Como é possível acreditar nas instituições!

 



Como é possível acreditar nas instituições!

Vivemos o resultado de um descuido continuado por parte dos governos sucessivos para com as suas instituições representativas da ordem e do bem-estar, e de todos estes para com o povo que é quem sustenta todo o esquema, mas que vê constantemente os seus colaboradores a pôr a mão no caixa, e acreditem que “Nada corrompe mais do que a impunidade; nada desmoraliza tanto a justiça quanto a sensação de que ela existe apenas para alguns.”

Odeio mesmo ter razão, e quem não acreditar neste meu dito está apenas a ser ingénuo, porque quero mesmo não ter razão perante um mundo, um país, uma sociedade que se desmorona a olhos vistos. 24 horas antes escrevo um post no meu FaceBook sobre o filme “Jocker” e parte do que ele representa para mim, o quadro de uma sociedade que fabrica, consciente ou não disso, “Jockers” que um dia destes vão em direto dizer BASTA e aí vai haver muita gente que se vai dar mal, talvez o país inteiro, pois não sou eu quem diz que aquilo que se reprime, regressa com mais força e violência, até porque “Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se dever.”

 Essa repressão surge por vezes em linhas paralelas, ou se preferirem dissimulada de falta de justiça, ausência de consequência séria, capaz de transmitir a quem vê, o povo, confiança nas instituições, e quando isso não acontece, quando a imagem transmitida não reforça, não inspira confiança, ela cria os “Jockers” da vida. “Quando a norma falha, nasce o crime; quando a justiça falha, nasce a revolta.” como disse Durkheim.

 Sejamos sinceros, bem que sei que não é uma qualidade muito conhecida no meio político, que por vezes entendemos mais como um palco de uma comedia dramática que um cenário político de pessoas eleitas que juraram servir quem os elegeu, mas o que vai acontecer de fato a estes militares da GNR?

Eventualmente e dependendo das patentes, são dispensados, com direito a pensões relativas ao serviço, e quem sabe ingressão a seguir numa qualquer empresa de segurança, para repetir a dose que o envergar de uma farda lhes proporciona! Onde está a justiça dessa decisão? Onde é que o povo, patrão de todas as instituições, entende que as mesmas estão a funcionar em conformidade? Precisamos ter presente que “Quando os crimes do poder parecem recompensa, a moral dos povos apodrece.”

Já o tenho repetido vezes sem conta, (não anoto as vezes que o falo), mas quando se trata de prestações públicas ligadas à autoridade esses elementos NUNCA mais deviam poder abotoar qualquer farda, fosse ela privada e definitivamente não pública, pessoas que DESONRAM, (só palavras caras, não é, …a maioria esqueceu o que é a honra, e outros subvertem o seu real sentido, para usar de violência vária), a farda que juraram honrar (lá está de novo), não são elementos dignos de qualquer tipo de confiança para o exercício de lugares de poder, nem mesmo que esse poder resida no simples abrir de uma porta, “O poder revela o carácter, e onde não há carácter não pode haver autoridade.”



   E quando pensamos que este “restolho” não tem pernas       para se inflamar, reparamos que a floresta está a ser   consumida num total desgoverno.

  As imagens surgiram no feed do meu FaceBook lado a   lado, só assim tomo conhecimento do desmoronar desta   social construção, assim ou quando alguém me mostra ou   comenta comigo no seu descrédito, de uma violência que de  tão bárbara se recusam num primeiro instante a acreditar, mas depois as palavras jorram como agulhetas desejosas de apagar esse fogo, deixam cair rosto abaixo lágrimas que se sentem mais que se veem, porque é as feições do rosto que descrevem essa dor.


De novo a questão da honra e da farda que envergamos, onde fica o crédito dos soldados da paz como um todo, que o povo apoia, chora as suas vítimas, protege quando o desgoverno dos governos os acusa, ou os aponta como bodes expiatórios da desgraça desenhada em gabinete!?
Só vi este miserável título da imagem, mas as vozes em volta já me esclareceram que a vítima não só serviu de depósito da imaturidade, do desrespeito pelo outro, da falta de educação sexual em casa e na escola, numa rodada repetida, como foi filmada no desmantelar da sua personalidade – e chegados aqui, eu questiono-me:

— Filmaram para quê exatamente?


Para se masturbarem no silêncio das suas vidinhas miseráveis?
Para exibir aos que não tiveram o “fortúnio” de estar presente? Aqui levanta logo outra questão, a possibilidade de existir mais desequilíbrio que aquele que foi detido! E eles conhecem-se! Precisamos estar atentos porque “O mal torna-se espetáculo quando a dignidade humana já não é princípio, mas entretenimento.”, e são demasiados os filmes da desgraça alheia perpetrada em atos de bullying de diferentes dimensões e idades.

 O impacto vai muito além da vítima, o ato energúmeno cria vítimas vicariantes num raio que por vezes desconhecemos. Como fica a estima, a personalidade dos seus camaradas cuja integridade vão ver agora questionada? Como fica a estima e a integridade do comandante deste quartel, a quem muitos olharam de forma penosa, porque ele(a) é o comandante deste “navio”.

 Em tempos pedi a um conjunto de deputados(as) que olhassem a violação como um crime idêntico ao homicídio, porque uma violação representa para mim e numa perspetiva empírica um homicídio silencioso, que destrói a vítima em dimensões que vão muito além do momento, em inúmeros casos NUNCA a vítima é salva. Mas não esqueçamos que o nosso direito reprime mais quem destrói património material que vidas ceifadas e deixadas na terra batida a secar. Afinal “Quando a lei protege mais a propriedade que a dignidade, o direito deixa de ser justiça.”, e por isso, talvez, o meu pedido não foi ouvido!

Odeio mesmo ter razão, no espaço de 24hr entre o meu post do “Jocker” e a realidade do que nele falo surgir no meu feed estas noticias, adubo que cria o caos, que elege “Jockers” que se nada for feito, surgiram como capitães de um outro abril, o que não seria mau, mas o problema é que podem surgir na figura de uma total anarquia onde justos e pecadores pagarão um preço alto demais, mas a verdade é que antes de arrumar a casa vai ser preciso tirar muita coisa das prateleiras. Lamento, mas parece que vivemos uma espécie de “ordem” esquizofrénica, que grita por revolução, e “A revolução é justa quando a ordem se torna crime”.

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