As portas de uma guerra civil ou, o inferno de Dante?
As portas de uma guerra civil ou, o inferno de Dante!
Considero uma vantagem estar além das notícias, seja, estar faz pelo menos cinco anos que não vejo noticias, falo de telejornais, jornais ou outros suportes em que a noticia esteja presente na integra, ficando-me apenas pelas “gordas” aquelas que anunciam a noticia, com pequenos resumos, se o titulo me chamar atenção, pergunto ao marido o que ele sabe sobre o assunto, e ou procuro resumos, provindos dos mais variados pontos.
Ao mesmo tempo, por vezes dou por mim, meio que preocupado, do género que acontece alguma coisa do tipo “handmaid's tale”, vem uns quantos tipos com umas fardas mandam-me deitar no chão, fuzilam-me, e mandam-me entrar num qualquer veiculo apenas porque sim, e eu completamente alienado, só depois venho a descobrir que estamos ou em guerra, ou numa mutação social militarizada que pode ser tudo, uma revolução para a liberdade, ou o inicio de uma ditadura, que me passou completamente ao lado a sua organização.
Porque vos escrevo isto, porque hoje estive a ver um programa de dois episódios, seguidos, no canal História, sobre “Guerras na Selva”, seja, guerras que se passaram em ambientes de selva, como Vietnam, Cuba ou Indonésia, …por um acaso não reportaram a nossa havida em África.
Depois de visionar o programa e sem ligação aparente, (sou eu s dizer, porque tem), lembrei do absurdo que tem sido a atual administração americana, e inspirado por essas imagens e descrições sobre os acontecimentos e os jogos de bastidores presentes em cada uma dessas guerras, trouxe de novo à conversa do meu tico e teco, a possibilidade eminente, que na minha opinião porque mais que a queiramos descartar é uma realidade, tenha ela a dimensão que venha (se realmente vier) a ter. E uma das dessas possibilidades um dos catalisadores é que não tarda vai começar a haver cada vez maior descontentamento no mercado americano, que vos vou tentar explicar de uma forma simplória.
TODOS pagamos taxas, diretas ou indiretas. Vejamos, quando compramos nos nossos hipermercados bananas vindas do Equador por exemplo, o carregamento dessas bananas para entrarem no nosso mercada nacional, vulgo país, teve de pagar uma determinada taxa. Essa taxa não nos é apresentada como tal quando compramos um quilinho dessas bananas, essa taxa é diluída no valor de compra, seja, 1,99€/kg dessa banana, inclui vários itens, taxas de importação, percentagem do intermediário, transportadores (navios e camiões), e da própria superfície comercial onde a compramos. Talvez por isso, a maioria de nós, não tenha a mínima ideia de que quando se fala de taxas comerciais, falamos na verdade do preço final, seja, do valor cobrado ao consumidor.
A obtusidade do atual presidente dos EUA está por isso a colapsar a economia do seu pais, porque ao aumentar as taxas de importação de quase tudo que entra no seu país, está com isso a elevar os preços dos bens que daí advêm, a ponto que pode criar, e ou cria uma cadeia de acontecimentos devastadores.
Se custa muito mais adquirir químicos necessários na produção de medicação, ou na produção de veículos automóveis de vário tipo, as empresas vão despender mais na aquisição, que por sua vez vão cobrar mais na sua venda aos revendedores, que por sua vez vão cobrar mais ao consumidor. Tudo isso pode não acontecer se por exemplo as empresas sacrificarem as suas margens de lucro, em prol de manter as vendas, mas a verdade é que a empresa de transportes poderá fazer isso, mas se calhar a empresa que importa energia não abdica da sua margem de lucro, e assim o preço das coisas vai aumentar na mesma. Desta forma algumas empresas podem não conseguir comportar tais despesas, começar a fazer despedimentos, ou a pagar menos pelo mesmo trabalho (pouco provável que tenham sucesso), resultado, uma recessão absurdamente dramática.
Mesmo que haja vontade de em determinados casos os EUA se disponham a criar as suas próprias empresas para a produção de determinadas coisas, que antes importavam, isso pode não ser possível, por falta de matéria prima existente nesses outros países, que perante um cenário de não comercializar o produto como uma peça, mas apenas a sua matéria prima necessária para a sua confecção, o que vai acontecer é um acréscimo do valor dessa matéria prima para fins de exportação, como forma de compensar o desemprego dessas linhas de montagem que produziam essas peças para exportação. Éééééé, está tudo ligado, e só não entende isso quem anda distraído com fake news, e futebóis.
Chegados aqui, que já vai longo, com empresas a ter de fechar, com prateleiras vazias, e ou com os mesmos produtos mais caros, e com a falta de poder de compra da imensa maioria dos cidadãos americanos, o desconforto, traduzido em descontentamento, pode rapidamente desencadear movimentos armados que ou vão saquear as superfícies comerciais, resultando no aumento da criminalidade, nomeadamente, criminalidade violenta, como pode desencadear lideranças localizadas que dirigem grupos armados (coisa difícil de encontrar nos EUA), que podem juntos com outros grupos, ou cada um por si, desencadear uma guerra civil.
Em 2011, o Southern Poverty Law Center (SPLC) identificou 334 grupos. Esse número caiu para 276 em 2015 e para 165 em 2016. Em 2022, estimava-se que quase 200 grupos ainda estivessem ativos. Perguntam vocês quem são os SPLC, trata-se de uma organização que mantém uma lista nacional de grupos extremistas, como milícias armadas, supremacistas brancos, neonazistas, movimentos anti-governo e outros. E que anualmente produz um relatório "Hate Map" com a localização e tipo de cada grupo ativo nos EUA.
O que impede estes alegados, atuais, 200 grupos se unirem e ou cada um por si desencadear um qualquer tipo de resistência, e o que impede de as fileiras destes grupos engrossar exponencialmente com a restante população descontente, e já ela mesma possuidora de pelo menos uma arma?
Agora imaginemos as repercussões de uma guerra civil nos EUA nesta altura do campeonato? Temos uma guerra acontecer faz mais de dois anos na Europa, mesmo que não venhamos a ter uma guerra civil nos EUA a “guerra” pela sobrevivência no resto do mundo, (américa incluída), tem um preço elevado. Países como o Brasil, México e Alemanha com o absurdo das taxas comerciais, perdem income abrindo crises nos seus países, e quem diz estes três fala de outros tantos. Não vou dizer que é mau ou bom, mas com o colapso dos EUA como potencia a diversos níveis coloca em causa a existência da NATO, países que são subsidiados pelos EUA, abre caminho para novas alianças da Europa com a Ásia (União Europeia + ASEAN).
Podemos com toda esta agitação, não disparar um único míssil, dar um único tiro, mas enquanto o mundo não se reencontrar nesta crise, o mundo estará numa guerra “silenciosa”, uma espécie de guerra fria, onde a classe media, média-baixa e principalmente baixa, terá elevadíssimas dificuldades de sobrevivência.
Tentei sempre ver mais além do que a minha bolha social me oferece, e o mundo lá fora, não é MESMO nada bonito, quando falamos de seres humanos, das condições em que sobrevivem, e perante um cenário como aquele que se nos avizinha sobre as mais variadas formas possíveis, (económicas; guerras; catástrofes naturais; pandemias…), eu diria que o inferno de Dante foi uma visão bastante real!

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