O dia em que a guerra começou, …foi assim!

 


O dia em que a guerra começou, …foi assim!

 

Hoje estava a ser um dia como todos os demais. Acordei tomei um duche, a noite foi quente, e sai para comprar o pão. Na padaria conversamos de costume, aquela que chamamos de “jogar conversa fora”, verbos de circunstância, ou focados nas notícias do momento:

- Já colaboraste?

- O quê?

- No crowdfunding da Joana Marques, para pagar aos Anjos!

Depois disto, laçamos uma e outra gargalhada. Tomei o meu café, paguei e sai. O dia estava nem quente nem frio, estava uma manhã tranquila com sol, quase sem vento, e as pessoas como eu, andavam de manga curta, olhávamos uns para os outros, saltavam-se alguns sorrisos, já o transito a esta hora não dava para rir, a confusão do costume.

Lá fui caminhando até casa, ai chegado fiz o meu leite com chocolate, um pão fresquinho com manteiga e fui para o terraço tomar o meu pequeno-almoço. O marido que acabou de acordar junta-se a mim e falamos de como vai ser o dia de cada um. Depois fomos para o PC passar os olhos pelo feed das redes várias, e entre tanta parvoíce tínhamos como pano de fundo a guerra ou as guerras, melhor dizendo.

Rússia com a Ucrânia – Israel com Gaza, e com o Irão – e depois as guerras de palavras entre “líderes” vários, com as monstruosidades de Trump em destaque, e comentamos um com o outro, pela enésima vez, “- Um dia destes acordamos mortos!”, e lá seguimos com os nossos afazeres. Eu para não variar perdi-me nos vídeos daqueles que correm atrás do sonho em concursos de talentos como “The Voice”, adoro observar as histórias destas pessoas, os seus sonhos e as razões das suas “corridas” várias num mundo em colapso, por um lado faz-me sentir alguma, pouca, esperança, pelo outro lamento, porque bem na parte de trás do subconsciente sinto que tudo vai acabar amanhã.

Entre visionamentos e leituras, a manhã passou, e por isso mesmo dediquei-me a pensar no almoço, com pouca vontade de me debruçar sobre o assunto, disse ao marido que ia buscar de comer, e lá fui eu. Chegado ao restaurante, cumprimentei o pessoal, somos conhecidos de muito tempo, paguei e aguardei pela minha encomenda, feita durante a viagem para não ter de esperar muito – ups, chegou, despeço-me e faço-me ao caminho.

Terminamos de almoçar e o marido foi para o seu pouso de sempre, frente ao PC, entre diversão e preparar as aulas, fica por lá horas a perder de vista. Eu decido que preciso arrumar umas coisas no terraço, e sem perceber sou absorvido por uma sensação de desconforto, parece que o comer, que até estava muito bom, não caiu bem, mas ao mesmo tempo o desconforto não era estomacal ou outro ligado com a refeição, era outro tipo de mau estar, de que parecia não valer a pena o que estava a fazer, como se fosse inútil.

No instante seguinte ouvi algo como quem rasga um tecido, seguido de um estrondo abismal. Primeiro corri para o marido e questionei: - Ouviste este estrondo?

- Ouvi, mas veio do teu lado, não viste nada!?

Ao mesmo tempo que dizia que não, porque corri na direção dele, caminhava para o terraço para olhar em volta, mas não foi preciso, quase à minha frente, naquilo que identifiquei como sendo a zona da refinaria de Leça da Palmeira, uma enorme nuvem negra, estávamos a cogitar onde seria e o que teria sido e ouço de novo o som de quem rasga roupa, e outro estrondo, desta vez para os lados de Matosinhos, seguido de um outro do aldo de Gaia, e quando fomos ver a torre do Monte da Virgem não existia mais.

Olhamo-nos e ficamos paralisados! Os olhos rasos de água, puxavam-nos na direção um do outro, abraçamo-nos, e em uníssono sussurramos: - Começou!

Ato seguinte, corremos para os PC’s, ligamos o rádio e a TV, as noticias atolavam todas as divisões, na rua começava-se a ouvir gritos e choros, o nosso cão parecia um alarme em colapso, agitado, a querer dizer-nos que o que sentia não era bom.

Mais ou menos descansados, ou o que quer que isso queira dizer, porque não estávamos junto de nenhum objeto estratégico, fomos mantendo uma calma aparente.

Do nada deu-se o racional, disse: - Amor venho já!

Saí disparado, peguei no carro e fui ao supermercado, lá chegado as pessoas estavam meio que catatónicas, eu aproveitei a estagnação provocada pela confusão e carreguei o carrinho com uma quantidade de enlatados, pilhas, água em garrafões, e sai de fininho. Cheguei a casa o marido, aprovou a ação com o olhar, e foi fazendo o relato do que estava acontecer no resto do país, o mesmo tempo, que ouvíamos caças portugueses a passar por cima da nossa casa, tendo em conta que estamos num prédio, o mais perto era a casa da mãe dele, decidimos pegar em meia dúzia de coisas, ensacar, carregar na carrinha e irmos para casa da mãe dele.

Trancamos a casa, pegamos no nosso filhote de quatro patas, e fomos…mas nunca lá chegamos!

Era para ter sido um dia como os outros, mas foi o inicio do fim, o inicio da guerra!


Comentários

  1. BATESTE NUMA COISA MUITO SÉRIA e que pode acontecer a qualquer momento,😢😢😢 infelizmente 🙏🙏🙏🙏🙏🙏🙏💔💔💔🙏😢🙏😢🙏😢🙏😢🙏😢🙏😢 será que vai chegar até nós??? QUE MEDOOOOOOO

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