3 º ato – Cascatas, cafés e “radicais livres” em Vang Vieng
3 º ato – Cascatas, cafés e “radicais
livres” em Vang Vieng
Mas não desesperem, no dia seguinte espera-nos mais uma viagem de carrinha até Tad Gneuang Waterfall, uma cascata monumental com uma lagoa bem tranquila na sua base que claro está o nosso “ornitorrinco” de serviço não demorou a banhar-se, este foi um companheiro de viagem muito tranquilo, muito na sua sem deixar de estar no grupo, gostei de conhecer o senhor enfermeiro. Almoçamos aí mesmo no topo da cascata, rodeados de um verde imenso, até perder de vista. Dali demos um salto a dois spots onde o café faz inveja a qualquer um que alguma vez tenha bebido no nosso país. O primeiro spot é um café que o que podemos ver é a sobrevivência a uma guerra que como todas as demais não deviam nunca ter existido. Este café é a memória viva da devastação das bombas, elementos que hoje são decoração, em conjunto com morteiros e outra artilharia, que depois dá lugar a um balcão onde a tecnologia te informa que o teu café está prontinho a ser saboreado. Dali fomos a mais um cafezinho que para mim nunca é demais, e o maridão aproveitou para um cacau que diz estava delicioso – não satisfeitos, podemos passear pelas traseiras desse café já muito perto de onde pernoitaríamos, onde podemos não só ver as árvores do cacau e do café, mas também a secagem do mesmo antes de chegar ao consumidor, há todo um processo cuidado, uma espécie de ritual produtivo, planeado para fazerem uma festa nas nossas papilas gustativas.
No dia seguinte “mais um euro
mais uma volta”, seja, esperava-nos
nova paragem, apanhar o avião e depois uma
carrinha com destino a Vang Vieng, uma espécie de “playground” de “radicais”
livres, desafogados, subsidiados quem sabe pelos paizinhos ou por negócios que
se gerem a si mesmos, porque nesta terra não te faltam oportunidades de
diversão. Desde passeios de balão de ar quente, paramotor, algo do tipo de
buggys para fazer todo o terreno, um sem número de bares de beira-rio, descidas
de rio de caiaque ou câmara de ar, já para não falar de caminhadas, ou passeios
de byc ou carro por entre paisagens que nos levam a imaginários
cinematográficos, Vang Vieng é tudo isso e pode ser mais, mas talvez por pouco
tempo.
, pontos de salto para a água e até uma tirolesa onde escorregas até te deixares cair na água. Almoçamos aí um almoço tranquilo envolvido em folhas de bananeira para depois seguir viagem, que esta vida de turista não é brincadeira. Fomos até ás margens do rio Nam Song, e porque a malta é ecológica, fomos na reciclagem, e descemos o rio dentro de câmaras de ar de camião, chamaram-lhe “tubing” e querem saber, foi giro, relaxante – nas margens encontramos alguns spots mais ou menos toscos onde podemos parar para beber um copo, dançar, conviver com outras nacionalidades, mas também demos conta que nas margens outras construções mais modernas e nada rusticas, estão em curso, que nos leva a querer que fizemos esta visita no momento certo, para o ano e ou daqui a dois anos, aquelas margens serão menos pitorescos, menos naturais.
Fomos terminar o dia a subir uma
catrefada de degraus (nem sei como lhe chamam isso, mas adiante, eheheh), subimos até
ao Nam Xay Viewpoint para dali não só apreciar a vista deslumbrante em todo o
redor, mas dali celebrar a vida, agradecer mais um dia na terra, assistindo o
sol partir depois de mais uma missão cumprida.
Vang Vieng temos de ir, na manhã
seguinte depois do pequeno-almoço, rumamos para a estação de comboio, que mais
parece um aeroporto, dada a segurança apertada – RX, detetor de metais, e um
acompanhamento na plataforma do tipo chinês – e comboios sincronizados com os
bilhetes – no bilhete dizia onde devias esperar na plataforma, não num ponto
qualquer como acontece aqui na tugolândia, mas entre a coluna 9 e 10, porque o
teu caro, carruagem, vai parar ai, nem mais atrás nem mais à frente. Coisas
simples que fazem toda a diferença para o utilizador.
A beleza em muitos dos spots que visitamos e outros que a vista alcança dá-nos por um lado um grito absurdo de vida e como dizem em alemão "wonder", que nos embasbaca os sentidos - ao esmo tempo e olhando o mundo a sucumbir sobre si mesmo, percebemos o lamento que escondemos na alma, de que tudo isto pode transformar-se num profundo lamento, de uma memória difícil de recordar...
Obrigado pelo reviver pelas palavras que quando as lemos nos lembramos do quão mais potentes sao para a alma, quando comparadas com as fotográficas ou até com videos. Sensibilizou me a bonita descrição daquele que muito bebeu da tua e vossa especial companhia.
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