7 º e último ato– Hoi An: uma sala de visitas aberta ao mundo

 



7 º ato – Hoi An: uma sala de visitas aberta ao mundo

Hoi An, é aquele lugar onde quereríamos viver, que podemos chamar de nosso, sabendo porem que a ele aflui um milhão de nacionalidades, e que todos os dias podes encontrar alguém diferente, de uma outra geografia, com uma outra língua, outras definições físicas, como se vivêssemos permanentemente numa vasta sala de visitas.

Mas antes mesmo de nos sentarmos nessa grande sala de visitas que é Hoi An, tenho que vos contar essa viagem de Sleep Bus. Tivemos quase um autocarro só para nós, pois afinal deitados não cabemos muito mais que 14 pessoas, pensava eu mas nada disso – dois níveis, um lado com 16 camas, o outro com mais duas (18), e uma casa de banho – só entras depois de descalçar o que tenhas calçado e colocado esse calçado num saquinho que te é dado para o efeito, e depois vais para a tua cama, está assinalada no bilhete, e lá tens ar condicionado, tv (não serviu de muito), uma almofada e uma manta – podes correr as cortinas de ambos os lados, seja, as do corredor do autocarro e as do exterior, podes ainda escolher o tom de luz, e tens espaço de sobra para dormires confortavelmente, ou aproveitar para trabalhar e ou rever fotos da viagem, tudo isso ao nível do conforto seria uma verdadeira realidade se as estradas fossem um cadinho melhores.


Assim Hoi An foi uma agradável surpresa, toda a zona central da vila é cheia de cor, dourado porque na cultura deles tem um significado forte, bem como o vermelho, depois como se aproximava a festa de fim de ano chinês, que a eles diz respeito, a vila estava engalanada como já tínhamos aliás observado em Hanói, e aqui as pessoas repintaram as paredes de um amarelo próximo da cor do ouro.

À noite a cidade parece mudar de respiração. As lanternas acendem-se uma a uma, ora suspensas sobre as ruas estreitas ora sobre o rio, como se alguém tivesse decidido espalhar pequenas luas de papel sobre a água. Caminhamos devagar, porque aqui ninguém parece ter pressa, e porque cada porta aberta deixa escapar uma nova história: o cheiro de comida que não sabemos nomear, o som de uma língua que nos é estranha, e tantas outras que identificamos, dessa nossa Europa, desse outro mundo ocidental, e numa banca o riso fácil de quem vive habituado a ver passar o mundo.

Talvez seja isso que faz de Hoi An um lugar tão particular, esta mistura antiga de porto de abrigo e de mercado, mas também de passagem, onde durante séculos chegaram mercadores, navegadores e aventureiros de tantas partes do mundo que hoje a cidade parece ter aprendido a rara arte de receber. Aqui somos sempre estrangeiros, mas de alguma forma nunca completamente estranhos, porque me senti parte de, talvez pelo trajar que usei nesta viagem o meu conforto nesta passagem foi muito, e isso leva-nos passado algum tempo a perceber que caminhamos como se já conhecêssemos estas ruas, como se a cidade nos tivesse adotado silenciosamente, deixando-nos partilhar por instantes esta casa aberta, que disponibiliza esta sala de visitas ao mundo.

Para os nossos colegas está na hora de partirem, o regresso à realidade de todos os dias está à espreita, quanto a nós e a nossa colega de Famalicão, temos mais dois dias, vá dia e meio, e aproveitando um tur que compramos, viajamos com ele até Da Nang.

Da Nang, a cerca de uma hora e qualquer coisa de Hoi An é outra conversa, apresenta-se como uma grande cidade, repleta de arranha céus, avenidas largas, e um ambiente noturno de um estilo mais europeu versos zona turística, não esquece os mercados noturnos típicos, aquilo que chamamos de feira aqui no burgo tuga. Por lá estivemos dia e meio, com tempo para ir até à praia, água a 24 graus, mas parece que mesmo assim fomos no dia errado, não se podia nadar, só a banhos e numa área reservada, mas mesmo assim valeu bem a pena.

E foram assim, 21 dias de animação, descoberta, culturalização pessoal, relaxamento absoluto. Os pontos menos positivos descritos ao longo destas redações, que tive de repartir para não ficar muito extensas, não foram capazes de diminuir tanta beleza, o sol, e o relax proporcionado por um povo extraordinário!


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