Qual Educação Cívica?

 


(photo by: Dúvida Metódica)


Apresentar a aulas de Educação Cívica como espaço de propagação de ideologia, seja de que espécie for, é no mínimo um atestado de ignorante com poder, de quem o diz, e temos muitos infelizmente, mas ao mesmo tempo podemos sempre acreditar que essas pessoas que podemos ver como cocos podres, nem água fresca tem no seu interior, se estão a referir a estas aulas quando elas proferiam uma cartilha catolicista, uma espécie de aula de “Religião e Moral”, logo à partida dois nomes que não poderiam estar mais longe um do outro, disfarçado de civismo.

Religião é um sistema de crenças, práticas e valores que une indivíduos em torno de uma compreensão do sagrado e do transcendente. Ela envolve a relação entre o ser humano e o divino, oferecendo explicações sobre a existência, a morte, o propósito da vida e a natureza do universo.”

Moral refere-se a um conjunto de regras, valores e costumes que orientam o comportamento humano, indicando o que é considerado certo ou errado em uma determinada sociedade ou grupo social.”

 

Seja, olhando o que o mundo fez e faz em nome de uma qualquer religião, apresentar uma como complemento da outra é doutrinação.

Doutrinação é o processo de inculcar sistematicamente ideias, crenças ou uma metodologia profissional, muitas vezes sem incentivar o questionamento crítico ou análise

 

Percebem porque é que todos os partidos votaram a favor da saída da “Área Projeto” das escolas!? Gente que pensa nunca foi um bom negócio!

 

Então o atual governo decide por pressão conservadora, fascista (digo eu) e mais que isso ignorante e com falta de visão, decide “restruturar” esta unidade curricular, retirando entre outros itens a “educação sexual” e atabalhoadamente diz que será incluída em outras UC, …devem ser os únicos que acreditam que as outras UC tem espaço para incluir seja lá o que for, e ou crentes o bastante para acharem que os professores(as) tem habilitações e conhecimentos para lecionar esta matéria com o rigor que convém.

 

Olhemos os dados:


Gravidez na adolescência (Portugal, menores de 20 anos)

- Em 2022, a taxa de fecundidade na adolescência foi estimada em 6,2‰ (ou seja, cerca de 6,2 nascimentos por cada mil jovens de 15‑19 anos)

- Em 2021, nasceram 1 499 bebés de mães adolescentes (com menos de 20 anos); esse número subiu ligeiramente para 1 591 em 2022, correspondendo a cerca de 2,1% dos partos nesse ano

- Esta representa uma ligeira inversão da tendência, mas o valor permanece muito abaixo do observado em 2011 (quando eram mais de 6 mil casos). A queda entre 2011 e 2018 foi de cerca de 44%, passando de 6 021 para 3 390 casos

 

Violência no namoro

- Em 2024, a GNR registou 1 592 crimes de violência no namoro, um aumento face aos 1 497 casos de 2023

- A PSP registou 1 412 queixas em 2024, mais 49 que em 2023 (o segundo valor mais baixo em seis anos)

- A APAV apoiou 1 023 vítimas de violência no namoro em 2024 — das quais 322 ainda estavam na relação e 691 procuraram apoio após a rutura. Cerca de 87% eram mulheres entre os 18 e os 44 anos

 

Violência doméstica

- No 1.º trimestre de 2025, foram registadas 7 056 ocorrências de violência doméstica comunicadas à PSP ou GNR. A Rede de Apoio acolheu 1 412 vítimas (incluindo 741 mulheres, 649 crianças e 22 homens)

- Em 2024, a Rede Nacional de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica acolheu 1 420 pessoas. Foram registadas 7 054 ocorrências, aplicadas 1 236 medidas de afastamento e integradas 2 788 pessoas em programas para agressores. Registaram-se 4 homicídios em contexto familiar nesse trimestre CIG.

- Em 2023, mais de 10 300 crianças e jovens tiveram o estatuto de vítimas de violência doméstica acionado, a maioria em contexto de exposição indireta à violência familiar (dados da PSP e GNR)

 

IST (Infeções Sexualmente Transmissíveis) em jovens menores de 18 anos

Não encontrei dados específicos e recentes sobre IST <18 anos, mas:

- Entre 2015 e 2018, houve aumentos significativos de casos de clamídia (+251%) e gonorreia (+82%), especialmente entre jovens de 15‑24 anos, segundo dados da DGS e do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica

- A claudícia afetou principalmente mulheres jovens; estes números referiam‑se a idades até 24 anos, pelo que incluem muitos menores de 18, mas não permitem quantificar apenas até 17 anos

 

Sobre este último item, houve um aumento significativo das IST em Portugal.

Entre 2021 e 2022, a gonorreia, clamídia e sífilis aumentaram respetivamente 48%, 16% e 34%.

Os jovens de 15–24 anos são os mais afetados, com crescimentos especialmente acentuados desde 2013: gonorreia +300%, sífilis duplicada

 

É disto que se fala quando queremos manter todos os itens no sitio onde estão, porque são se quiserem MORALMENTE importantes para construir uma sociedade saudável e cuidadosa no que se refere á sua saúde e à dos outros – é de vidas que falamos quando educamos sobre as relações entre pessoas; 2019: 35 homicídios; 2020: 32 homicídios; 2021: 23 homicídios; 2022: 28 homicídios; 2023: 22 homicídios; 2024: 22 homicídios, com um aumento preocupante no 1.º trimestre de 2025, já aconteceram 7 mortes por violência doméstica (6 mulheres, 1 homem), comparado com 4 homicídios no mesmo período de 2024, isto quando falamos de violência doméstica, sendo que existe um registo deficiente quanto a vitimas mortais de violência no namoro, pelo que não encontrei dados específicos sobre este.

 

É de tudo isto que falamos quando exigimos que a “Educação Cívica” se mantenha como está.

Não é, não se trata, de ideologias baratas, trata-se de ciência por um lado, e de um conceito abrangente de moral, e até economicista (vocês gostam dessas coisas da economia) porque quando educamos neste sentido, temos uma sociedade mais saudável a diferentes níveis, e por isso menos casos de IST nos hospitais (SNS), nas esquadras, nas famílias que se veem confrontadas com estas perdas, a menos que essa vossa retórica de “em nome da família”, “para proteger as crianças e jovens” seja isso mesmo, apenas retórica, letra de música, conversa de vendedor de banha da cobra, populismo politico na caça ao voto dos incautos, dos que nunca tiveram “Área Projeto” e dos outros que perderam esta oportunidade de crescimento pessoal, e social.

 

Não gosto muito porque pode ser usado nos dois sentidos, mas mesmo assim vou usar, gente acordem, esta malta são propagandistas baratos de coisas que não tem a mínima ideia do que estão a falar.


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