“O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, é a ilusão do conhecimento!”
“O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, é a ilusão do conhecimento!”
(Daniel J. Boorstin or Stephen Hawking)
Esta
frase, talvez também de Hawking pode ser um pouco enigmática, porque numa
primeira leitura ela parece identificar uma outra forma de ignorância e diria
até que sim, porque a ilusão de conhecimento é uma forma de ignorância,
encoberta — mas mais perigosa, porque quem a tem não procura corrigir-se.
Sendo
que a verdade da ignorância simples, por vezes também vem acompanhada de uma
passividade no que concerne à procura de conhecimento, ou à abertura para
escutar outras narrativas sobre qualquer assunto que se ignora, ficando
ancorados na nossa ignorância, sem que isso queira dizer que temos certezas da
nossa posição, apenas estamos digamos que encalhados numa única perceção de uma
alegada realidade.
Ao
ser confrontado com esta frase nas minhas pesquisas várias, levou-me a refletir
sobre este nosso atual Portugal, e quero desde já admitir que não tenho
certezas de nada, e neste caso nem do meu julgamento pessoal, ou das minhas
posições sobre o que aqui pretendo desfiar, pois estou certo que poderei vir a
encontrar outras posições, outras descrições, outras narrativas, que me possam
levar a alterar total ou parcialmente o que agora aqui digo, muito embora em
certos elementos desta redação, me posiciono duvidoso quanto a mudar de posição,
talvez ecoando Sócrates: “Só sei que nada sei”.
Olhando
a web, olhando nomeadamente comentários sobre determinados assuntos parece-me
que as pessoas estão muito arreigadas nas suas posições, e quando questionadas
percebe-se a falta de argumentos, porque rodopiam uma e outra vez,
incessantemente sobre um único aspeto desse assunto, mais que não seja porque,
“Duvidar de tudo ou acreditar em tudo são duas soluções igualmente
cômodas que nos dispensam de refletir” (Henri Poincaré).
Exemplo:
“tem algum jeito, comerem com as mãos!? Estão no nosso país, adotam os nossos
costumes!” – resposta de um conhecido meu, sobre determinadas pessoas que na
hora da refeição, intervalo do almoço do seu trabalho, se posicionavam em roda
de um determinado recipiente e desfrutavam da sua refeição com as mãos, e que
segundo ele por isso deviam ser deportados, ou isso é o limite de todos os
argumentos.
Ainda
perguntei se eles obrigaram algum nacional ou não, a comer como eles!? Claro
que não, mas entender o outro na sua culturalidade parecia demasiado para
ignorância deste jovem ou a ilusão de conhecimento que declara ter nas suas
afirmações, seja, da sua repetida afirmação. O desconhecimento de como os
nacionais migrantes nos quatro cantos do mundo eram olhados nomeadamente pela
forma como cozinhavam, barra-lhe o entendimento de que mesmo longe da nossa
geografia, nós carregamos connosco coreografias do dia-a-dia que são elementos
da nossa culturalidade, que se expressa das mais variadas formas, desde como
cozinhamos, como comemos, como vestimos e o que vestimos, entre tantas outras
nuances da nossa identidade como pessoas de um determinado país, de uma
determinada cultura como defendeu Claude Lévi-Strauss: “O conhecimento de
outros povos é a base do respeito mútuo”.
Não
tenho nem quero ter o dom do conhecimento absoluto, se assim já está difícil
permanecer neste planeta, imaginem saber tudo sobre tudo, seria um suplicio
acordar de manhã. Por isso mesmo, sempre que comento algo e ou aqui escrevo
algo, procuro encontrar conhecimento, textos como este levo tempo, porque não
me basta a minha opinião inicial, preciso de mais, e por isso faço umas quantas
pesquisas e depois, pesquisas das pesquisas, porque não é por estar na net que
é verdade, é preciso saber de onde vem o que quer que seja, uma vez que “Na
ciência não há autoridade suprema. O progresso depende da liberdade de
questionar tudo” (Karl Popper).
Assim
esta frase que a origem se atribui a um e terá sido repetida por outro, um
problema dos estudiosos e teóricos, que passam a vida a citarem-se uns aos
outros, virou o meu foco numa zona especifica dos acentos da AR, onde os
argumentos das suas “propostas” vagueiam entre a ignorância, e uma overdose de
uma ilusão do conhecimento. Uma espécie de Robert F. Kennedy Jr. em linha de
montagem que para já só lançou no mercado 60 tristes exemplares, que parecem
obter discursos e certezas científicas através do ChatGPT.
Por
isso gente bonita, para que não caiam no conto do vigário, para que as suas
opiniões e reflexões não sejam muradas por falsos estudos, alegadas certezas
científicas, quando ouvir ou ler algo que lhe parece demasiado óbvio, procure
por todos os meios saber mais. Porque haveria alguém de falar sobre este ou
aquele tema, com tanta certeza, se o tema lhe parece a si “comum mortal” coisa
óbvia. Que estudos são esses de que fala, porque se for opinião, então isso não
é certeza, não é estudo, é opinião, ou frase tirada de contexto para lhe fazer
agrado ao ouvido, e convínhamos, se for para ouvir coisas boas a meu respeito
sento-me frente ao espelho, porque eu nunca disse mal de mim a ninguém. Saiam
da vossa bolha social, leiam, passem pela biblioteca se não tiverem acesso ou
não estiverem confortáveis com um computador, inquiram pessoas que não conhecem
de lado algum, escutem pessoas de todas as idades, de preferência aquelas que
não te conhecem, porque as suas posições serão sempre mais sinceras, essas pessoas
não estão na tua vida para te agradar, não te conhecem, não fazes parte da vida
delas, serão em princípio as mais honestas, entre as honestas.
Mas
mais que questionar, sugiro que olhes a história, olha para trás, vê como era,
vê como é, quais são os privilégios que não tinhas e hoje não te vês sem eles,
como a LIBERDADE de questionar, falar, escrever o que te vai na alma sobre o
que quer que seja, sem teres de olhar por cima do ombro, antes de abrires a
boca ou fazeres deslizar a caneta sobre o papel! Até porque como alguém
advertiu faz demasiado tempo, “Aqueles que não se lembram do passado
estão condenados a repeti-lo” (George Santayana).
Não
é porque alguém se apresenta engalanado no interior de um fatinho de marca, que
essa pessoa está certa, não é porque alguém se anuncia doutor disto ou daquilo
que saberá mais da vida, e em particular da tua vida que tu, por isso TUDO é
questionável, “A submissão a uma autoridade cega é a maior negação da
liberdade” (John Stuart Mill), e não respondas aos desafios da
vida, sociais e políticos, no impulso e resumidos apenas À tua história, mas se
calhar à tua história como resultado de todas as histórias da sociedade onde
vives, que juntas construíram a tua.
Uma
coisa é certa, eu, mas isso sou eu, não quero NUNCA viver o conteúdo histórico
dos meus avós, dos meus pais, um conteúdo de repressão, opressão, de ausência
de LIBERDADE, tenderei a concordar com quem ache que vivemos tempos de exagero
em determinados aspetos da vida social, mas prefiro esses exageros de hoje, à
ausência da LIBERDADE de poder corrigi-los.
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