Vivemos climaticamente no fio de uma navalha, cada vez mais afiada!


(imagem by: SIC Noticias)


Esta imagem da SIC Noticias invadiu o meu feed do Instagram, e junto logo assim em destaque um comentário que chamava a atenção par aa ignorância que grassava nos comentários, coisa que aliás devo confessar que não me surpreende, dado que se tem gente que acredita que a terra é plana, e que o ser humano não foi à lua, é mais que certo que terá gente (demasiada) que acha que esta coisa do aquecimento global é uma treta, uma conspiração do mercado automóvel para comprarmos todos carros elétricos, por isso e depois de ler alguns dos comentários, desatei a investigar, de forma a ter algo mais consistente que aquilo que já sei.

No inicio quase do meu comentário na SIC Noticias eu escrevi:

"A ignorância perante tanta informação disponível, perante tantos meios de esclarecimento, não esquecendo o velho livrinho presente nas bibliotecas, torna-se uma ignorância mentecapta, porque uma coisa é não saber estrelar um ovo, outra é não saber procurar como se pode estrelar um ovo."

 

Pois bem, nem a terra é plana, nem a cena das alterações climáticas são um complô, uma conspiração, é por isso real, muito sério, e coloca em risco a nossa sobrevivência como seres vivos, e com toda a certeza o futuro dos mais jovens.

                                                (imagem by: Observatório do Terceiro Setor)

Embora o degelo do Ártico tenha ocorrido em diferentes períodos ao longo da história geológica, muito antes do ser humano, esses eventos foram devido a mudanças climáticas naturais causadas por fatores como variações na órbita da Terra, atividade solar e níveis de dióxido de carbono.

(atenção que eu na sou geólogo e por isso a explicação pode estar algo confusa, mas ai vamos)

São vários os períodos em que os geólogos encontraram expressões, nas rochas e acredito na leitura das camadas do gelo, em que se deram eventos de degelo.


Durante o Período Interglacial Atual (Holoceno)

O último degelo principal do Ártico deu-se no final da última Idade do Gelo, cerca de 11.700 anos atrás, no início do Holoceno, quando as temperaturas globais aumentaram devido ao fim da glaciação do Pleistoceno (bem cada nome, ainda bem que na tenho memória, se não hoje morria).

Houve um período de aquecimento conhecido como Máximo Térmico do Holoceno, em que as temperaturas no Ártico eram mais altas do que as atuais. Isso resultou em derretimento significativo do gelo marinho e glaciares locais.


Durante o Último Período Interglacial (Eemiano)

Que foi 120.000 - 115.000 anos atrás precedeu a última Idade do Gelo, as temperaturas globais eram cerca de 1-2°C mais altas do que hoje. Como resultado grande parte do gelo marinho do Ártico derreteu, e o nível do mar subiu entre 6 e 9 metros em comparação com o atual.

Os registros indicam que o Ártico era quase completamente livre de gelo marinho no verão (já estou a ver alguns dos mentecaptos que fez comentários no perfil da SIC, a dizer, e as pessoas adaptaram – totó, não havia pessoas, e se houvesse NUNCA seria nas concentrações que hoje temos, nomeadamente junto ás cosrtas).


Períodos de Degelo Durante o Pleistoceno

O Pleistoceno (2,58 milhões a 11.700 anos atrás) foi caracterizado por ciclos alternados de glaciações e períodos interglaciais. Nos períodos interglaciais houve degelos significativos, quando o gelo marinho e as calotas polares recuaram. E segundo esses senhores e senhoras que estudam estas coisas e inventam nomes que parecem remédios estranhos, alguns dos momentos mais notáveis incluem, o Ciclo de 400.000 anos atrás (Período Interglacial de MIS-11) que foi um dos períodos mais quentes do Pleistoceno, com temperaturas no Ártico semelhantes ou superiores às do Eemiano, e o Ciclo de 200.000 anos atrás onde também houve evidências de degelo considerável, embora menos intenso.


Eventos de Degelo Relacionados a Mudanças Climáticas Naturais Recentes

No período quente Medieval (800 - 1300 d.C.) foi um período de aquecimento regional, onde acredita-se que o Ártico tenha experimentado algum grau de redução de gelo marinho, embora menos significativo que o atual.

Na Pequena Idade do Gelo (1300 - 1850 d.C.), houve um aumento na extensão do gelo marinho no Ártico devido ao resfriamento global, que começou a recuar no final do século XIX.

 

 

                                                        (imagem by: Noticias R7)

Gente a vida não é fácil, e eu nem estudo geologia, nem biologia, nem fauna, mas tenho de fato um interesse grande por essas coisas e por isso mesmo tenho milhares de horas documentais visionadas, relacionadas com preservação da fauna e flora, de impactos sobre a natureza provocados pelos meios mais variados possíveis, e por isso mesmo vasculhei o que foi necessário para encontrar algumas explicações sobre as diferenças entre este degelo e os anteriores.


Assim a primeira pergunta é: O degelo atual é superior aos demais estudados?

O degelo atual no Ártico é significativamente mais rápido do que os anteriores. Isso é atribuído ao impacto humano, especialmente ao aumento da concentração de gases de efeito estufa que começou lá a trás, seja, vem desde a Revolução Industrial (meus amigos, não há vela sem se não).

Comparando os desgelos, o atual e outro estudado, dizem quem estuda a coisa que no Eemiano, o degelo ocorreu ao longo de milhares de anos. Enquanto o atual degelo está a uma velocidade de décadas não milhares. Segundo os dados existentes o degelo no Artico está a acontecer a uma taxa de aproximadamente 13% por cada dez anos desde 1980. Isso supera qualquer ritmo registado anteriormente na história recente.

 

Sobre o impacto do degelo atual na fauna

O degelo atual ameaça severamente as espécies que dependem do gelo para sobrevivência. Os impactos são documentados em várias espécies-chave, como:

Ursos polares que dependem do gelo marinho para caçar focas, sua principal fonte de alimento. Com o degelo precoce na primavera e o congelamento tardio no outono, esses ursos têm menos tempo para se alimentar, levando a diminuição na reprodução e mortalidade provocada pela fome, fome que pode potenciar o contato entre estes animais de grande força e porte, com os humanos e animais de estimação. Há já relatos que sendo que em determinados pontos o degelo é mesmo significativo, alguns ursos polares invadiram as florestas do Canadá e cruzaram com ursos pardos, dando assim origem a uma nova espécie.

Algumas populações de ursos polares já apresentam declínios de 40% em poucas décadas.

                                                (imagem by: Dreamstime)

As Focas são outro dos animais que vão sofrer com um degelo repentino (de décadas).

Elas usam o gelo para reprodução e descanso. Sem ele, enfrentam maior predação e dificuldades para criar filhotes.

Há ainda espécies aquáticas aquáticas que só vivem nestes espaços por causa de ser gelado.

Os crustáceos e peixes do fundo do oceano Ártico, terão de se adptar em mesmo muito pouco tempo, embora os cientistas falam que se deslocaram para outras profundidades (mais frias) devido a alterações na temperatura e na salinidade da água, essas populações servem de base na cadeia alimentar.

A adaptação da fauna no passado: há registros tiveram mais tempo para se adaptar porque as mudanças foram mais graduais, durante os ciclos glaciais e interglaciais dos últimos 2,58 milhões de anos, espécies adaptadas ao frio tiveram milhares de anos para migrar ou ajustar suas áreas de distribuição, como por exemplo foi o caso do Mamute-lanoso que migraram para áreas mais ao norte à medida que o clima aqueceu.

 

A outra perspetiva que a seguir vos trago já escrevi sobre ela no passado e que é o fato de o degelo do Ártico estar a provocar mudanças significativas nas correntes marítimas e, consequentemente, no comportamento da atmosfera. Essas alterações têm o potencial de desencadear eventos climáticos extremos em escala global (um dia destes temos ao vivo e a cores – basicamente branco – o filme “The day after tomorrow”).

 


O Impacto nas Correntes Oceânicas

O derretimento acelerado do gelo do Ártico e dos glaciares está introduzir grandes quantidades de água doce no oceano, afetando diretamente as correntes marítimas globais. Esses sistemas de circulação (correntes marítimas) são fundamentais para regular do clima do planeta.

A circulação termohalina (também chamada "esteira oceânica global") é impulsionada por diferenças de temperatura (termo) e salinidade (halina) nos oceanos. Ela transporta calor dos trópicos para as altas latitudes, moderando o clima global.

No Atlântico Norte, a água quente e salgada da Corrente do Golfo afunda ao atingir o Ártico, formando a Circulação Meridional do Atlântico. Com o degelo do Ártico e da Groenlândia é adicionada água doce ao oceano, diminuindo a salinidade e tornando a água mais leve. Isso impede que a água fria e densa afunde, desacelerando ou até interrompendo a tal da circulação meridional.

Dado que a Corrente do Golfo aquece a Europa Ocidental, um enfraquecimento dessa corrente pode levar a invernos severos na Europa e ao aumento do calor nos trópicos, com eventos como ondas de calor e tempestades tropicais mais intensas.

O enfraquecimento dessas correntes poderá alterar os ventos das monções na África e no sul da Ásia, reduzindo as chuvas que são essenciais para agricultura e populações inteiras.

Ainda as mudanças na circulação do Atlântico podem desestabilizar as correntes oceânicas ao redor da Antártida, acelerando o derretimento de suas calotas de gelo.

 

O aumento da água doce pode alterar a formação de gelo marinho sazonal, diminuindo o efeito isolante que o gelo tem sobre os oceanos. Ainda e essa é uma das razões de um degelo mais rápido, é que com as camadas brancas da superfície dos glaciares e calotas, fica exposta uma cor mais escura, assim enquanto o branco reflete o sol, as cores escuras atraem o sol (por assim dizer) aumentando a temperatura à superfície dos glaciares e calotas, razão pela qual hoje em dia se veem rios entre o gelo, rios que são cada vez maiores. Logo a água mais quente exposta pelo degelo pode absorver mais calor do sol, intensificando o aquecimento global (efeito albedo reduzido).

 

 Impacto na Atmosfera

Como disse mais acima as mudanças nas correntes marítimas afetam diretamente os padrões atmosféricos, resultando em uma maior frequência de eventos climáticos extremos:

Oscilação do Jato Polar (não é um avião, …estou a aprender tanto ao escrever para vós, como uma pós graduação, tendo em conta que já sabia muito sobre, não com estes termos que me estão a dar dores de cabeça)

O Jato Polar é uma corrente de ventos fortes que circula em altas altitudes, separando o ar frio polar do ar quente das latitudes médias.

O degelo reduz a diferença de temperatura entre o Ártico e os trópicos, enfraquecendo o jato polar e isso leva a um comportamento mais irregular do jato, com ondas mais amplas que causam:

      • Ondas de calor prolongadas em algumas regiões.
      • Frio extremo em outras, como nos EUA e Europa, devido à migração de ar polar.

 

Por consequência com o Ártico mais quente dá-se o aumento da evaporação, levando a tempestades mais húmidas e mais poderosas.

As tempestades como furacões podem ser alimentadas por águas mais quentes no Atlântico, tornando-se mais intensas e duradouras.

 

                                                    (imagem by: The Conversation)

Os Eventos Climáticos que Podemos Aguardar

Com base nos estudos atuais, os seguintes eventos são esperados devido às mudanças causadas pelo degelo do Ártico:

Extremos de Temperatura com ondas de calor mais intensas e frequentes em latitudes médias (EUA, Europa, Ásia), especialmente no verão, e invernos severos em regiões como Europa e América do Norte devido ao comportamento irregular do jato polar.

Aumento do Nível do Mar

Com o derretimento da Groenlândia e do gelo do Ártico o nível global do mar está cada vez mais elevado. Esse aumento pode deslocar populações costeiras e inundar grandes cidades como Nova York, Londres e Xangai, tem outras na lista…

Secas mais Perlongadas

Enfraquecimento das monções na África e Ásia pode reduzir a disponibilidade de água para milhões de pessoas, afetando a agricultura e a segurança alimentar.

Tempestades Tropicais Mais Intensas

O caso dos furacões e ciclones que serão mais fortes devido ao aquecimento dos oceanos. Exemplos já observados incluem tempestades como os furacões Harvey (2017) e Maria (2017).

Desaceleração da Circulação Meridional do Atlântico

Uma desaceleração completa desta circulação poderá levar a mudanças abruptas no clima global, como um colapso das chuvas tropicais ou uma nova Pequena Idade do Gelo na Europa.

 

Há depois Impactos de Longo Prazo que alterarão até a forma como lidamos com o oceano e o que dele subtraímos para o nosso bem estar…

Pode dar-se a acidificação dos oceanos uma vez que a água derretida do gelo altera a química do oceano, afetando corais e organismos marinhos.

Perda de biodiversidade global, porque algumas espécies marinhas e terrestres que dependem de condições estáveis podem ser extintas.

 

Em cenários extremos, poderemos estar a falar de Mudanças irreversíveis. O Ártico pode se tornar um oceano sazonalmente sem gelo nas próximas décadas, com impactos globais permanentes.

Mas não é apenas o Ártico que está num processo de degelo, e esse processo tem já como consequência uma aceleração do degelo em determinado pontos na Antártida, embora as dinâmicas e os ritmos sejam diferentes dos observados no Ártico. A confluência do degelo em ambas as regiões polares pode amplificar significativamente os impactos no clima global, nas correntes oceânicas e na atmosfera.

 

Enquanto o Ártico está a perder gelo principalmente por causa do aquecimento direto da atmosfera, na Antártida o impacto é mais relacionado ao aquecimento oceânico.

O degelo no Ártico afeta mais diretamente os padrões atmosféricos e correntes de curto prazo, enquanto o degelo na Antártida tem maior impacto no aumento do nível do mar a longo prazo.

Impacto Combinado: Ártico + Antártida

A confluência dos dois processos de degelo simultâneo pode criar feedbacks climáticos e impactos amplificados no sistema global:

 

As Consequências possíveis são:

       1Redução do transporte de calor global:

Áreas como a Europa podem esfriar no curto prazo, enquanto os trópicos e as regiões costeiras enfrentam calor extremo.

  1. Mudança nos padrões de circulação oceânica:

Correntes de profundidade mais lentas podem reduzir a absorção de calor pelos oceanos, amplificando o aquecimento global.

  1. Aumento do nível do mar:

O derretimento da Antártida contribui mais para o aumento do nível do mar do que o Ártico. Combinados, podem causar subidas de até 1 metro ou mais até o final do século, deslocando milhões de pessoas.

 

                                                            (imagem by: Tempo.pt)

Adaptação da atmosfera: ciclos climáticos mais caóticos

A confluência do degelo polar aumenta a instabilidade no sistema climático, eventos como o El Niño e La Niña podem se tornar mais intensos, desregulando padrões climáticos globais.

A interação de ventos polares e tropicais pode criar novas zonas de convergência climática, desencadeando eventos imprevisíveis.

 

Então quais as consequências da Confluência de Degelos Amplifica o Risco Global

O degelo simultâneo do Ártico e da Antártida está já a causar impactos que vão muito além das regiões polares.

Alterações nas correntes oceânicas enfraquecem a capacidade da Terra de regular o calor.

Padrões atmosféricos mais caóticos levam a eventos climáticos extremos com maior frequência e intensidade.

As populações em zonas costeiras, agrícolas e dependentes de recursos marinhos estão particularmente vulneráveis.

 

(imagem by: Linkedin)

Resumindo:

A escala e a velocidade destes processos reforçam a necessidade urgente de mitigar as emissões de gases de efeito estufa e investir em adaptação climática para enfrentar as mudanças inevitáveis.

O degelo polar, especialmente acelerado no Ártico e na Antártida, representa uma ameaça sem precedentes à estabilidade climática do planeta. No Ártico, o aquecimento médio é quatro vezes mais rápido que a média global, levando ao colapso do gelo marinho e ao derretimento das calotas glaciais da Groenlândia. Na Antártida, o degelo, embora mais irregular, é impulsionado pelo aquecimento dos oceanos que erode as plataformas de gelo flutuantes, particularmente na calota oeste. Esse degelo conjunto está já a desencadear mudanças profundas nas correntes oceânicas e na atmosfera, gerando impactos catastróficos.

A água doce proveniente do derretimento do gelo polar altera a salinidade e a densidade das águas oceânicas, enfraquecendo a circulação termohalina global, como a Circulação Meridional do Atlântico (AMOC) e a Corrente Circumpolar Antártica (ACC). Isso reduz o transporte de calor dos trópicos para as regiões polares, desestabilizando padrões climáticos globais. O resultado inclui ondas de calor mais intensas e prolongadas, invernos severos em latitudes médias, monções enfraquecidas e aumento na intensidade de tempestades tropicais. Além disso, a perda de gelo diminui o efeito albedo (Albedo é a medida de refletividade de uma superfície; ela indica a capacidade de absorção dos raios solares pelo planeta Terra), acelerando o aquecimento dos oceanos e da atmosfera.

A fauna polar, dependente de ecossistemas estáveis, enfrenta uma crise existencial. No Ártico, espécies como o urso-polar e focas, que dependem do gelo marinho para caça e reprodução, enfrentam riscos crescentes de extinção. No entanto, o impacto não é apenas ecológico. O aumento do nível do mar, projetado em até 1 metro ou mais até o final do século, ameaça cidades costeiras e comunidades insulares, podendo deslocar dezenas de milhões de pessoas. O aquecimento polar também desestabiliza padrões climáticos em regiões distantes, afetando a segurança alimentar e hídrica de bilhões de pessoas.

Comparado a eventos de degelo no passado geológico, como o ocorrido há cerca de 3 milhões de anos durante o período Plioceno, o degelo atual é mais rápido e mais globalmente impactante. No Plioceno, o aquecimento gradual permitiu que espécies e ecossistemas se adaptassem ao longo de milhares de anos. A população humana ainda não existia, e os deslocamentos de fauna eram lentos e dirigidos pela evolução natural. Hoje, o ritmo do degelo é incomparavelmente mais rápido, causado pela atividade humana, deixando tanto a fauna quanto os seres humanos sem tempo para se adaptar. A diferença crítica está na vulnerabilidade das sociedades modernas: cidades densamente povoadas e infraestruturas costeiras estão expostas, e populações dependem de ecossistemas agrícolas e marinhos altamente sensíveis a essas mudanças.

A confluência do degelo do Ártico e da Antártida amplifica esses riscos. O aumento do nível do mar combinado, mudanças nas correntes oceânicas e na atmosfera e a intensificação de eventos climáticos extremos criam um ciclo de feedbacks climáticos potencialmente catastróficos. Esses impactos reforçam a necessidade urgente de ações globais para reduzir emissões de gases de efeito estufa e investir em adaptações resilientes para enfrentar um futuro marcado por mudanças climáticas inevitáveis. O momento atual é único na história da Terra, não apenas pela escala das mudanças, mas pela nossa capacidade – e responsabilidade – de agir para mitigar seus efeitos.

 

 

(imagem by: Imediato)

Como não poderia deixar de ser, e porque eu sou um avesso aos carros elétricos, porque acho que são mais um novo problema que a solução, eu tinha de cheirar o que que já se sabe.

Pois e tal o carro elétrico é uma grande ajuda, talvez! Mas para funcionar teríamos TODOS quem tem carro trocar para carros elétricos em tempo útil (não com o preço que estão), e em quanto tempo teríamos de fazer isso para ter algum efeito mitigante sério? E os restantes transportes, como comboios muitos ainda a combustão, navios e aviões, estes últimos cada vez mais andam aí a esvoaçar de um lado para o outro, não apenas porque temos companhias novas, mas porque essas companhias oferecem viagens a preços reduzidos atraindo as pessoas para viajarem cada vez mais.

 

A que velocidade trocar todos os carros de combustão por elétricos para obter efeito significativo

A frota global de veículos é gigantesca, com mais de 1,4 mil milhões de automóveis no mundo. Para que a troca de todos os veículos de combustão por elétricos seria necessário uma produção de cerca de 100 milhões de veículos elétricos por ano, muito acima da capacidade atual (cerca de 10 milhões/ano em 2023).

No entanto, só a troca de carros não basta. O impacto depende de como a eletricidade para carregar os veículos é gerada. Se ela vier de fontes fósseis, o efeito será limitado.

Mesmo que todos os carros fossem trocados, o transporte rodoviário representa cerca de 11% das emissões globais. Outros setores, como aviação e transporte marítimo, também precisam ser descarbonizados, seja encontramos logo à cabeça Limitações, que passam por uma falta de capacidade de produção massiva, e da falta de soluções para outros meios de transporte.

Só a aviação é responsável por cerca de 2,5% das emissões globais e está em crescendo rápido.

O transporte marítimo representa cerca de 3% das emissões globais, embora o setor esteja na procura de outros meios de propulsão como por exemplo, hidrogênio e amônia verde, e ainda velas automatizadas para reduzir consumo de combustível.

Escapa os comboios que na sua grande maioria já são elétricos, mas não ainda 100%.

 

(imagem by: National Geographic Portugal)

Fontes de energia para sustentar a demanda elétrica

A eletrificação em massa (de carros, aviões, casas, indústrias) aumentará drasticamente a demanda por energia elétrica, colocando pressão nas infraestruturas energéticas.

Energias renováveis (hídrica, solar, eólica):

Essas fontes são sustentáveis, mas têm limitações (dependência climática, armazenamento de energia, espaço físico para turbinas ou painéis).

Avanços em baterias de longa duração e redes inteligentes podem ajudar, mas há um teto prático no que essas fontes podem oferecer sozinhas.

Energia nuclear:

A energia nuclear é uma fonte limpa e de alta densidade, essencial para atender à demanda elétrica crescente sem emissões diretas de CO₂.

No entanto, os riscos incluem acidentes (como Chernobyl e Fukushima), produção de resíduos radioativos de longa duração e questões de segurança nacional.

Novas tecnologias de reatores, como reatores de fissão modular e projetos de fusão nuclear, prometem mais segurança e menos resíduos.

 

 

(imagem by: BBC)

Impacto ambiental das baterias de lítio

O uso de baterias de íon-lítio em veículos elétricos resolve parte do problema, mas traz novos desafios ambientais e sociais:

Começamos pela mineração de lítio que consome grandes volumes de água e pode destruir ecossistemas locais. As maiores reservas estão em países como Chile, Bolívia e Austrália, onde as comunidades locais frequentemente sofrem impactos ambientais e sociais negativos.

Baterias descartadas:

As baterias têm vida útil limitada (vários pontos de informação apontam entre 10 a 15 anos). Quando descartadas sem reciclagem adequada, representam um grande risco ambiental devido a metais pesados e químicos tóxicos.

A reciclagem de baterias ainda é limitada e cara, mas está a progredir: empresas estão a desenvolver tecnologias para recuperar até 95% dos materiais (lítio, cobalto, níquel).

 

(imagem by: contacto.lu)

Resumindo:

Embora a eletrificação do transporte seja uma solução amplamente defendida para mitigar esses impactos, o desafio vai além de trocar carros a combustão por veículos elétricos. Essa transição deve acontecer rapidamente para atingir metas climáticas globais, mas enfrenta limitações práticas e econômicas. Além disso, setores como a aviação, transporte marítimo e ferroviário ainda precisam de tecnologias viáveis, como combustíveis verdes e hidrogênio.

A eletrificação em larga escala também exige uma expansão massiva da geração de energia. Fontes renováveis, como solar e eólica, são cruciais, mas insuficientes para atender à demanda sem suporte de outras tecnologias, como a nuclear. Contudo, a energia nuclear traz seus próprios riscos, como acidentes e resíduos radioativos. Ademais, o impacto ambiental e social da mineração de lítio para baterias elétricas é um problema crescente, com comunidades locais enfrentando crises hídricas e ambientais. A reciclagem de baterias e o desenvolvimento de tecnologias alternativas são necessários para evitar que resolvamos um problema ambiental criando outro.

Portanto, mitigar os efeitos das mudanças climáticas e do degelo polar exige ações globais coordenadas, que integrem tecnologias limpas, justiça social e inovação sustentável. A transição não será simples, mas é essencial para evitar um colapso ambiental e social de escala planetária.


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