É preciso coragem, muita coragem, para sobreviver a um mundo que não nos quer!
O mundo é sem dúvida um turbilhão
de acontecimentos, de um lado as pessoas morrem submersas, no lado oposto seca-lhes
a garganta de um chão que não dá nada e um ar que queima por onde passa. Ou de
um lado temos guerras que que ceifam vidas na mesma velocidade que o milho
rebenta com o calor do tacho, e do outro outras crianças sonham com aquilo que
vão ser quando forem grandes, enquanto os seus pais pagam para matar as outras
do outro lado que nunca foram pipocas.
Este é o mesmo mundo onde
determinados seres humanos precisam lutar todos os dias para respirar, porque
são negros em terra de brancos, porque são pobres em terra de ricos, porque são
LGBT+ em terra de héteros, porque tem deficiências em terra de quem as não tem,
porque são mulheres num mundo gerido por homens e dos homens,…
Enquanto parece que este mesmo
mundo guina à direita, o mais à direita possível, ali meio que de surpresa desde
a Tailândia surge uma luz no ar, uma luz de humanismo, de igualdade, de
LIBERDADE. Tailândia aprova o casamento entre
pessoas do mesmo sexo, e dos 70 milhões de habitantes, foram aos milhares
casar, tal é o sufoco, a necessidade de respirar LIBERDADE, igualdade.
Foi olhando para mais este passo
em frente, num pais de cerca de 70 milhões de habitantes, que perante este
avanço milhares correram a oficializar a sua união, o seu amor, que refleti que
é mesmo preciso muita coragem e uma forte resiliência para sobreviver num mundo
monocromático onde pessoas diferentes não são bem-vindas, uma espécie de ideologia
nazi velada, que nos empurra a todos que não sejam vistos como “normais” o que
quer que isso seja, para os fundos da sociedade, sendo que ainda em algumas
geografias mais que empurrados somos enterrados no baldio mais próximo, ou enterrados
num qualquer cemitério com uma lápide numerada, porque ninguém sabe o nosso
nome, em muitas geografias pessoas LGBT+ estão mortas sem saberem, ou porque
são invisíveis, ou porque são vistas de soslaio e com desdém.
O Brasil é conhecido como o pais
que mais mata pessoas LGBT+, no entanto na Tailândia cerca de 314 mil pessoas
trans, não podem ver a sua identidade reconhecida mesmo sendo este o país cuja acessibilidade
a cirurgias de “afirmação de género” é fácil, e mesmo com a proeminência dos
artistas trans, o casamento é apenas meio caminho, é apenas uma semente num
país que como todos os demais, enchem o peito para falar de direitos humanos,
mas depois usam um crivo próprio para dizer quem desses seres humanos são merecedores
desses alegados direitos.
TODOS nós, negros em terra de
brancos, pobres em terra de ricos, LGBT+ em terra de héteros, portadores de deficiências
em terra de quem as não tem, mulheres num mundo gerido por homens e dos homens,
nunca fomos prioridade, nunca fizemos parte da massa decisória a quem se
atribui a esperança do amanhã. Nós somos apenas bandeiras agitadas quando o
vento está de feição, ou é preciso esconder uma decisão que prejudica a todos,
ora somos isco de mais uma eleição, ora somos um parque de diversões.
Eu tenho um sonho! Sonho que um
dia os brancos, todos os brancos, vão olhar os prestos como realmente iguais,
os ricos vão perceber que são os pobres que os fazem ricos, os héteros vão
compreender que amor é amor, tenha ele o desenho que tiver, e que qualquer um
de nós vivo ou por nascer, somos potenciais portadores de deficiência, seja ela
qual for, e nesse momento qualquer manifestação será uma celebração, TODOS
juntos celebraremos o dia em que enterramos o preconceito numa caixa de aço bem
grosso, na base das fossas marianas, para que NUNCA mais ninguém ouse olhar o
outro como um ser inferior seja porque razão for, …
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