O Chuveiro cor-de-rosa, 2ª parte

 



Verdade que na primeira parte desta que é mais que uma reflexão, é uma denuncia da personalidade ou da falta dela, de alguém que pelo menos aqui naquela que chamam capital do norte, é considerado “persona não grata”, mas se a pessoa em causa é vista por muitos de nós segundo a descrição que na primeira parte fiz dessa pessoa, a verdade é que o evento em si, não merecia outro individuo, olhando o mundo e o país mesmo a olho nu, segundo o risco, e desequilíbrio, a precária situação dos direitos humanos, e em particular o Direito das pessoas LGBT+, perante a presença crescente da ignorância.

 

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- Até parece que és contra o euro pride?

 

Sim e não, sim tendo em conta o contexto que descreverei, não porque nada tenho contra celebrações de qualquer tipo, exceto aquelas que usam vidas para encher os bolsos e passar a ideia de que está tudo bem, …mas vamos antes, seguir a minha visão, para poderem no final decidir o que quer que seja.

 

O evento em causa não passa de uma farsa, promovendo a sociedade LGBT+ como uma sociedade saudável em diferentes dimensões da vida. O evento promove a ideia, e por várias vezes quer Divisi quer outros indivíduos tem divulgado esta comunidade como sendo um mercado apetecível, como se estivéssemos a falar de valores da bolsa, ou um qualquer outro produto nas prateleiras de um qualquer supermercado, e com maior disponibilidade financeira.

 

Verdade que haverá muitos indivíduos da nossa comunidade com maior disponibilidade financeira falemos primeiro a nível mundial, é sabido que existe um grupo de pessoas cuja a sua vida reside numa constante viagem, entre correr atrás do sol, e de mega eventos LGBT+ que ocorrem um pouco por todo o mundo, sim é verdade, mas nesse grupo não está, que se saiba, nenhum grupo alarmável de portugueses, porque a realidade das pessoas LGBT+ portuguesas é outra.

 

Verdade que alguns de nós dispõe de finanças para investir em férias, e festividades, mas arriscava que entre os nossos números, esses serão 0,001% da nossa comunidade. Porque a realidade portuguesa é outra. Falaremos de pessoas que tem negócios, mas que umas férias por exemplo no Dubai, requer planeamento, e acontecem se não uma vez na vida, de forma mais espaçada no tempo, porque não auferimos assim tanto. Quem tem negócios poderá dar-se ao prazer de fazer mais, mas quem é empregado, mesmo que de topo, tem uma casa para pagar, eventualmente um carro, e as férias e festas são luxos pensados. Não somos por isso esses elementos de bolsos profundos como nos vendem determinadas entidades e pessoas, teremos muitos de nós uma maior disponibilidade financeira porque mesmo com estas despesas, não temos filhos, mas também ai felizmente somos cada vez mais aqueles que optam por adotar e alargar a sua família por esse meio, e por inseminação, o que faz de nós afinal pessoas tão iguais como as demais.

 

E se essa capacidade reside em apenas 0,1% da comunidade LGBT+ mundial e na minha avaliação de 0,001% da nossa comunidade, este evento é coisa para inglês ver, como de fato o é, dado que o cerne da sua agenda são eventos festivos uns depois dos outros, podendo ser enfeitados com eventos de cariz intelectual e ou político, mas olhando as agendas de EP anteriores, as festas são o ponto alto. Depois fica logo a questão, que legitimidade tem Divisi para organizar esses eventos, a mesma pessoa que apoiada pelo atual anfitrião, Variações, subtrai a marca de um evento a outra entidade, como numa “opa” hostil? A mesma pessoa que pretende abafar a luta com vista à festa, colando cartazes de um evento onde é organizador por cima de cartazes da Marcha política da cidade? Pois fica complicado encontrar legitimidade na pessoa para o que quer que seja.

 

Portugal tem um conjunto de eventos festivos LGBT+ e atividades em bares e discotecas que servem a comunidade, não carecem de mega eventos patrocinados muitas vezes por entidades que   -  não respeitão questões salariais entre homens e mulheres; não tem contratações de pessoas trans, ou abertura para pessoas gays e lésbicas, e ou respeitam as questões de benefícios idênticos entre pessoas heterossexuais e não heterossexuais alegando que uma e outra coisa, não são o mesmo  -  mas que como estamos em festa tudo vale, só que não!

Deixem aqui juntar outra questão.

Em 2020 o mundo estava parado, uma pandemia assolava a sobrevivência de milhares de milhões de pessoas, e toda uma economia. O então presidente da Variações, terá, alegadamente negligenciado funcionários e a sua sobrevivência no negócio que detém de hotelaria. Acham mesmo que o que está em foco é direito das pessoas, sejam elas LGBT+ ou não?

É por ai que também apresento o evento EP como supérfluo, fora de contexto no nosso país, e em particular na nossa cidade de Lisboa, a capital tem outros problemas bem mais urgentes para serem tidos em conta, e o investimento da CML para este evento, teria maior utilidade no apoio a pessoas sem-abrigo e pessoas idosas a residir em Lisboa, mas a soberba politica, ou a cegueira politica social, ignora quem vive na pobreza e no seu limiar, para “com bolos, enganar os tolos” ao som de carros alegóricos, enfeitados de mentiras, subversões, explorações, e por ai vai. Não há política na alegoria do “chiquibum” que promova melhorias na vida de alguém, que não seja de quem organiza e explora, e prova disso temos nas fotos de algumas Marchas do Orgulho LGBT+ de Lisboa, onde esses carros alegóricos promocionais de “lables” a bombar decibéis, não tinham espaço, nem neles nem no seu redor, para manifestações políticas, porque os convivas que os perseguem estão lá numa alienação da realidade daqueles que dizem apoiar, e estarem preocupados.

 


O EuroPride2025 não tem condições de prosseguir neste momento, pois não apenas Divisi é alvo de investigações por parte do ministério público por alegados documentos falsos e apropriação de dinheiros, como a própria Variações e segundo a reportagem, é deixada numa situação de uma gestão danosa de verba pública.

Depois e olhando EuroPrides anteriores, cada um deles envolve a comunidade nas suas diferentes representações, o evento aqui no nosso país, não só perdeu todos os demais proponentes da candidatura inicial, deixando a Variações sozinha, como a restante comunidade associativa e ativista não quer que o evento venha para o nosso país. Pelo que havendo um país suplente esse devia ser contatado e transferir o evento.

 

Não sei do resto das pessoas da nossa comunidade, mas eu não estou à venda, enquanto ativista mesmo que atualmente mais “off record”, e perante a atual situação política e social do nosso país e do mundo, não vejo com bons olhos o evento em causa.

Claro que toda e qualquer pessoa é livre de ir “abanar o capacete” para lá, no caso de ele se realizar, mas penso que devemos enquanto comunidade entregar as nossas energias a engrossar a nossa representação política nas Marchas do Orgulho que existem em todo o país e ilhas, e abanem o tal capacete nas festas que temos, nos bares da nossa comunidade.

Estamos em luta pela sobrevivência dos menos privilegiados, e de toda a sociedade que se quer, plural, multicultural, diversa, inclusiva.


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