Será em 2025 que...?

 

                                                                                                        (image by: Diário Digital Castelo Branco)


Não querendo ser agoirento, até porque odeio ter razão, diria que estamos a caminhar a passos largos para o inevitável, isto porque inevitável, nem sou eu que o diz, mas sim os entendidos na matéria, coisa que eu não sou, quando muito serei um aficionado.

 

Durante o meu ciclo preparatório, foi uma das matérias que mais me cativou, o movimento das placas tectónicas e os vulcões, não terá sido à toa que fui um excelente aluno em ciências naturais, sabia de cor e salteado as respostas a qualquer questão ligada com esta matéria, aliás um bom exemplo de quem corre por gosto não cansa, que será como quem diz, estava tão apaixonado pela matéria que ela fluía na minha massa encefálica como doces à sobremesa.

 

E porque experimentamos recentemente uns abalos terrestres, veio-me á alembradura a afirmação dos “espertos” na matéria de que, um abalo idêntico ao que se sentiu em 1755 vai acontecer, só não se sabe quando, …e se!?

 

Numa busca rápida por notícias sobre os abalos sentidos neste ano em Portugal reuni a seguinte lista:

7 de Janeiro       -              3,0         -              Algarve/ Faro

13 de Fevereiro -              5,8         -              Vila do Bispo

27 de Março      -              2,8         -              Monchique

26 de Agosto     -              5,3         -              Oeste de Sines

4 de Setembro -                1,9         -              Arraiolos

5 de Setembro -                3,1         -              Setúbal e Lisboa

22 de Dezembro               3,2         -              Torres Vedras

24 de Dezembro               2,7         -              Mogadouro

27 de Dezembro               3,7         -              Vendas Novas

   

Verdade que segundo os entendidos a terra treme todos os dias, e dizem que em média por dia há no mundo uns 55 abalos detectáveis, que é que como quem diz, haverá quem sabe outros tantos que nem damos conta.

Em 1755 o abalo que derrubou Lisboa, estima-se que tenha sido na ordem dos 8,5 a 9,0, e digo que se estima porque não havia a escala que hoje conhecemos, e ocorreu alegadamente na falha de Açores-Gibraltar.

Nenhum geólogo diz “se”, todos procurando “quando”, porque é certo que vai acontecer num futuro que não se sabe quando um novo abalo de grande magnitude, apenas a ciência ainda não consegue saber com exatidão ou, se quer aproximadamente, quando.

 

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O terramoto de 1755, foi considerado como uma magnitude muito grande numa escala que encontrei, e que passo a apresentar:

 

Muito grandes (≥8.0): ~1 por ano (não ocorrem todos os dias).

Grandes (7.0–7.9): ~1 por mês (0,03 por dia).

Moderados (6.0–6.9): ~110 por ano (~0,3 por dia).

Pequenos a moderados (5.0–5.9): ~1.300 por ano (~3,5 por dia).

Menores (4.0–4.9): ~13.000 por ano (~35 por dia).

Muito pequenos (3.0–3.9): Vários milhares por dia.

Micro (abaixo de 2.0): Milhões por ano – geralmente impercetíveis.

 

Seja se de fato o de 1755 foi entre os 8,5 e os 9,0 na escala de Richter, estamos a falar de algo mesmo muito violento, sendo que escala em referência vai até 10.

Muito aparte do fascínio que estes eventos me suscitam, a verdade é que são eventos aterradores, não temos nem ideia do que será, mas olhando alguns abalos filmados, e disponíveis na web, damos conta que perdemos o equilíbrio, devemos ir para o meio da rua, ter atenção a postes elétricos e edifícios altos, uma vez que os mesmos podem ruir, e ou soltar-se desses pedaços da estrutura que nos podem atingir.

 

Outro cenário que me arrepia só de pensar na coisa, como agora que a descrevo para partilhar convosco, é que perante um evento destes eu tenho sérias dúvidas sobre a capacidade de resposta dos nossos serviços de saúde e proteção civil. Basta observar o comportamento da última em cenários que se repetem ano após ano com os fogos. Quanto ao sistema de saúde, não tenho dúvidas da excelência dos nossos médicos e enfermeiros, mas tenho sérias dúvidas sobre os meios disponíveis e a capacidade de resposta dos socorristas, ou da gestão no terreno de outras autoridades. Note-se que uma coisa é o “know how” técnico de cada um destes elementos, outra coisa bem diferente é a sua capacidade de resposta, sua organização, e capacidade de gerir o conflito, e é desta que tenho sérias dúvidas.

 

Então e em jeito de conclusão, olhando a perigosidade da segunda lista em analise com a primeira, os ocorridos e sentidos este ano de 2024, diria que temos tido abalos micro e moderados, sabendo nós que não é uma questão de “se” mas de “quando”, pergunto: Será que está para próximo esse derradeiro abalo que vai de novo arrasar Lisboa, ou outra localidade no caminho da falha dos Açores-Gibraltar?

 

De novo olhando escritos no “tio Google” as projeções para 2025 não são animadoras, ora vejamos:

 

A questão climática é a mais abordada apresentado 2025 projetado para ser mais quente do que 2024, com o fenômeno climático El Niño a contribuir para temperaturas mais altas e eventos climáticos extremos, como secas e inundações.

A questão geopolítica, os conflitos armados estão ai, e a guerra na Ucrânia pode continuar a afetar a Europa e o mundo, ditando um impacto econômico global e uma redefinição das alianças políticas. Além disso, tensões entre EUA e China podem continuar a crescer em áreas como comércio e tecnologia, bem como o escalar das tensões entre a Rússia e a ONU, a iminência do alastrar da guerra a outras regiões da Europa, ou mesmo um conflito mundial não está descartado, bem pelo contrário.

Encontrei uma redação que dava conta que depois do impacto da COVID-19, espera-se que 2025 traga avanços no desenvolvimento de vacinas contra outras ameaças globais, como malária, tuberculose e novas pandemias virais.

 

Confesso que não encontrei grandes textos que observem 2025 como um ano muito positivo, até porque aqueles que falam (gente não andei feito louco a ver tudo até porque não sou dado a leituras rápidas), de algo positivo como a evolução da IA, até estes apresentam ameaças sérias a nível social, pelo que vejo esses textos como brindes envenenados.

 

Resumindo, 2025 poderá ser um ano de grandes viragens, o sentido dessas viragens depende apenas de nós, seres humanos, e das nossas decisões, essencialmente das nossas decisões.

Logo de abertura, as questões da guerra, e dos conflitos económicos que podem desencadear novos conflitos armados. As decisões de terminar com guerras armadas, e de encontrar o equilíbrio económico entre determinados países, podem evitar o escalar de tensões dramáticas.

 

Tensões que não existindo podem deixar energias para enfrentar o que não temos controle, como os eventos climáticos, esses eventos não têm volta, e vão acontecer, se não andarmos a “brincar” aos índios e cowboys, teremos energias para apoiar, ajudar, países que vão estar mais expostos a esses eventos climáticos. As tensões são também as viragens “alzheimercas” à extrema-direita em alguns países, que havendo viragens desse tipo, não teremos espaço para apaziguar conflitos e apoiar geografias de calamidades naturais ou outras.

Assim 2025 a nível mundial é uma incógnita tensa, a nível nacional e em termos políticos não menos, mas a pergunta do inicio mantem-se, gente e se é neste novo ano que a terra decide que levantemos o pé do chão?


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