A Saúde mental é "tratada" com os pés!

 

(photo by: Público)

A frase que dá titulo a esta texto, não é minha, a não ser as aspas, uma realidade demasiado antiga, que nunca deixou de estar presente.

Não é a primeira vez, e acredito não seja a última, dado que o tema me apaixona, que aqui (e não só) escrevo sobre o suicídio, que podemos todos e com muita razão definir que se trata de um ato pessoal, intensamente pessoal, mas que precisamos TODOS como pessoas, perceber que ele se constrói como tantas outras coisas a partir de fora, vou tentar dar algumas pistas.

 

Sendo eu de sociologia, não vos vou aqui apresentar Émile Durkheim, porque embora admita que o seu trabalho pioneiro e intenso sobre o suicídio é sem dúvida de extremíssima importância, em parte os três modelos de suicida que ele apresenta, acho demasiado simplista para algo tão complexo. Precisamente por esse motivo prefiro buscar para a nossa reflexão, e com base na notícia a questão da psicologia.

A psicologia desde os seus primórdios, dedica uma atenção profunda ao fenómeno do suicídio, procurando compreendê-lo não apenas como um ato isolado, mas como a expressão de um sofrimento psicológico intenso e multifacetado. As interpretações contemporâneas da psicologia clínica e da psicologia da saúde, entendem o suicídio como resultado da interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos, sociais e culturais. Por outras palavras e segundo o meu entender da coisa, para além dos fatores externos (sociais e culturais), poderá existir uma predisposição para a fatalidade (biológicos e psicológicos), talvez para uma melhor compreensão, podemos olhar como um vicio. Quantas vezes não nos perguntamos porque é que umas pessoas ficam presas a determinados vícios como álcool ou estupefacientes vários e outras mesmo experimentando não, e a resposta simplista é mesmo essa, biologia, tem pessoas que estão organicamente mais predispostas a essas substâncias que outras, eu nas escolas dou como o exemplo o chocolate, porque é que tanta gente gosta de chocolate, e porque é que tantas outras não, mesmo sendo o chocolate uma substância doce. Porque nem todos gostamos de sobremesas, e outros não vivem sem elas, o mesmo se passa com as substâncias, e em medida o mesmo se passa com o suicídio.


A questão externa dessa influência é também importante, diria até de veras importante. Tem pessoas que vivem rodeadas de consumidores, e nunca usaram, e por isso mesmo não estão dependentes, e não raramente se mostram combativas, tentando estimular os outros a deixarem de consumir. Da mesma forma tem pessoas que no meio de uma guerra (fator extremo) continuam a acreditar que amanhã será melhor, e outras que simplesmente desistem. Os fatores externos tem sem duvida um peso enormíssimo sobre uma determinada biopsicologia (biológicos e psicológicos), e neste momento (embora não seja de hoje, apenas intensificou), as condições de sobrevivência um pouco por todo o mundo e o nosso país não é exceção, estão dificultadas, pela perda constante do poder de compra, o emprego cada vez mais precário, e tudo isto depois de uma crise mundial, e um pandemia, que nem uma nem outra foi curada devidamente, leva, ou levará a população a patamares de desespero, diria até de alguma anomia de Merton, onde se vê os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres e cada vez mais precários e perseguidos, e esta disparidade de classe dissocia o individuo e que aqui e ali o leva à fatalidade.

As origens da reflexão psicológica sobre o suicídio terão tido origem nas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud, que o associava a uma agressividade voltada contra o próprio eu — uma expressão de pulsões destrutivas internas. Onde o EU, se vê como culpado da sua incapacidade de fazer frente à adversidade, quando na verdade será mais a ausência de meios estruturais de resposta, e ou a existência de outros de opressão (o crescendo de políticas de extrema-direita, por exemplo). Posteriormente, abordagens humanistas, como as de Carl Rogers e Viktor Frankl, destacaram a perda de sentido existencial e a desconexão com os outros como fatores centrais no sofrimento que leva ao suicídio. Sendo que essa desconexão se dá porque eu deixo de me sentir capaz de acompanhar o outro nem que seja na sua energia combativa. Como disse antes, uns enfrentam as dificuldades com energia, enquanto outros deixam que as suas energias sejam sugadas por essas dificuldades. Hoje, a psicologia contemporânea conjuga essas perspectivas históricas com modelos cognitivo-comportamentais e neuropsicológicos, reconhecendo o papel das perturbações mentais (como a depressão e a ansiedade), das experiências traumáticas e dos contextos sociais adversos. Assim, a psicologia vê o suicídio não apenas como um evento trágico, mas como um sinal extremo de dor emocional, que exige compreensão, empatia e intervenção preventiva eficaz.


Bom não esquecer que Portugal segundo a OECD está entre os países que mais consome antidepressivos, segundo esta observatório PT passou em três anos de 131 doses definidas por 1 000 pessoas/dia (2020), para 154,4 DDD por 1 000 habitantes/dia (2023), a Islândia que está no topo da lista tinha em 2022 um consumo de 157 DDD/1 000 habitantes/dia, falta pouco para sermos os primeiros em mais um número de bosta.

 

Por tudo o que o nosso país está a travessar, quase que se fosse um tremor de terra, diria que estamos a viver uma replica do terramoto da “Geração à Rasca”, estes títulos a mim em nada me surpreendem, e isso sou eu que não vejo noticias, para o resto da população que assiste telejornal e lê noticias diariamente, também não devia ser surpresa, a menos que precisem de algum estimulante de memória e ou cognitivo!

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