Nasceu Anacleto Bonifácio de Albuquerque Durildes...
Nasceu Anacleto Bonifácio de Albuquerque Durildes, contudo a situação da sua família não permitiu que fosse criado pela mesma, e por isso foi deixado numa instituição para adoção.
Anacleto Bonifácio de Albuquerque
Durildes, foi adotado por uma família que se veio a revelar, passado algum tempo,
não ter condições de cuidar dele, e por isso os sistema retirou a criança a
esta família, tendo Anacleto Bonifácio de Albuquerque Durildes, sido adotado
por uma família que o acolheu com muito amor e todas as condições que uma
criança necessita para se desenvolver convenientemente, a família onde hoje Anacleto
Bonifácio de Albuquerque Durildes é filho e por isso membro da família, é a família
Santos, que hoje para simplificar o chama apenas Dudu!
A Marcha do Orgulho LGBT+ do
Porto vulgo MOP, como tantas outras, nasceu chamando-se por quem a batizou para além
do seu propósito, com este nome, contudo esta como outras Marchas do Orgulho em
Portugal tem quer na sua génese, quer nas nomenclaturas atuais entidades e
pessoas que não fazem parte da vasta sigla LGBTQUIA+, e por isso mesmo a certa altura
houve quem de fora da comunidade, mas dentro da organização da MOP questiona-se
o seu nome.
Nesses tempos os debates foram
feitos e hoje não se questiona mais o nome da criança, Anacleto Bonifácio de
Albuquerque Durildes ou a MOP podem ter as famílias que tiverem que o seu nome
de batismo será o mesmo, porque tal como Anacleto Bonifácio de Albuquerque Durildes
a MOP é no caso uma entidade em construção permanente, albergados seremos por famílias
tão diversas, mas a nossa identidade muda quando quisermos, porque a poderemos
sentir não mais nos definir, mas até lá este é o nosso nome.
E porque escrevo eu estas linhas?
Por causa de uma foto, a que é capa deste artigo, haverá outras tantas do género, mas hoje é esta, que me
vai ajudar a talvez fazer entender quem porventura não tenha observado a coisa segundo
esta perspectiva e por isso algumas imagens e definições faladas ou escritas
possam causar confusão.
As Marchas do Orgulho e em
particular a MOP nasceram da necessidade de trazer a público o debate da coisa
LGBT+, começou pela Marcha do Orgulho de Lisboa e depois de um assassinato bárbaro
a várias dimensões, nasce a MOP, e mesmo nesse parto difícil, porque revestido
de dor e sangue e um milhão de interrogações, os pais e mães desta Marcha
tinham agendas várias, desde as questões LGBT+ ao racismo, das questões da violência
de género ao mercantilismo do ser humano em todas as suas dimensões existenciais,
a cola que nos unia no parir desta luta era sangue, e não se cingia ao sangue
de uma mulher Trans, de seu nome Gisberta, mas também ao sangue nunca visto de Joana Cipriano no
Algarve (final de 2005), e ao bebe que uma avó depois de o queimar lançou ao
rio Douro (inicio de 2006), situações que o Portugal de então não estava habituado
e que veio agitar as águas, consciências, formas de estar em sociedade.
De 2000 para cá, as Marchas do
Orgulho multiplicaram-se por todo o país e ilhas, assim como a legislação sobre
as questões LGBT+ também foram sendo reajustadas, alteradas, redigidas em
conformidade com uma sociedade que avançava no sentido da diversidade e do
respeito por essa diversidade. As Marchas no nosso país tiveram um papel de
elevado valor, mas não podemos ficar alheios que o tsunami que se sentida pelo
resto do mundo, nomeadamente em democracias algo idênticas à nossa, tiveram a
sua cota parte de influência, quer na movimentação social, quer na visão política
da coisa.
Essa evolução de que falo, é a
mesma que faz que dentro do movimento LGBT+ outras bandeiras se levantem que
não apenas a bandeira LGBT+, bandeiras como a do feminismo, do racismo, da
Ucrânia ou da Palestina, porque hoje quando marchamos já não marchamos apenas e
só por nós tugas, mas antes marchamos por todas as pessoas LGBT+ que também
nesses conflitos sucumbem aos raides aéreos que não questionam orientações
sexuais, ou identidades e expressões de género. Hoje marchamos também pelas
mulheres que todos os anos caiem às mãos da ignorância dos seus companheiros,
mulheres que além de nossas aleadas no passado e presente, são nossas mães, nossas irmãs,
nossas filhas. Mais vale tarde que nunca, digo eu, mas hoje as Marchas do
Orgulho carregam consigo a bandeira cigana, porque além de um povo na mira da extrema-direita,
nela vive também pessoas LGBT+.
É por isso mais que natural que
no ceio da organização das inúmeras Marchas do Orgulho LGBT+ a acontecer pelo
nosso país, outras bandeiras se ergam entre nós, e ninguém precisa entrar em
cuidados por isso, porque tal como Anacleto Bonifácio de Albuquerque Durildes,
as Marchas do Orgulho ergam a bandeira que erguerem serão sempre as Marchas do
Orgulho.
Nós todos, pessoas de diferentes
estratos sociais, LGBT’s, pretas, ciganas, imigrantes, mulheres, precisamos
entender que temos muito mais a ganhar juntas, que cada um com a sua bandeira,
precisamos entender o movimento em volta destas Marchas do Orgulho, como um
carro, e tal como um carro em movimento, ele avança mais e melhor se mantiver as
quatro rodas na extremidade de cada eixo. Pneu cheio na pressão certa, que é
como quem diz, cada uma fazendo levantar a sua voz, mas juntos, nessa Marcha
mais ou menos lenta, na defesa da democracia, da LIBERDADE dos nossos direitos.
Não há direitos sem deveres,
sabemos disso, e se tivermos todas um dever, esse será o da vigilância, e vigiamos
mais, e protegemos mais, de mãos dadas!
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