Vivemos climaticamente no fio de uma navalha, cada vez mais afiada!
"A ignorância perante tanta informação disponível,
perante tantos meios de esclarecimento, não esquecendo o velho livrinho
presente nas bibliotecas, torna-se uma ignorância mentecapta, porque uma
coisa é não saber estrelar um ovo, outra é não saber procurar como se pode
estrelar um ovo."
Pois bem, nem a terra é plana, nem a cena das alterações climáticas são um complô,
uma conspiração, é por isso real, muito sério, e coloca em risco a nossa sobrevivência
como seres vivos, e com toda a certeza o futuro dos mais jovens.
Embora o degelo do Ártico tenha ocorrido em diferentes períodos ao longo da
história geológica, muito antes do ser humano, esses eventos foram devido a
mudanças climáticas naturais causadas por fatores como variações na órbita da
Terra, atividade solar e níveis de dióxido de carbono.
(atenção que eu na sou geólogo e por isso a explicação pode estar algo confusa,
mas ai vamos)
São vários os períodos em que os geólogos encontraram expressões, nas
rochas e acredito na leitura das camadas do gelo, em que se deram eventos de
degelo.
Durante o Período Interglacial Atual (Holoceno)
O último degelo principal do Ártico deu-se no final da última Idade do Gelo, cerca
de 11.700 anos atrás, no início do Holoceno, quando as
temperaturas globais aumentaram devido ao fim da glaciação do Pleistoceno (bem cada
nome, ainda bem que na tenho memória, se não hoje morria).
Houve um período de aquecimento conhecido como Máximo Térmico do
Holoceno, em que as temperaturas no Ártico eram mais altas do que as
atuais. Isso resultou em derretimento significativo do gelo marinho e glaciares
locais.
Durante o Último Período Interglacial (Eemiano)
Que foi 120.000 - 115.000 anos atrás precedeu a última Idade do Gelo, as temperaturas globais
eram cerca de 1-2°C mais altas do que hoje. Como resultado grande parte do gelo
marinho do Ártico derreteu, e o nível do mar subiu entre 6 e 9 metros em
comparação com o atual.
Os registros indicam que o Ártico era quase completamente livre de gelo
marinho no verão (já estou a ver alguns dos mentecaptos que fez comentários no
perfil da SIC, a dizer, e as pessoas adaptaram – totó, não havia pessoas, e se
houvesse NUNCA seria nas concentrações que hoje temos, nomeadamente junto ás
cosrtas).
Períodos de Degelo Durante o Pleistoceno
O Pleistoceno (2,58 milhões a 11.700 anos atrás) foi
caracterizado por ciclos alternados de glaciações e períodos interglaciais. Nos
períodos interglaciais houve degelos significativos, quando o gelo marinho e as
calotas polares recuaram. E segundo esses senhores e senhoras que estudam estas
coisas e inventam nomes que parecem remédios estranhos, alguns dos momentos
mais notáveis incluem, o Ciclo de 400.000 anos atrás (Período
Interglacial de MIS-11) que foi um dos períodos mais quentes do Pleistoceno,
com temperaturas no Ártico semelhantes ou superiores às do Eemiano, e o Ciclo
de 200.000 anos atrás onde também houve evidências de degelo considerável,
embora menos intenso.
Eventos de Degelo Relacionados a Mudanças Climáticas
Naturais Recentes
No período quente Medieval (800 - 1300 d.C.) foi um período de aquecimento regional, onde acredita-se
que o Ártico tenha experimentado algum grau de redução de gelo marinho, embora
menos significativo que o atual.
Na Pequena Idade do Gelo (1300 - 1850 d.C.), houve um aumento na extensão do gelo marinho no Ártico
devido ao resfriamento global, que começou a recuar no final do século XIX.
Gente a vida não é fácil, e eu nem estudo geologia, nem biologia, nem
fauna, mas tenho de fato um interesse grande por essas coisas e por isso mesmo
tenho milhares de horas documentais visionadas, relacionadas com preservação da
fauna e flora, de impactos sobre a natureza provocados pelos meios mais
variados possíveis, e por isso mesmo vasculhei o que foi necessário para encontrar
algumas explicações sobre as diferenças entre este degelo e os anteriores.
Assim a primeira pergunta é: O degelo atual é superior
aos demais estudados?
O degelo atual no Ártico é significativamente mais rápido do que os
anteriores. Isso é atribuído ao impacto humano, especialmente ao aumento da
concentração de gases de efeito estufa que começou lá a trás, seja, vem desde a
Revolução Industrial (meus amigos, não há vela sem se não).
Comparando os desgelos, o atual e outro estudado, dizem quem estuda a coisa
que no Eemiano, o degelo ocorreu ao longo de milhares de anos. Enquanto o atual
degelo está a uma velocidade de décadas não milhares. Segundo os dados
existentes o degelo no Artico está a acontecer a uma taxa de aproximadamente
13% por cada dez anos desde 1980. Isso supera qualquer ritmo registado
anteriormente na história recente.
Sobre o impacto do degelo atual na fauna
O degelo atual ameaça severamente as espécies que dependem do gelo para
sobrevivência. Os impactos são documentados em várias espécies-chave, como:
Ursos polares que dependem do gelo marinho para caçar focas, sua principal fonte de
alimento. Com o degelo precoce na primavera e o congelamento tardio no outono,
esses ursos têm menos tempo para se alimentar, levando a diminuição na
reprodução e mortalidade provocada pela fome, fome que pode potenciar o contato
entre estes animais de grande força e porte, com os humanos e animais de
estimação. Há já relatos que sendo que em determinados pontos o degelo é mesmo
significativo, alguns ursos polares invadiram as florestas do Canadá e cruzaram
com ursos pardos, dando assim origem a uma nova espécie.
Algumas populações de ursos polares já apresentam declínios de 40% em
poucas décadas.
(imagem by: Dreamstime)
As Focas são outro dos animais que vão sofrer com um
degelo repentino (de décadas).
Elas usam o gelo para reprodução e descanso. Sem ele, enfrentam maior
predação e dificuldades para criar filhotes.
Há ainda espécies aquáticas aquáticas que só vivem nestes
espaços por causa de ser gelado.
Os crustáceos e peixes do fundo do oceano Ártico, terão de se adptar em mesmo muito pouco tempo, embora
os cientistas falam que se deslocaram para outras profundidades (mais frias)
devido a alterações na temperatura e na salinidade da água, essas populações
servem de base na cadeia alimentar.
A adaptação da fauna no passado: há registros tiveram mais tempo para se adaptar porque as mudanças
foram mais graduais, durante os ciclos glaciais e interglaciais dos últimos
2,58 milhões de anos, espécies adaptadas ao frio tiveram milhares de anos para
migrar ou ajustar suas áreas de distribuição, como por exemplo foi o caso do Mamute-lanoso
que migraram para áreas mais ao norte à medida que o clima aqueceu.
A outra perspetiva que a seguir vos trago já escrevi sobre ela no passado e
que é o fato de o degelo do Ártico estar a provocar mudanças significativas nas
correntes marítimas e, consequentemente, no comportamento da atmosfera. Essas
alterações têm o potencial de desencadear eventos climáticos extremos em escala
global (um dia destes temos ao vivo e a cores – basicamente branco – o filme “The
day after tomorrow”).
O Impacto nas Correntes Oceânicas
O derretimento acelerado do gelo do Ártico e dos glaciares está introduzir
grandes quantidades de água doce no oceano, afetando diretamente as correntes
marítimas globais. Esses sistemas de circulação (correntes marítimas) são
fundamentais para regular do clima do planeta.
A circulação termohalina (também chamada "esteira oceânica
global") é impulsionada por diferenças de temperatura (termo) e
salinidade (halina) nos oceanos. Ela transporta calor dos trópicos para
as altas latitudes, moderando o clima global.
No Atlântico Norte, a água quente e salgada da Corrente do Golfo afunda ao
atingir o Ártico, formando a Circulação Meridional do Atlântico. Com o
degelo do Ártico e da Groenlândia é adicionada água doce ao oceano, diminuindo
a salinidade e tornando a água mais leve. Isso impede que a água fria e densa
afunde, desacelerando ou até interrompendo a tal da circulação meridional.
Dado que a
Corrente do Golfo aquece a Europa Ocidental, um enfraquecimento dessa corrente pode
levar a invernos severos na Europa e ao aumento do calor nos trópicos, com
eventos como ondas de calor e tempestades tropicais mais intensas.
O enfraquecimento dessas correntes poderá alterar os ventos das monções na
África e no sul da Ásia, reduzindo as chuvas que são essenciais para
agricultura e populações inteiras.
Ainda as mudanças
na circulação do Atlântico podem desestabilizar as correntes oceânicas ao redor
da Antártida, acelerando o derretimento de suas calotas de gelo.
O aumento
da água doce pode alterar a formação de gelo marinho sazonal, diminuindo o
efeito isolante que o gelo tem sobre os oceanos. Ainda e essa é uma das razões
de um degelo mais rápido, é que com as camadas brancas da superfície dos glaciares
e calotas, fica exposta uma cor mais escura, assim enquanto o branco reflete o
sol, as cores escuras atraem o sol (por assim dizer) aumentando a temperatura à
superfície dos glaciares e calotas, razão pela qual hoje em dia se veem rios
entre o gelo, rios que são cada vez maiores. Logo a água mais quente exposta
pelo degelo pode absorver mais calor do sol, intensificando o aquecimento
global (efeito albedo reduzido).
Impacto na
Atmosfera
Como disse mais acima as mudanças nas correntes marítimas afetam
diretamente os padrões atmosféricos, resultando em uma maior frequência de
eventos climáticos extremos:
Oscilação do Jato Polar (não é um avião, …estou a
aprender tanto ao escrever para vós, como uma pós graduação, tendo em conta que
já sabia muito sobre, não com estes termos que me estão a dar dores de cabeça)
O Jato Polar é uma corrente de ventos fortes que circula em altas
altitudes, separando o ar frio polar do ar quente das latitudes médias.
O degelo reduz a diferença de temperatura entre o Ártico e os trópicos,
enfraquecendo o jato polar e isso leva a um comportamento mais irregular do
jato, com ondas mais amplas que causam:
- Ondas de calor prolongadas em algumas regiões.
- Frio extremo em outras, como nos EUA e Europa, devido à migração de ar polar.
Por consequência com o Ártico mais quente dá-se o aumento da evaporação,
levando a tempestades mais húmidas e mais poderosas.
As tempestades como furacões podem ser alimentadas por águas mais quentes
no Atlântico, tornando-se mais intensas e duradouras.
Os Eventos Climáticos que Podemos Aguardar
Com base nos estudos atuais, os seguintes eventos são esperados devido às
mudanças causadas pelo degelo do Ártico:
Extremos de Temperatura com ondas de calor mais intensas e frequentes em latitudes médias (EUA,
Europa, Ásia), especialmente no verão, e invernos severos em regiões como
Europa e América do Norte devido ao comportamento irregular do jato polar.
Aumento do Nível do Mar
Com o derretimento da Groenlândia e do gelo do Ártico o nível global do mar
está cada vez mais elevado. Esse aumento pode deslocar populações costeiras e
inundar grandes cidades como Nova York, Londres e Xangai, tem outras na lista…
Secas mais Perlongadas
Enfraquecimento das monções na África e Ásia pode reduzir a disponibilidade
de água para milhões de pessoas, afetando a agricultura e a segurança
alimentar.
Tempestades Tropicais Mais Intensas
O caso dos furacões e ciclones que serão mais fortes devido ao aquecimento
dos oceanos. Exemplos já observados incluem tempestades como os furacões Harvey
(2017) e Maria (2017).
Desaceleração da Circulação Meridional do Atlântico
Uma desaceleração completa desta circulação poderá levar a mudanças
abruptas no clima global, como um colapso das chuvas tropicais ou uma nova
Pequena Idade do Gelo na Europa.
Há depois Impactos de Longo Prazo que alterarão até a
forma como lidamos com o oceano e o que dele subtraímos para o nosso bem estar…
Pode dar-se a acidificação dos oceanos uma vez que a água derretida do gelo altera a química do
oceano, afetando corais e organismos marinhos.
Perda de biodiversidade global, porque algumas espécies marinhas e terrestres que
dependem de condições estáveis podem ser extintas.
Em cenários extremos, poderemos estar a falar de Mudanças irreversíveis.
O Ártico pode se tornar um oceano sazonalmente sem gelo nas próximas décadas,
com impactos globais permanentes.
Mas não é apenas o Ártico que está num processo de degelo, e esse processo
tem já como consequência uma aceleração do degelo em determinado pontos na
Antártida, embora as dinâmicas e os ritmos sejam diferentes dos observados no
Ártico. A confluência do degelo em ambas as regiões polares pode amplificar
significativamente os impactos no clima global, nas correntes oceânicas e na
atmosfera.
Enquanto o Ártico está a perder gelo principalmente por causa do
aquecimento direto da atmosfera, na Antártida o impacto é mais relacionado ao
aquecimento oceânico.
O degelo no Ártico afeta mais diretamente os padrões atmosféricos e
correntes de curto prazo, enquanto o degelo na Antártida tem maior impacto no
aumento do nível do mar a longo prazo.
Impacto Combinado: Ártico + Antártida
A confluência dos dois processos de degelo simultâneo pode criar feedbacks
climáticos e impactos amplificados no sistema global:
As Consequências
possíveis são:
Áreas como a Europa podem esfriar no curto prazo, enquanto os trópicos e as
regiões costeiras enfrentam calor extremo.
- Mudança nos padrões de circulação oceânica:
Correntes de profundidade mais lentas podem reduzir a absorção de calor
pelos oceanos, amplificando o aquecimento global.
- Aumento do nível do mar:
O derretimento da Antártida contribui mais para o aumento do nível do mar
do que o Ártico. Combinados, podem causar subidas de até 1 metro ou mais até o
final do século, deslocando milhões de pessoas.
Adaptação da atmosfera: ciclos climáticos mais caóticos
A confluência do degelo polar aumenta a instabilidade no sistema climático,
eventos como o El Niño e La Niña podem se tornar mais intensos,
desregulando padrões climáticos globais.
A interação de ventos polares e tropicais pode criar novas zonas de
convergência climática, desencadeando eventos imprevisíveis.
Então quais as consequências da Confluência de Degelos
Amplifica o Risco Global
O degelo simultâneo do Ártico e da Antártida está já a causar impactos que
vão muito além das regiões polares.
Alterações nas correntes oceânicas enfraquecem a capacidade da Terra de
regular o calor.
Padrões atmosféricos mais caóticos levam a eventos climáticos extremos com
maior frequência e intensidade.
As populações em zonas costeiras, agrícolas e dependentes de recursos
marinhos estão particularmente vulneráveis.
Resumindo:
A escala e a velocidade destes processos reforçam a necessidade urgente de
mitigar as emissões de gases de efeito estufa e investir em adaptação climática
para enfrentar as mudanças inevitáveis.
O degelo polar, especialmente acelerado no Ártico e na Antártida,
representa uma ameaça sem precedentes à estabilidade climática do planeta. No
Ártico, o aquecimento médio é quatro vezes mais rápido que a média global,
levando ao colapso do gelo marinho e ao derretimento das calotas glaciais da
Groenlândia. Na Antártida, o degelo, embora mais irregular, é impulsionado pelo
aquecimento dos oceanos que erode as plataformas de gelo flutuantes,
particularmente na calota oeste. Esse degelo conjunto está já a desencadear
mudanças profundas nas correntes oceânicas e na atmosfera, gerando impactos
catastróficos.
A água doce proveniente do derretimento do gelo polar altera a salinidade e
a densidade das águas oceânicas, enfraquecendo a circulação termohalina global,
como a Circulação Meridional do Atlântico (AMOC) e a Corrente Circumpolar
Antártica (ACC). Isso reduz o transporte de calor dos trópicos para as regiões
polares, desestabilizando padrões climáticos globais. O resultado inclui ondas
de calor mais intensas e prolongadas, invernos severos em latitudes médias,
monções enfraquecidas e aumento na intensidade de tempestades tropicais. Além
disso, a perda de gelo diminui o efeito albedo (Albedo é a medida de
refletividade de uma superfície; ela indica a capacidade de absorção dos raios
solares pelo planeta Terra), acelerando o aquecimento dos oceanos e da
atmosfera.
A fauna polar, dependente de ecossistemas estáveis, enfrenta uma crise
existencial. No Ártico, espécies como o urso-polar e focas, que dependem do
gelo marinho para caça e reprodução, enfrentam riscos crescentes de extinção.
No entanto, o impacto não é apenas ecológico. O aumento do nível do mar,
projetado em até 1 metro ou mais até o final do século, ameaça cidades costeiras
e comunidades insulares, podendo deslocar dezenas de milhões de pessoas. O
aquecimento polar também desestabiliza padrões climáticos em regiões distantes,
afetando a segurança alimentar e hídrica de bilhões de pessoas.
Comparado a eventos de degelo no passado geológico, como o ocorrido há
cerca de 3 milhões de anos durante o período Plioceno, o degelo atual é mais
rápido e mais globalmente impactante. No Plioceno, o aquecimento gradual
permitiu que espécies e ecossistemas se adaptassem ao longo de milhares de
anos. A população humana ainda não existia, e os deslocamentos de fauna eram
lentos e dirigidos pela evolução natural. Hoje, o ritmo do degelo é
incomparavelmente mais rápido, causado pela atividade humana, deixando tanto a
fauna quanto os seres humanos sem tempo para se adaptar. A diferença crítica
está na vulnerabilidade das sociedades modernas: cidades densamente povoadas e
infraestruturas costeiras estão expostas, e populações dependem de ecossistemas
agrícolas e marinhos altamente sensíveis a essas mudanças.
A confluência do degelo do Ártico e da Antártida amplifica esses riscos. O
aumento do nível do mar combinado, mudanças nas correntes oceânicas e na
atmosfera e a intensificação de eventos climáticos extremos criam um ciclo de
feedbacks climáticos potencialmente catastróficos. Esses impactos reforçam a
necessidade urgente de ações globais para reduzir emissões de gases de efeito
estufa e investir em adaptações resilientes para enfrentar um futuro marcado
por mudanças climáticas inevitáveis. O momento atual é único na história da
Terra, não apenas pela escala das mudanças, mas pela nossa capacidade – e
responsabilidade – de agir para mitigar seus efeitos.
Como não poderia deixar de ser, e porque eu sou um avesso aos carros elétricos,
porque acho que são mais um novo problema que a solução, eu tinha de cheirar o
que que já se sabe.
Pois e tal o carro elétrico é uma grande ajuda, talvez! Mas para funcionar teríamos
TODOS quem tem carro trocar para carros elétricos em tempo útil (não com o
preço que estão), e em quanto tempo teríamos de fazer isso para ter algum
efeito mitigante sério? E os restantes transportes, como comboios muitos ainda
a combustão, navios e aviões, estes últimos cada vez mais andam aí a esvoaçar de
um lado para o outro, não apenas porque temos companhias novas, mas porque
essas companhias oferecem viagens a preços reduzidos atraindo as pessoas para
viajarem cada vez mais.
A que velocidade trocar todos os carros de combustão por
elétricos para obter efeito significativo
A frota global de veículos é gigantesca, com mais de 1,4 mil milhões de
automóveis no mundo. Para que a troca de todos os veículos de combustão por
elétricos seria necessário uma produção de cerca de 100 milhões de
veículos elétricos por ano, muito acima da capacidade atual (cerca de 10
milhões/ano em 2023).
No entanto, só a troca de carros não basta. O impacto depende de como a
eletricidade para carregar os veículos é gerada. Se ela vier de fontes fósseis,
o efeito será limitado.
Mesmo que todos os carros fossem trocados, o transporte rodoviário
representa cerca de 11% das emissões globais. Outros setores, como
aviação e transporte marítimo, também precisam ser descarbonizados, seja
encontramos logo à cabeça Limitações, que passam por uma falta de capacidade de
produção massiva, e da falta de soluções para outros meios de transporte.
Só a aviação é responsável por cerca de 2,5% das emissões globais e está
em crescendo rápido.
O transporte marítimo representa cerca de 3% das emissões globais, embora
o setor esteja na procura de outros meios de propulsão como por exemplo, hidrogênio
e amônia verde, e ainda velas automatizadas para reduzir consumo de
combustível.
Escapa os comboios que na sua grande maioria já são elétricos, mas não
ainda 100%.
Fontes de energia para sustentar a demanda elétrica
A eletrificação em massa (de carros, aviões, casas, indústrias) aumentará
drasticamente a demanda por energia elétrica, colocando pressão nas
infraestruturas energéticas.
Energias renováveis (hídrica, solar, eólica):
Essas fontes são sustentáveis, mas têm limitações (dependência climática,
armazenamento de energia, espaço físico para turbinas ou painéis).
Avanços em baterias de longa duração e redes inteligentes podem ajudar, mas
há um teto prático no que essas fontes podem oferecer sozinhas.
Energia nuclear:
A energia nuclear é uma fonte limpa e de alta densidade, essencial para
atender à demanda elétrica crescente sem emissões diretas de CO₂.
No entanto, os riscos incluem acidentes (como Chernobyl e Fukushima),
produção de resíduos radioativos de longa duração e questões de segurança
nacional.
Novas tecnologias de reatores, como reatores de fissão modular e projetos
de fusão nuclear, prometem mais segurança e menos resíduos.
Impacto ambiental das baterias de lítio
O uso de baterias de íon-lítio em veículos elétricos resolve parte do
problema, mas traz novos desafios ambientais e sociais:
Começamos pela mineração de lítio que consome grandes volumes de
água e pode destruir ecossistemas locais. As maiores reservas estão em países
como Chile, Bolívia e Austrália, onde as comunidades locais frequentemente
sofrem impactos ambientais e sociais negativos.
Baterias descartadas:
As baterias têm vida útil limitada (vários pontos de informação apontam
entre 10 a 15 anos). Quando descartadas sem reciclagem adequada, representam um
grande risco ambiental devido a metais pesados e químicos tóxicos.
A reciclagem de baterias ainda é limitada e cara, mas está a progredir:
empresas estão a desenvolver tecnologias para recuperar até 95% dos materiais
(lítio, cobalto, níquel).
Resumindo:
Embora a eletrificação do transporte seja uma solução amplamente defendida
para mitigar esses impactos, o desafio vai além de trocar carros a combustão
por veículos elétricos. Essa transição deve acontecer rapidamente para atingir
metas climáticas globais, mas enfrenta limitações práticas e econômicas. Além
disso, setores como a aviação, transporte marítimo e ferroviário ainda precisam
de tecnologias viáveis, como combustíveis verdes e hidrogênio.
A eletrificação em larga escala também exige uma expansão massiva da
geração de energia. Fontes renováveis, como solar e eólica, são cruciais, mas
insuficientes para atender à demanda sem suporte de outras tecnologias, como a
nuclear. Contudo, a energia nuclear traz seus próprios riscos, como acidentes e
resíduos radioativos. Ademais, o impacto ambiental e social da mineração de
lítio para baterias elétricas é um problema crescente, com comunidades locais
enfrentando crises hídricas e ambientais. A reciclagem de baterias e o
desenvolvimento de tecnologias alternativas são necessários para evitar que
resolvamos um problema ambiental criando outro.
Portanto, mitigar os efeitos das mudanças climáticas e do degelo polar
exige ações globais coordenadas, que integrem tecnologias limpas, justiça
social e inovação sustentável. A transição não será simples, mas é essencial
para evitar um colapso ambiental e social de escala planetária.
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