Sou contra a taxação de 20% sobre prémios dos jogos da sorte, e vocês que dizem dobre isso?

 


                                                                            (image by: A Bola)


No dia 1 de janeiro de 2013 os jogos como o Euromilhões passaram a ser taxados pelo Estado português, a 20% nos prémios com valores acima de 5000€, e foi nessa altura que começou o minha critica a um estado que como em muitas outras coisas, desestimula o investimento no nosso país pelas pessoas que nele residem, mas que abre, talvez, escancare as portas aos estrangeiros, mas não são uns estrangeiros quaisquer, não aqueles que levantam às 6a.m. para apanhar transportes sobrelotados.

 

Então o processo é mais ou menos assim. Você que é uma pessoa esperançosa, que quer acreditar que com dois euros vai poder mudar a sua vida numa volta maior que a circunferência da terra em volta do sol, se ganhar qualquer coisa acima de 5000€, vai ver esse acima, taxado em 20% logo à partida, nem chegam a tocar a sua conta, e ainda bem, porque se não ficava relatado que durante um dia você teve mais uns milhões na sua conta, e volta vai, volta vem, ainda era taxado por isso (de novo), ou teria de explicar MUITO BEM ao fisco onde meteu esses milhões que lhe foram sacados por eles mesmos.

 

Vejamos, tu ganha o prémio tope de 210 milhões, subtrai a esse 5000€, e sobre os 209,995,000 milhões sofre um corte de 20%, seja 41.999.000 milhões, vão direitinhos para o Estado, e assim o seu prémio final é de 168,001,000 milhões.

Ficava triste de receber apenas 168M de 210M, não, claro que não, mas a mim o que me maça, (que chic que nós estamos), é o princípio da coisa, a sorte foi minha, não, a sorte foi por assim dizer nossa, minha que levo um bom quinhão, mas também da sociedade (se tivermos quem saiba administrar bem o nosso Money) através do Estado.

 

    (image by: Dreamstime)

Estes 20% tem suscitado um coro de comentários de grande descontentamento a nível geral, e por isso eu antes de escrever estas considerações, fui investigar um “cadinho”, mas apenas um cadinho. 

Então, primeiro é mentira que “só em Portugal é que se taxa assim”, porque outros países europeus taxam e se uns são mais generosos outros nem por isso. Por exemplo a nossa vizinha Espanha taxa os mesmos 20%, mas em prémios acima dos 40.000€, já Itália taxa os mesmos 20% nos prémios acima dos 500€, visto assim, estamos melhor que os italianos, e pior que os espanhóis. Conclusão, minha gente, não, não é apenas Portugal, este nosso fantástico país que taxa os tais dos 20% sobre os prémios do Euromilhões e outros jogos de sorte e azar.

 

Se nos taxam a sorte, fui saber quanto taxam aos casinos por exemplo, e fiquei a saber que depende de que casinos estamos a falar, e muito dos contratos de concessão.

Por exemplo os casinos físicos, quero dizer, aqueles que entramos neles pelo nosso pé, como o Casino da Póvoa, o Solverde, ou do Estoril, dependendo do jogo que estamos a falar e do tal contrato de concessão, é de 4 a 40%, sendo que destes valores uma parte é arrecadada pelo Estado a outra vai para infraestruturas e projetos locais, sendo neste ponto que o contrato de concessão tem especial significado, porque está estipulado no mesmo quem recebe o quê.

 

Já os casinos online, que prosperam como Nemopilema Nomurai, (penso que seja esta a espécie) uma alforreca que quando se pensa que a estas a matar quando a cortas, ela renasce de cada pedaço, medo,…estes casinos são taxados pelo Estado em 25% sobre a receita bruta de cada casino.

 

Pronto assim até ficamos mais aliviados, afinal não é só a nós que taxam, os casinos também, mas os prémios atribuídos no casino, os premiados não são taxados, mesmo que os prémios excedam os 5000€, mas, claro que tem um mas, quando o premiado deposita o prémio na sua conta bancária vai pagar impostos (penso que no IRS) por rendimentos extraordinários. Depositem, não guardem debaixo do colchão, sempre melhor.

 

(image by: Vexels)

Então porque é que o Estado taxa os tais 20% logo à entrada?

Uma das justificações prende-se com a pretensão de o Estado aumentar a receita fiscal sem que para o fazer tenha de aumentar determinados impostos, (como se já não pagássemos demais), e desta forma “poupa” a população se acréscimo tributário.

Outra razão é que o prémio é encarado como um “rendimento excecional” que no nosso país estão sujeitos a taxação. Precisamos é depois estar BEM atentos no caso de termos essa sorte de ganhar o Euromilhões, não nos taxarem de novo, porque se o fizerem vai ser um calvário explicar que já foi taxado, e devolverem essa segunda taxação vai demorar, e enquanto isso estamos a perder dinheiro, porque penso ainda não aprovaram a situação de o Estado pagar juros de demora nos pagamentos aos cidadãos.

Mas tem mais como, “justiça fiscal e redistribuição”; “harmonia com práticas internacionais”; “racionalizar o impacto social dos jogos de sorte” (não nos ensinam a fazer o IRS, nem investem na saúde mental, mas querem mitigar as criticas sociais de exploração dos jogos), a cada item um LOL bem gigante, mas tem um último que é “Limitar a Concentração de Riqueza”, e esta, eu, como devem imaginar, estou a rebolar no chão. Hoje nem fui ao gym, de tanto rir fiz mais abdominais que numa semana de gym. Sobre este ponto diz num dos muitos locais que visitei (desculpem nunca vou tomando nota) o seguinte texto: “…a tributação elevada em prémios muitos grandes como os do Euromilhões, tem como objetivo evitar a concentração extrema de riqueza num único individuo…”, quando li isto imaginei logo o Estado português a tributar as grandes fortunas de forma mais expressiva, tendo em conta este objetivo.

 

Mas quis saber um pouco mais, então o Estado já taxa a Santa Casa (SCML), detentora da exploração deste tipo de jogos, depois taxa-nos porque ganhamos, e depois taxa quando usamos o prémio para adquirir um novo estilo de vida, é só taxar,…mas vamos por etapas.

 

(image by: Dreamstime - composta)

Uma das críticas é a dupla taxação dos jogos, seja o Estado taxa a SCML, e depois taxa os premiados acima dos 5000€. Quando o estado taxa a SCML, executa essa taxação sobre as receitas líquidas da instituição, e a distribuição é mais coisa menos coisa, isto:

 

55,92% – Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS):

  • Este montante é alocado para o financiamento do sistema de Segurança Social. Contribui para pensões, subsídios e outras despesas sociais geridas pelo IGFSS.

26,52% – Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML):

  • Esta fatia é destinada à própria SCML, permitindo o financiamento de projetos sociais, de saúde, culturais e educativos, alinhados com os fins estatutários da instituição.

2,2% – Ministério da Cultura:

  • Este valor é aplicado no Fundo de Fomento Cultural, que financia projetos culturais e artísticos em Portugal.

2,47% – Governo Regional da Madeira:

  • Utilizado para o desenvolvimento de projetos na Região Autónoma da Madeira, com foco em iniciativas locais de interesse público.

2,38% – Governo Regional dos Açores:

  • Destinado a projetos e iniciativas da Região Autónoma dos Açores, similar ao valor alocado à Madeira.

3,5% – Entidades associadas às apostas:

  • Esta percentagem é distribuída para clubes desportivos, federações ou outras entidades que são foco das apostas realizadas (ex.: no caso de apostas desportivas, vai para os clubes envolvidos).

 

É de fato um conjunto pesado de impostos que o Estado retém para manutenção das atividades várias que ele enquanto gestor do sistema social necessita.

Entendendo o conceito da coisa, entendendo o porquê da coisa, questiono-me:

- Não está esse mesmo Estado, com isso a desencorajar o premiado a investir no seu país?

 


Por causa desta questão criei um cenário básico, que penso toda a gente a quem a fortuna bate à porta, pensará em fazer, seja, compra de uma casa e um carro bem interessante, duas coisas básicas que para quem arrecadou os tais 168M de 210M é provável o faça.

 

Tendo em conta o mercado, não é difícil adquirir uma vivenda por um milhão (e acreditem estou a ser simpático e comedido, verdade que posso adquirir conforto por meio milhão, mas tem em V.N.Gaia um T4 por 2M, ou na Foz no Porto um T3 por 1300M), e por comprar uma casa por 1M tenho de pagar ao Estado IMT e imposto de selo, no valor de 59.082,22€ (cinquenta e nove mil euros), no mesmo percurso decido comprar o mais caro SUB da Jaguar, um F-Pace no valor de 175,617,00€, e o mesmo Estado arrecada dessa minha exibição 30.000€, só em duas compras o mesmo estado que me sacou do meu prémio 20% do mesmo (41.999,000M), junta a esses no “opening” da minha nova vida mais 89.082€, quase mais cem mil, que no meu caso rapidamente ultrapassaria isso, já que tenho gostos caros, e uma família a premiar caso me apeteça.

 

Perante isto, perante esta taxação tresloucada que a meu ver é desmotivante de pensar para o meu país, questionei, e como poderia fazer para levar o Money para outras paragens, …mas lembrei, que tirar dinheiro do país também é taxado, posto isso fui investigar e…

 

Então tenho algumas boas noticias, tendo em conta alguns “senão” podemos levar o nossos 168M daqui para fora sem sermos mais taxados, nunca pensei, na minha massa encefálica sempre residiu a ideia de que levar dinheiro para fora do país seriamos taxados, e até seremos, mas não neste caso, uma vez que este dinheiro em causa já foi taxado, por isso PT não nos taxa de novo, mas para onde vamos é outra conversa!

 


Podemos sempre levar um malão, desculpem SEIS malões de 200L cada, carregadinhos de notas de 200€, mas não aconselho! Primeiro dá muito nas vistas, precisam de uma carrinha tipo monovolume e, depois podem sempre perder tudo, incluindo a vida, por serem roubados, por isso melhor mesmo fazer transferência bancária

 

Assim o Luxemburgo e a Suíça, mas também outros países da UE com acordos sobre dupla tributação, não cobram imposto pela saída/chegada de tal montante, uma vez que se trata de dinheiro já taxado na origem. Mas o banco, essa instituição que trabalha para nos servir, que está sempre ao nosso lado, essa vai cobrar em princípio por essa transferência pelo que convém se informar e negociar com o seu banco se for o caso.

 

Mas tem outras formas de levar o Money sem pagar, podemos sempre ir de férias e abrir uma conta num desses países e transferir os fundos para esse banco, comprar ativos nesses países e ou criar um fundo fiduciário, (não me perguntem), e assim poderá gerir o dinheiro internacionalmente minimizando impostos protegendo os ativos para quem fica depois de nos irmos desta vida.

 

Concluindo – não, não sou a favor de sermos tributados por um prémio que é nosso, sou por isso contra essa coisa dos 20% sobre os prémios acima dos 5000€ ou qualquer outro valor. Querem receita, investiguem porque é que miúdos menores de 18 anos tem casas de praia ou iates em seu nome, de onde veio o dinheiro para essa aquisição, porque em PT é proibido os menores trabalharem, e mesmo que o fizessem não daria para um iate. Querem receita, investiguem onde os estudantes estão alojados, onde estão os recibos das rendas, quem arrenda e por quanto, onde estão os impostos disso,....

E mesmo com esta minha oposição, eu ficaria no meu país e na minha cidade, e com tantos milhões vos garanto que ia ao mesmo tempo que ajudar muita gente, (a família primeiro), também ia agitar as águas, e talvez de uma forma que muitos nem imaginam, uma agitação primeiro para uma cidade melhor, depois um país melhor, e por fim talvez um mundo melhor.

 


Já estou sentado à espera, faz tempo, de que me depositem qualquer quantidade de milhões…


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