ver uma auditoria às contas dos negócios dos Anjos, e aos próprios, porque é preciso haver uma justificação cabal porque a indemnização pedida é de um milhão de euros, será que a Joana Marques tem assim tanto poder e os Anjos tinham a possibilidade de um contrato milionário para o Qatar e que por causa dela, isso não aconteceu?

 

Bom, dito isto, lamento a falta de maturidade dos Anjos, independentemente de eu achar que contam bem ou não, independentemente de tudo mais, na minha opinião deviam ter ficado ora calados, que seria o mais sábio, ou refrear o seu descontentamento a um post, se calhar com algum humor sarcástico na sua página pessoal, nem se quer na página oficial do duo.

Mas fazer o quê, nem todos tivemos oportunidade de beber chá enquanto estávamos em formação, e crescidos nunca soubemos apreciar esse simples, mas requintado líquido, e depois dá em comportamentos muito desagradáveis como estes.

Lamento pelos dois lados, que vão despender energias com todo o processo, mas lamento muito mais as pessoas que compram revistas de fofoca, porque de cor-de-rosa pouco tem.

 

(photo by: Museu do fado)

Aqui fica o nosso hino cantado, e sempre na minha opinião, tão bem, que arrepia:  https://www.youtube.com/watch?v=tmFIxi9uLK0  


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