Tivemos foi sorte – o cenário poderia (pode) ser bem outro!

 



photo by: Harvard Gazette


Tivemos foi sorte – o cenário poderia (pode) ser bem outro!

 

2020 dia 13 de março, a faculdade comunicou que a partir daquela data teríamos aulas online, um vírus estava a espalhar-se pelo mundo, num quadro pandémico, e essa foi uma das medidas de contenção da propagação de infetados.

Fomos para casa, mas sem sabermos bem, já havia contaminados perto de nós, e lá na faculdade fomos conhecendo quem estava doente, e pouco depois quem perdeu alguém, os mais velhos resistiam menos ao ataque.

Segundo a Organização Mundial de Saúde houve no mundo 7 milhões de óbitos (registados), embora a mesma organização estime que na realidade terá havido 15 milhões – para termos uma ideia da proporção, se os sete milhões fossem todos em Portugal, teria sobrado 2M de habitantes, o lado positivo, deixava de haver crise na habitação. Podendo estar enganado, pelo menos oito países tem pouco menos de 7M - Bulgária (6,5 M); Sérvia (6,7 M); Dinamarca (6 M); Finlândia (5,6 M); Eslováquia (5,4 M); Noruega (5,5 M); Singapura (5,9 M); Laos (7,5 M); El Salvador (6,3 M) – Laos com apenas mais meio milhão que os sete, seja, oficialmente deixou de existir um destes oito países com o covid-19, e mesmo assim e com aqueles exemplos bonitinhos de crianças que ajudavam no prédio, ou de vizinhos que faziam as compras para outros vizinhos, nós enquanto sociedade mundial NADA aprendemos.

 

Mas o que é certo para mim é que tivemos foi sorte – o cenário poderia (pode) ser bem outro!

Vamos aqui criar um outro cenário, que ao invés de termos uma pandemia de covid-19, cujo contágio é rápido, mas a mortalidade mesmo assim é baixa, vejamos se fosse uma destas duas hipóteses – ébola ou a raiva.

 

Para adoçar a coisa vamos dizer que estas duas se transmitissem da mesma forma que o covid-19, aereamente, seja, poderíamos apanhar ébola ou raiva, da mesma forma que contraímos covid-19, apenas por respirarmos – atenção que nenhuma destas doenças se transmite desse forma, o ébola é transmissível pelo manuseamento descuidado e desprotegidos de excremento, vomito e outros fluidos corporais de alguém infetado, e a raiva apenas transmissível de animais para os humanos, por mordida ou arranhão – olhemos então o ébola, que tem um período de incubação, sem sintomas, de 2 a 21 dias, sendo mais comum de 8 a 10 dias, imagine-se portanto a quantidade de deslocações que podemos fazer em digamos 8 dias, imaginemos a quantidade de autocarros, comboios ou aviões que podemos apanhar e das diferentes geografias que podemos visitar!?

 

A coisa fica mais dramática se estivermos a falar da raiva, o período de incubação é de 1 a 3 meses, podendo mesmo chegar a um ano, estão a perceber o drama?

Um ano inteirinho de vai e vem em volta do mundo, e todo o mundo depois infetado durante esse ano, em volta de outros mundos, outras geografias, estão a ver o caos?

Seja, quando houve uma cadencia maior de infetados, os hospitais ficaram entupidos e sem mãos a medir, num cenário destes tudo estaria aparentemente normal durante um ano, no final desse ano de incubação TODOS os hospitais ficariam entupidos, insalubres, esgotados, …

 

Dada a sua taxa de mortalidade, quer o ébola quer da raiva (esta mais acentuada), não perderíamos apenas países de 7M, o mundo faria uma espécie de “reset” populacional, e mesmo depois de uma pandemia dessas proporções preciso não esquecer que quem sobrevivesse teria de enterrar os mortos, sobe pena de desencadear um outra vaga de enfermidades derivada da putrefação dos corpos – a dimensão de uma pandemia dessas limitaria fornecimentos de energia, alimentos, bem como de serviços como os de saúde, mesmo que atingíssemos o ponto de contagio zero, a verdade é que isso não significaria o fim dos problemas.

 

Perante isto o que tivemos, e repito, foi muita sorte, mesmo tendo de lamentar pelo menos os sete milhões de mortes confirmadas, o mundo como o conhecemos mesmo com todos os meios disponíveis não estaria preparado para um contágio desta dimensão, sendo que o fator mais relevante para o caos é o tempo de incubação.

Em particular a raiva, se fosse transmissível com um espirro, sabendo que uma parte do mundo acha que não se quer vacinar, ou outra metade não tem acesso à vacina, o número de óbitos seria dantesco.

 

Agora e em jeito de remate – fala-se de estar por ai uma nova pandemia, com um novo vírus, uma nova doença, e se ela tem um meio de transmissão como o ar, e se ela tem um período de incubação de um, dois meses, meio ano, de que servirá todo o petróleo do mundo, todo o ouro, toda a riqueza!?

 

Feliz 2026, que mesmo sem pandemias, morre afogado em interesses sacados na força de uma bala que vale milhares de milhões, de euros e de vidas!


Comentários

  1. É um texto para refletir sobre...mas como sabemos, por aí,vem " coisa" pior...e eu digo...Vai lá vai... até a barraca ( neste caso,o mundo)abana... que medo 😱😱😱😱😱

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