Não sei como te dizer isto, mas “O futuro era muito melhor antigamente”!

 




Não sei como te dizer isto, mas “O futuro era muito melhor antigamente”!

 

O sentimento da existência de uma ignorância latente que não apenas sentida a nível nacional, tem-me feito refletir sobre um conjunto de situações, e esta frase que não é minha, mas de “Luís Fernando Veríssimo”, atirou-me para o início do meu ativismo, e até mesmo para a minha infância, porque lá, de fato o futuro parecia bem melhor!

 

Quando jovem não tinha qualquer consciência do mundo, aliás por questões educacionais, o meu mundo era limitado, estreito, não passava muito além do quintal lá de casa, ou dos caminhos um milhão de vezes repetidos entra a casa e a escola, a mercearia, e os terrenos baldios em volta. A largueza das minhas ideias ainda que inocentes existia apenas no salão vasto da minha imaginação, que como disse era inocente, e por sem a consciência de diferenças ou lutas de classes, mesmo sentindo na pele que não tinha o que alguns dos meus amigos tinham, ou que tinha mais que outros, desconhecia o meu privilégio ao olhar numa direção, e a minha castração olhando na direção oposta, mas nada, mesmo nada disso me impediu de sonhar.

 

Quando comecei o ativismo, tal como em criança, desconhecia a dimensão da batalha em que me estava a meter. A minha vivencia da minha sexualidade, a minha vivencia nas dimensões da pessoa que me faz ser, não observava conflitos, apenas caminhos. Que inocente eu era, e fico feliz por guardar em determinados aspetos da vida alguma dessa inocência, falo sério, pois essa postura permite que eu acredite que tudo é possível, basta querermos, TODOS, querermos todos!

 

Quando comecei o ativismo o futuro era maravilhoso, estava ali no fim intermédio da estrada. Conquistas várias, que melhorariam a vida de milhares de pessoas, que as tornaria mais gente, mais seres humanos aos olhos dos demais. Um futuro de direitos a serem adicionados aos deveres que sempre tivemos. Mas hoje, ultrapassados esses fins intermédios, intermédios porque nenhuma conquista é definitiva, reparo que o futuro que observo daqui, não tem luz em nenhum dos pontos intermédios desse caminho, de uma luta que se mantem, que permanece, e que muitos que já nasceram, e ou cresceram com uma LIBERDADE que não foi a minha, ou a de milhares de outras pessoas, que crescem e assimilam como sua uma LIBERDADE que tantos, demasiados nunca conheceram, que padeceram enquanto a buscavam, parecem ainda não ter percebido que TODO o ar que hoje lhes refresca os pulmões, esse ar, está cada vez mais contaminado com o enxofre do fascismo, que amanhã, se calhar daqui a nada, como uma “The Handmaid’s Tale” termina, acorrentados na caçamba de um camião de guerra.

 

Visto daqui, de fato o “O futuro era muito melhor antigamente”, não era o antigamente que era melhor, mas o que a partir dele se esperava alcançar!

Alcançamos, e se não fizermos nada, não tarda, de forma abrupta e ou paulatinamente vamos perder, vamos nos perder!

“O futuro era muito melhor antigamente”




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