De um novo vírus, a uma guerra, passando por catástrofe natural, a sociedade como a conhecemos, está por um fio!

 



De um novo vírus, a uma guerra, passando por catástrofe natural, a sociedade como a conhecemos, está por um fio!

 

A sétima arte sempre foi para mim motivo de inspiração e reflexão, e hoje ao rever “Planeta dos Macacos: A Guerra”, voei para posts meus anteriores, e para a certeza de que caminhamos num sentido sem volta, porque o futuro inevitável, que apresente-se ele como se apresentar, a conclusão é sempre a mesma, a humanidade vai sucumbir!

 

O ser humano é um animal sem grande capacidade de memória, e definitivamente não aprende com os seus erros, porque se aprendesse não estaríamos como estamos um pouco por todo o mundo. Desde Liopoldo II da Bélgica, passando pela Segunda Grande Guerra, não nos faltam exemplos do que NÃO DEVEMOS FAZER na construção de um futuro, esperado, desejado, e tantas vezes repetido, como sendo melhor, mas só que não, mais “dumb” não poderíamos ser, e por isso continuamos a cultivar uma sociedade de terror, de fome e miséria, porque nada melhor que uma sociedade vestida de medo para governar, e então ficamos a saber quem é a parte estupida desta equação.

 

Para a minha geração e seguintes, que nunca tínhamos experimentado uma crise idêntica à de 2020, o COVID-19 foi mais que um teste brutal, uma prova de resistência à resiliência humana, mas mais em concreto à capacidade de resistir destas novas gerações que nasceram e cresceram rodeadas de facilitismos, de tecnologias, capacidade de viajar quase pelo preço de um café (depende sempre de onde o bebemos), para qualquer parte do mundo, e que de repente, do nada, se vê confinada a quatro paredes, num convívio forçado e permanente, e numa batalha pelos meios disponíveis no sentido de sobreviver, mais que a um vírus, à condição a que esse vírus remeteu toda a sociedade.

 


Viu-se nesse período uma imensidão de vídeos e mensagens que falavam da bondade humana, da solidariedade, e da capacidade que o ser humano tinha de sobreviver e apoiar a vida dos outros perante desafios como o que vivíamos, mas logo depois e em Portugal os fascistas tornam-se a terceira força política com acento parlamentar, lá se foi o sentido de solidariedade, e a bondade humana para com o próximo. Podem achar que uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas discordo. TODOS os interessados sabem do que o poder fascista faz às sociedades, encontra um bode expiatório para agregar descontentes, e depois enjaula todos numa trip que cega uns, e mata os outros.

 

"A guerra nunca determina quem está certo — apenas quem sobra."

(Bertrand Russell)

Verdade que temos vivido um constante de guerras, umas porque eram lá longe, fora dessa alegada boazinha Europa e com protagonistas que culturalmente não nos eram próximos, e fomos ignorando, dizendo que não era connosco, incomodamo-nos com imagens de quem fugia, dissemos até, sermos solidários, mas a verdade é que nenhum de nós queria esses que fugiam a tocar a mesma campainha do nosso prédio.

 

Mas desde que temos uma guerra à porta de casa, essa velhinha Europa, que dura quase à três anos, ficamos com menos vontade de ignorar, mas mesmo assim mantemos essa postura teatral de que tudo não passa de um drama redigido por Shakespeare, Sófocles ou Eurípides, e por isso sobrevivemos com a ideia de que mais tarde ou mais cedo o pano cai, levantamo-nos e vamos todos felizes e contentes para casa, comentar as cenas, os figurinos, os cenários. Só que não, este guião é real, e as pessoas morrem mesmo, e a redação não provém de um erudito criativo qualquer, mas antes de um desequilibrado com o poder de carregar nesse botão mágico, mas devastador, que pode de um dia para o outro, deste momento para o próximo anular TUDO.

 

Anular o ódio, da cor, do género, orientação sexual, identidade, ou geográfica, capaz de anular quem deseja a paz, e quem luta pela guerra, quem é muito rico e quem vive na miséria, capaz de anular TODOS os sonhos e realizações.

Sim é verdade, estamos num período de mudança, e ela vai chegar, queiramos ou não, só não sabemos como, que traje utilizará, nem ideia temos tão pouco do seu formato, mas sabemos que dificilmente escaparemos.

 

"A verdade é que o mundo natural está em mudança. E somos totalmente dependentes desse mundo. É ele que nos fornece comida, água e ar. É a coisa mais preciosa que temos, e precisamos defendê-lo."  (David Attenborough)

 

E assim voltamos à sétima arte, e ao filme “The Thaw”, que aborda a questão do degelo e do impacto que a presença de determinados vírus e ou bactérias nos cadáveres sepultados nesse gelo da era glaciar, e com as alterações climáticas e o degelo podem expor essas bactérias e vírus e libertá-los no ar, contaminando o mundo com doenças da pré-história. Mas se esta hipótese vos parecer muito rebuscada, o filme “2012” fala-nos de um outro cenário, e esse temos verificado um pouco por todo o mundo, e mais vezes e mais violento, um fenômeno comprovado pela ciência, não uma ideia cinematográfica ou lírica.

O aquecimento global provoca alterações extraordinárias nomeadamente nas correntes marítimas, correntes que são responsáveis pela vida que temos, pelas chuvas nos tempos certos, o calor quando o desejamos e esperamos, e alguns alvoroços mais ou menos controláveis, pelo menos era assim, porque não é mais.




"Estamos em uma estrada para o inferno climático com o pé ainda no acelerador."

(António Guterres)

 

Temos verificado que por exemplo na terra do tio Sam, os tornados são cada vez mais e mais intensos, bem como mais perlongados, da mesma forma os furacões.

A terra enquanto planeta está mais quente, e eventos vulcânicos, tectónicos, e todos os outros relacionados com os ventos que sopram do mar, cada vez mais quente, que alimentam furacões, e emocionam a ondulação cada vez mais agressiva, esse nosso mundo o que ainda conhecemos não tarda será palco de uma cena grega retratando o apocalipse.

Haverá sem duvida sobreviventes, haverá com toda a certeza quem fique e tenha a terrível tarefa de recomeçar, sem net, sem telemóveis, sem computadores, se calhar até sem máquinas que lhe dariam jeito para essa renovação, …terá de lidar com a morte que o rodeará, mas também com perdas que lhe dizem respeito, familiares e amigos que sabe morreram congelados de um lado do planeta, mumificados do outro lado, levados por enxurradas fantásticas, engolidos por vulcões se não antes sufocados pelo bafo que expele quando se excita.

Terá de sobreviver à falta de alimento, e à ferocidade do instinto de sobrevivência de todos os demais sobrevivos, muito mais disponíveis para matar e roubar, que para partilhar.

Depois da catástrofe, venha ela em que formato vier, um novo evento se deparará aos sobrevivos, a corrida pela sobrevivência, que será cega, fria e incontornável.

 


"Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, de sua origem ou de sua religião. As pessoas aprendem a odiar, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."    (Nelson Mandela)

 

Assim a questão que se me coloca, é: Porque é que as pessoas, todas as pessoas, em todo o mundo, não têm essa consciência de finitude, porquê que para elas é mais importante odiar, matar, roubar, julgar, punir, ostracizar, mais que amar, abraçar, respeitar, conviver, aprender com os outros, partilhar!?

Vamos morrer, todos mesmo, mais tarde ou mais cedo, mas despendemos as nossas energias com perseguições de todo o tipo, ao invés de inventar a cura para cancro. Esvaímo-nos em verbas profundamente absurdas, ultrajantes, para financiar a guerra enquanto que algures no mundo se morre de fome, à sede, despido de todas as condições de mais que uma vida, uma sobrevivência condigna, humana.

 

Vamos todos morrer, de uma forma ou de outra, rodeados de ódio, de ideologias devastadoras da LIBERDADE de podermos ser quem somos, quando poderíamos morrer rodeados de amigos de todas as cores e credos, onde todos lamentariam a nossa partida, enquanto nos tornariam imortais contando as nossas histórias uma e outra vez.

 


Que tal recordar o passado, entende-lo como aquilo que não devemos fazer, se realmente desejamos um mundo melhor, e isso inclui excluir ideologias fascistas, da receita, por muito que tenhamos entendido já que a democracia tem falhas.


(a ilustração deste texto é toda conseguida com quadros da minha autoria, uns oferecidos, outros vendidos, outros doados)

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