Este país não é para velhos, não é um filme, é a realidade!
Este
país não é para velhos, não é um filme, é a realidade!
Medir
o nível de pobreza do país tendo apenas nessa contabilidade o “income” que
aufere as pessoas, é meu ver redutor, e injusto, diria, porque a pobreza tem
tantas formas como a sociedade em que vivemos – podemos descreve-la como tendo este
ou aquele tipo de composição, organização, representatividade, mas isso não
passa de uma generalização, aliás quando leio e ou ouço essas definições lembro
sempre aquela historia dos frangos:
“Em média cada português come um frango, sendo que a verdade tem quem coma
cinco, e milhares que não comem nenhum!”
Para
mim avaliar a pobreza pelo “income” é por isso como a lógica da média dos
frangos, porque a riqueza, no meu entender é mais que o dinheiro que tenho no
banco ou na carteira, ou aufiro como vencimento, a minha riqueza é um conjunto de
haveres que vão muito além do vil metal, ou devo dizer, vil plástico!
Lia-se
nas notícias algures em 2023 que “Mais de 400.000 idosos vivem em risco de
pobreza em Portugal, com um máximo de 551 euros por mês, segundo dados
divulgados hoje pela Pordata…” – em 2025 perto de um milhão vive, ou devo
dizer, sobrevive com menos de 500€ por mês. Alguém me pode explicar como estas
pessoas fazem, para não serem encontrados algures numa esquina perto de nós,
moribundo, sucumbido às decisões de uma renda, alimento ou medicamentos.
Em
contraposição que riqueza será aquela que afasta os outros dos números da
pobreza, porque auferem mais, será!?
Talvez
ganhe mais, tenha uma reforma de mil ou mais euros, mas que na mesma medida, essa
pessoa se vê arrumada numa instituição que lhe limita os movimentos, que trata
os seus moradores como pessoas infantilizadas, que lhes atrofiam paulatinamente
os neurónios já cansados e que biologicamente se vão consumindo por si só, essas
pessoas são por isso mais ricas? Financeiramente, talvez, mas e a pobreza
dessas amarras institucionais, organizadas na base por uma sociedade que não
tem tempo para os velhos, essa não entra nessa contabilidade sobre a pobreza,
devia a meu ver, porque na verdade muitas dessas instituições sugam quais vampiros
esses mil ou mais euros das suas reformas, restando muito pouco, isso não é
pobreza?
Eu não tenho respostas, o que tenho são
questões, interrogações sobre o que é ser-se idoso em Portugal e ser-se ou não
um número no risco de pobreza.
As
faturas de saúde de um vasto número de pessoas idosas no nosso país é abismal,
as rendas insuportáveis, e alimentação é todos os dias um delinquente oculto
que reduz o cabaz das compras a olhos vistos, e se isso acontece com pessoas no
ativo, como é que alguém pode achar que não assim para quem ganha menos de 500€
mensais!?
Não
deveremos contabilizar como pobreza, o idoso que não tem acesso a duas aulas
por semana de hidroginástica? Não devemos contabilizar como pobreza, o idoso
que não consegue fazer dois passeios para um lugar qualquer por ano? Não deveremos
contabilizar como pobreza, o idoso que não tem acesso ao teatro, cinema, a
jantar fora sem ser fast-food três, quatro vezes por ano (já estou a ser simpático),!?
Mas
porque o mundo, e a estatística em particular se rege por números, será que
quem ganha mais 10€ que o valor estipulado para definir a pobreza, é rico?
Como
disse, não tenho respostas, apenas muitas questões, e definitivamente uma
fasquia bem mais alta do que deve ser a vida de um ser humano, e mais ainda de
um ser humano que tendo trabalhado toda a sua vida, hoje se percebe como um
mendigo mesmo que apenas em potencial. E não, não vale dizer que alguns ganham
reformas de miséria porque descontaram também misérias, porque os descontos são
em conformidade com os vencimentos, e acredito que nenhum deles gostou de
auferir apenas um ordenado mínimo toda a sua vida, a meu ver o problema está
num sistema social e financeiros onde a distribuição é inexistente.
Este
país não é mesmo para velhos, e o problema é que perto de um quarto da nossa
sociedade tem 65 anos ou mais, e 32,1% está entre os 45-64, e estes últimos olham
para o futura com apreensão, sem quaisquer certezas do que será a sua velhice,
e para pior todo este cenários todos os restantes olham a habitação, o ensino,
o emprego como um cesto cheio de nada, ou quase nada, …
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