Daniel escreveu e eu tinha que cagar a minha opinião!

 

(photo by: Freepik)


Daniel Oliveira escreveu, eu li, fui à procura, e depois decidi verter, mesmo que não me tenham perguntado nem me paguem para isso, a minha opinião, que devo alertar não é construída porque sou um fã de Daniel, porque não sou, apenas vou lendo, e quando concordo ou discordo, posso verificar e acho que tenho uma opinião, seja ele ou outro qualquer, decido apresentá-la.

Penso que por vezes não serve de muito procurar estudos, estatísticas, documentação, o que seja para ensinar quem não quer aprender, é uma espécie de chover no molhado, mas ao mesmo tempo penso sempre naqueles que mesmo não procurando, em determinadas redações se reveem, os deixa pensativos, desperta-os para a realidade mesmo antes de terem um Trump a arrumar a casa deles.

Daniel Oliveira com este breve trecho chama atenção para um fato que a Alemanha já chamou, por meio de um spot televisivo, mostrando quem são as pessoas que ocupam inúmeros lugares de uma quantidade de serviços nomeadamente públicos, como hospitais por exemplo, e nós se calhar teremos já alguns números interessantes de médicos e outras categorias que asseguram o nosso sistema de saúde.



Mas como eu sou um pobre com privilégios vários, e como nunca esqueci que tomava banho numa bacia, e não tinha água quente em casa, isso deixa-me constantemente em alerta, quanto ao que se passa em meu redor, e por isso também sei que, muitos desses espaços públicos e privados, nomeadamente escritórios, estão limpos quando lá chegamos porque quando nós ainda dávamos mais uma volta na cama, e o despertador ainda ressonava, já algures nos subúrbios da cidade uma pessoa negra muitas vezes, imigrante (cada vez mais), despertava, abandonava a família e apanha um (ou vários) transporte público para fazer a limpeza desses espaços. São funcionarias(os) de empresas prestadoras deste tipo de serviço, contratadas por um bom quinhão, mas que distribuem migalhas a quem lhes enche os bolsos, e tantas e tantas vezes com contratos, desculpem recibos verdes, para que sejam facilmente despedidas se acharem que não estão bem, que na verdade não estão. Entre estes contratos está o próprio Estado que contrata empresas de limpeza, sem qualquer escrutínio sobre as condições laborais das funcionárias(os) dessas empresas, desde que os espaços surjam limpos, está tudo bem, não é mesmo.

Não vale pensar que estas pessoas migrantes estão a roubar o lugar a qualquer tuga, porque não estão, e na minha perspetiva por duas razões:

1 – Temos cada vez mais tugas formados, não obstante a procura singular por maior formação de cada pessoa, em alguns casos essas pessoas são “obrigadas” a seguir os caminhos da formação, e que quando terminam essas e outras formações, não estão na disposição de ingressar num mercado de trabalho que as seleciona segundo o seu curriculum, mas lhes paga como se ele não existisse, e por isso, muitos desses tugas imigram para outras geografias onde os salários mesmo que em trabalho menos qualificados, são melhores que os nossos.

2 – O outro é porque estas pessoas migrantes desesperam por novas oportunidades, numa formação que lhes fugiu pelas mais variadas razões nos seus países de origem, mas também e ainda em alguns casos porque outros tempos outras prioridades, outras exigências, deixou muitos sem formação, e por isso limpar, servir, ou qualquer outro trabalho desde que pago serve.

De repente parece que alguns nos querem fazer acreditar que as empresas de construção civil têm à porta uma fila interminável de tugas com o desejo incomensurável de serem trolhas, foi o que pensei, mas por exemplo aqui nas obras do meu prédio, o brasileiro parece quase língua oficial. E os sotaques, de variados porque provem de outras origens, faz lembrar uma espécie de feira internacional, onde falamos mais ou menos todos a mesma língua, mas com sotaques vários.

Por isso quando se descobre umas dezenas de pessoas numa qualquer cave a sobreviver, eu não fico puto com essas pessoas, mas sim com quem lhes cobra renda, com quem as trouxe comprando os seus sonhos, e que não vejo nenhuma dessas pessoas nas notícias e mais que isso sentados entre quatro paredes e umas grades, mas os explorados, esses apressamos a mandar embora, para realidades de onde fugiram como podiam.

Ainda se recordam quem foi para o interior de Portugal colmatar as falhas de médio? Sim, isso, médicos cubanos, que depois vimos os nossos mais ou menos idosos a falar maravilhas da sua simpatia, profissionalismo, e do engraçado que era entenderem-se, …parece que nem os muito qualificados querem ir para todo o lado, não é mesmo!?

Por isso, sejam bem vindos e bem vindas todos que veem por bem, podem continuar a usar o vosso hijab, outros comer com as mãos, e a cantar a vossa cultura, pois como disse, quem vem por bem é sempre bem-vindo! Já agora sabem quem construiu a Petrogal em Leça da Palmeira, a mesma que agora se desmantela? Pessoas negras, migrantes, importados de propósito de países africanos, ex-colónias, eu estive com eles! Se calhar agora devíamos conhecer quem são os que desmantelam a coisa.

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