5 º ato – Hanói, com uma chuva persistente e teimosia de turista (15km depois)

 



5 º ato – Hanói, com uma chuva persistente e teimosia de turista (15km depois)

Sejam bem-vindos à capital do Vietnam, Hanói (ou, Hà Nöi), que confesso que esta minha aversão a grandes cidades, não me fez esperar dela grande coisa, e a chuva que esteve durante o tempo que lá estivemos, não ajudou, nem o fato de termos ficado sem água fria no hotel, que limitou em medida, desfrutar com outro animo esta cidade fantástica, que visitamos mesmo debaixo de chuva.

Acompanhamos o grupo até uma experiencia que eu como normal queria ter, café com ovo, no “The Note Coffe” que se não bastasse a iguaria, o espaço devia ser considerado museu, património de todos os movimentos de paz no mundo, de tantas mensagens redigidas em coraçõezinhos coloridos com as cores da bandeira gay, ou a bandeira da alegria como já alguém disse ser para vender pins na Abraço do Porto, faz muitos anos, lindo, porque até poderia ser mesmo, a bandeira da alegria, da celebração de todas as cores, e por ai íamos,…

Realizada a experiência, desaguamos do grupo, eu e o maridão, diretamente para as ruas molhadas da margem do lago Hoan Kiem para entre quelhos, ruas, e avenidas irmos com destino ao Pagode de Tran Quoc, (3km depois) no lago Truc Bach, e dai tomamos Hanói como nosso, nem a chuva nos deteve. Visitamos o mausoléu, o exterior da Opera, e ainda fomos ao museu da escrita, e tudo isso a pé debaixo de uma chuva persistente. Atravessando quelhos como disse, um deles íamos no sentido errado (sem saída) e um grupo de senhoras locais, em vietnamita (claro que não sabemos a língua, mas percebemos a chamada de atenção), apontaram no sentido certo, com um sorriso, aliás algo que sentimos sempre em toda a gente. Mas Hanói não me deixou saudades,
interessante, mas apenas isso. Obrigado, Hanói, até já Cat Ba.

Para chegarmos a Cat Ba fomos de novo numa carrinha, uma carrinha que apanhou um ferry, para irmos jantar, pois, a noite estava a pôr-se e depois descansar, e quem sabe preparar o coraçãozinho para o deslumbramento de uma paisagem que nos gritava em silêncio, a paz, as cores, a vida selvagem, e o tom de uma preciosidade líquida que a embarcação rasgava cirurgicamente. Sempre vigiados pelo olhar atento das águias, mas não só, e guiados por sentinelas rochosas cravejadas de verde-esmeralda. Não houve vento, nem sol em demasia, também não houve frio, apenas o odor da maresia. O marido parecia uma criança num parque de diversões pela primeira vez, aquela paisagem teve real impacto nele, um impacto que o provocava a expressar uma e outra vez, “já te disse que isto é muito bonito!?”. Não que eu não estivesse absorvido com tanta beleza, mas sentia em silencio, agradeci vezes sem conta ao universo por me ter deixado chegar ali, e me presenteado com todo aquele ambiente, e o universo deve ter ouvido, pois trouxe até bem perto de mim uma das águias que patrulhavam toda a área.

No percurso podemos visitar viveiros “naturais” de garupas e observar toda uma residencial flutuante – tivemos o prazer de nadar nesta águas tranquilas (pelo menos estavam, sabemos que assim não será, com os tufões e companhia, que assolam a região asiática), mas acima de tudo tivemos o prazer de ter estado lá – a brincar, meio a sério, disse que se soubesse que o mundo ia acabar amanhã, ia gostar de poder assistir a partir de uma das milhentas ilhas que nos rodeavam, talvez um sentimento masoquista, pois seria demasiado doloroso ver tanta beleza ser destruída no processo.


Quero me ir embora eu, e não perceber, 
que o que desapareceu foi toda esta beleza!


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